A moda:o papel em nossas vidas, na Fashion Week do Rio de Janeiro

13 01 2011

Sally Rosembaum, (EUA, contemporânea), Kathleen minha melhor amiga, óleo.

—–

Há momentos em que tudo o que fazemos parece convergir numa determinada direção, como se certos assuntos ou ações fossem inevitáveis.  Costumo respeitar essas coincidências e ver o que elas podem me oferecer.   Domingo, na semana em que a Fashion Week começa no Rio de Janeiro, me encontrei lendo com bastante gosto o artigo de  Ulinka Rublack, Renaissance Fashion: The Birth of Power Dressing [Moda na Renascença: o nascimento do vestir para o poder] que foi publicado na revista History Today, de dezembro.

Mathäus Schwarcz com Jakob Fugger, nos escritórios bancários de Fugger, 1517.

—-

Ulinka Rublack – que é professora na Universidade de Cambridge,  na Inglaterra, de História Européia Moderna — procura apontar para o momento em que a moda passou a ser um item de importância pessoal, que nos distingue e que reforça o status social de cada um.  No processo, ela  nos lembra de uma ou outra figura interessante dos séculos XV e XVI, como Matthäus Schwarz (Augsburgo,1497 – c. 1574).  Esse senhor, cidadão alemão, que trabalhou como contador na famosa firma de Jakob Fugger – [ lembram-se dele?  O primeiro homem a investir no Brasil, em 1503, mandando seu agente Fernão de Noronha para cá? ] —  passou para a história, não por ser um contador extraordinário, mas por ser um apreciador das artes e acima de tudo um dândi.

—-

—-

Retrato de Mathäus Schwarcz, 1526

Hans Maler ( Alemanha, 1480-1529)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

Museu do Louvre, Paris

—-

Observando o retrato de Matthäus, mesmo de bandolim na mão, não temos idéia do tamanho de sua vaidade.  Mas o que ele fez de extraordinário, e pelo qual estamos gratos, hoje, cinco séculos mais tarde, foi contratar um artista em 1526 para fazer um livro com todas as roupas que possuía.  Uma espécie de catálogo de suas indumentárias através da vida, que mais tarde ele compilou no que é chamado Klaidungsbüchlein [ O Livro de Roupas].    Foram ao todo 135 aquarelas mostrando suas roupas.  A maioria dessas ilustrações foram feitas por Narziss Renner ( Alemanha 1502-1536) e detalhadamente descritas por Matthäus, de próprio punho.

O livro de roupas de Matthäus Schwarcz.

—-

Mas Matthäus não ficou só por aí: encomendou duas imagens de si mesmo nu, quando estava no auge de sua boa forma física, dando-se ao trabalho de anotar com precisão a medida de sua cinturinha de vespa.  Ele se preocupava em não ganhar peso que, na sua opinião, era uma indicação de velhice.   Em 1992, o historiador Philippe Braunstein editou a publicação  na França, da autobiografia de Matthäus em um volume, que me parece estar esgotado, mas cuja capa reproduz uma dessas imagens de Matthäus Scwarcz: Un banquier mis à nu : Autobiographie de Matthäus Schwarz, bourgeois d’Ausbourg, Gallimard Jeunesse. [Um banqueiro nu: autobiografia de MatthäusSchwarcz, um burgês de Augsburgo].

—-

Há detalhes interessantíssimos nas aquarelas e nas descrições: numa das páginas vemos Matthäus com meias vermelhas, acompanhado de um menino, aprendiz de bobo da corte, com um macacão amarelo, com listras pretas.  E  aprendemos também, um pouquinho  sobre nós mesmos, sobre a nossa cultura brasileira: Ulinka Rublack menciona no seu artigo, quando Matthäus saía para cortejar uma donzela levava consigo uma bolsa no formato do coração e da cor verde da esperança.  Portanto a expressão em português usada aqui no Brasil e em Portugal “verde é a cor da esperança” já era usada na Europa no século XVI.

—-

O livro de roupas de Matthäus Schwarcz.

E foi nesse momento que percebi que os ventos estavam me levando na direção dessa postagem, porque uns dias antes, eu havia relido algumas passagens do livro Magdalena and  Balthazar: an intimate portrait of  life in the 16th century Europe revealed in the Letters of a Nuremberg husband and wife [ Madalena e Baltazar: um retrato íntimo da vida na Europa do século XVI revelado nas cartas de um casal de Nuremberg]; editado e ilustrado por Steven Ozment, Nova York, Simon & Schuster: 1986.  Quem me conhece não deve se surpreender porque sabe que um dos meus passatempos favoritos é a leitura de diários e cartas de pessoas mais ou menos desconhecidas na história.  Não necessariamente as cartas dos reis, mas aqueles diários e cartas de pessoas comuns.

O livro das Boas Maneiras, 1410, De Jacques Legrand, dado a Jean du Berry em 1410, Paris, Bibliothèque nationale, fr. 1023

Passagens das cartas de Madalena para Baltazar vieram à mente.  Numa carta, Madalena escreve para Baltasar que era um comerciante com negócios na Itália e que se encontrava por lá.  Ela mostra os desejos de seu filho: “Você tem que mandar fazer uma bolsa de seda para o Pequeno Baltasar”. Mais tarde:  “O Pequeno Baltasar lhe cumprimenta  e pede a você que lhe traga um par de meias vermelhas e uma bolsa”.  Ainda mais adiante, vemos que o Pequeno Baltasar precisa se sentir à altura de seus colegas ou amigos, porque sua mãe escreve:  “Ele quer  dois pares de meias, um dos quais um precisa ser igual às meias usadas pelos alunos em Altdorf” [ o editor anota que isso queria dizer, meias da cor da pele ou da cor do açafrão].  Como podemos ver pela iluminura do Livro de Boas Maneiras de Jacques Legrand, datado de 1410,  as meias de seda coloridas eram lugar comum na Europa do século XV e XVI.

Retrato de Federico da Montefeltro,  1472

Piero della Francesca ( Toscana, 1416 — 1492)

Óleo sobre madeira, 47 x 33 cm

Galeria Uffizi, Florença

Assim como meias coloridas, chapéus específicos eram objetos de desejo.  O Pequeno Baltasar pede que seu pai lhe traga,  para  a passagem do Ano Novo de 1592, um chapéu.  O pedido demonstra como era importante para ele o uso específico de um determinado modelo de chapéu:  “Querido Pai:  eu imploro que me mande um chapéu coroa italiano para usar na passagem do Ano Novo, prometo que serei bonzinho o tempo todo e que rezarei pelo senhor”.  Não sei como eram os tais chapéus coroa.  Procurei bastante, tanto na internet quanto nas minhas referências em casa, e não encontrei nada específico.  Mas acredito que possa ter sido algo semelhante ao que oDuque de Urbino, Federico da Montefeltro, usava quando retratado por Piero della Francesca em 1472.

—-

—-

Retrato de jovem, c. 1515

Piero degli Ingannati (Veneza, ativo 1529-1548)

Retrato de Paola Priuli Querini, 1527/28

Palma Vecchio ( Itália, 1480-1528)

—-

—–

Meias vermelhas, cor de açafrão, casaco de damasco branco, negro, amarelo todos esses detalhes refletiam sim o início de uma grande preocupação com a moda que não estava  limitada ao comportamento janota de Matthäus, da casa Fugger.  Assim como hoje, — e nós aqui  na semana Fashion Week do Rio de Janeiro, ouvimos muito isso  – entre as facetas da moda mais interessantes para o publico em geral, estão as cores da estação.  O mesmo acontecia na época de Mathäus Schwarcz; todos queriam saber da cor da moda.    Ulinka Rublack lembra que amarelo se tornou a cor da moda no início do século XVI, sendo adotada primeiramente pelas pessoas mais abastadas. Por volta de 1520 já quase toda a população de Basel, na Suiça, cidade usada como exemplo, tem itens de vestuário dessa cor.

—-

—-

Fernando I, de Habsburgo, s/d

Hans Bocksberger, o Velho (Áustria 1510 -1561]

óleo sobre tela, 206 x 109 cm

Museu de  História [Kunsthistorisches Museum], Galeria de Arte

Viena, Áustria

—-

Assim como hoje, a moda na virada do século XVI também era usada para impressionar.  Acompanhando as peripécias de Matthäus Schwarcz vemos que ele emagreceu alguns quilinhos para estar em forma quando soube que teria a oportunidade de conhecer o Arquiduque Fernando I de Habsburgo, Santo Imperador Romano [1503-1560].  Além disso, ele usou de perspicácia e de psicologia (se bem que essa disciplina não existisse na época) e deixou crescer uma barba, barbeando-se à semelhança do Imperador.  Hoje diríamos que Matthäus usava da técnica de espelhar o imperador, técnica que arrogantemente imaginamos  ser uma “novidade” do mundo da linguagem corporal.  Matthäus conseguiu seu objetivo: o arquiduque gostou e confiou nele.

—-

—-

Retrato de um homem [ Supeita-se que seja Jan Jacobsz Snoeck],  circa 1530

Jan Gossart, conhecido como Mabuse, (Países Baixos, c. 1478–1532)

National Gallery of Art, Washington DC

—-

Fez tão boa impressão que o Imperador lhe deu um título, em 1541.  Para comemorar este novo patamar social, teve o seu retrato pintado com um casaco forrado com pele de marta, semelhante ao casaco na pintura de Mabuse, acima.  Este detalhe, a pele de marta, era estritamente reservado às elites: principalmente uma pele como a dele inteiriça, que sabemos medir 60cm e ser toda castanha, por igual, sem manchas.  Como Ulinka Rublack lembra, uma pessoa de menos posses teria um casaco forrado de peles diversas, pequenas, retalhos emendados de diferentes procedências, tamanhos e cores.

—-

—-

THOMAS_COUTURE_-_Los_Romanos_de_la_Decadencia_(Museo_de_Orsay,_1847._Óleo_sobre_lienzo,_472_x_772_cm)Os Romanos durante a decadência, 1847

Thomas Couture (1815-1879)

Óleo sobre tela,  4,72m x 7,72 m

Paris, Museu d’Orsay

—–

Na minha época de estudante do Colégio Pedro II a Idade Média era tratada como um grande bloco de séculos sobre os quais se sabia muito pouco.  Estudávamos os feudos como entidades quase estacionárias, cruéis e desumanas.  Essa percepção não era só nossa, brasileira.  Em inglês, por muito tempo, a expressão Dark Ages [Eras Sombrias] era usada para explicar os séculos compreendidos pela queda do Império Romano [476 aD] até a Renascença [1492].  Mais ou menos 1.000 anos.  E a Renascença, esta sim, aparecia milagrosamente, como uma fênix, seus contemporâneos verdadeiros heróis que sozinhos recompunham o universo, ressuscitavam valores e conhecimentos do nada ou do quase nada.

—-

—-

A universidade medieval.  Desconheço a origem dessa iluminura.

—–

Mas assim como houve grande avanço nas ciências, na segunda metade do século XX, houve também um avanço enorme no conhecimento sobre esse período obscuro da civilização ocidental, graças às pesquisas e descobertas de estudiosos que garimparam um número enorme de manuscritos; e arqueólogos que não se deixaram levar pela percepção de que não havia nada a ser descoberto.  E aos poucos muito foi trazido à tona. Hoje vislumbramos um período de dez séculos, que não era de todo estagnado, mas um conjunto de sociedades bastante complexas, e muito menos rígidas do que se imaginava quando falávamos dos feudos no período que antecede à Renascença.

—-

—-

Vendedores de tecidos, em O livro das Boas Maneiras, 1410, de Jacques Legrand, dado a Jean du Berry em 1410, Paris, Bibliothèque nationale, fr. 1023

—–

O que aconteceu com Matthäus Schwarcz, sua ascensão social,  não foi um resultado exclusivo do investimento que fez em roupas, ou em moda.  Este tipo de marketing pessoal ajudou.  Mas ele provou ter sido um competente contador, pois trabalhava para um dos maiores banqueiros da Europa, Jakob Fugger.  Era também um conhecedor da alma humana, como já vimos, e das artes.  Contrário ao que se acreditava no passado, a mudança de status social era possível no mundo medieval e talvez nem tão rara, principalmente na Idade Média tardia, a partir do século XIV.  O exemplo mais conhecido e documentado de ascensão social é o de Gregório Dati (1362- ?), um homem comum, comerciante de seda, linho, fazendas em geral e pérolas, em Florença.  A leitura de seu diário ajuda a compreensão da ascensão social e econômica  no período da Proto-Renascença, principalmente em se tratando de um homem  sem quaisquer laços com a nobreza ou com as famílias de importância de Florença.  Seu diário, por menor que seja, é repleto de informações curiosas a respeito dos negócios da época e da maneira como ele foi, ao longo da vida, saindo do obscurantismo até obter uma posição social de respeito.  Quantos outros não terão tido semelhante sorte em outras localidades, sem terem deixado lastro?

—-

—-

Barraca de peixes em feira medieval no Concelho de Constance, na Alemanha, por Ulrich von Richenthal, [1350-60? – 1467], pintada na década de 1460.

—-

—-

O que notamos da efervescência social no final da Idade Média, digamos de 1350 em diante, são as pequenas amostras de individualidade que pululam aqui  e acolá.  Há um maior número de pessoas que sabe ler e escrever e o comércio, este grande fomentador das mudanças sociais, se intensifica entre pequenos aglomerados, povoados, aldeias e cidades–estado,  incluindo maior contato de todos com produtos diversos e até estrangeiros.  Os não-nobres, os homens comuns, passam a medir a possibilidade de serem apreciados pelas suas próprias características, ao invés de estarem sujeitos exclusivamente aos mandantes da igreja ou do rei.  A ilustração acima, por exemplo, de Ulrich von Richenthal  ( c. 1360- 1467) é um exemplo:  contrário aos costumes da época, Richenthal produziu por conta própria, sem nenhum patrocínio, uma série de desenhos mostrando a vida diária em Constance, como explica Albrecht Classen, no livro Urban Space in the Middle Ages and the Early Modern Age [O espaço urbano na Idade Média e no início da Era Moderna]. E seu orgulho em fazer isso está evidenciado nas linhas de apresentação: “como cidadão e residente de Constance, eu, Ulrich Richenthal, coletei tudo isso.  Eu ou testemunhei tudo isso em pessoa ou ouvi as descrições de religiosos ou pessoas comuns. [a tradução livre, é minha].

—-

—-

Auto-retrato, 1493

Albrecht Dürer ( Nuremberg 1471 — 1528)

óleo sobre tela, 57 x 45 cm

Museu do Louvre, Paris

Uma outra pista para o aparecimento do “indivíduo” separado da classe social a que pertence é a popularidade do retrato,  da vontade de se ser retratado, para o presente e para a posteridade.  O retrato, como gênero de pintura, havia sido corriqueiro na Roma antiga, seu uso desaparecendo durante a Idade Média.  Mas volta com bastante força, justamente nessa época em que o “indíviduo” começa a se salientar na sociedade que habita, nessa hora em que se começa a dar espaço para exploração dos próprios dotes, das habilidades únicas de cada um.  Albrecht Dürer, o maior pintor da Renascença alemã, é um dos primeiros da classe artesã (essa era a classe dos pintores) a se retratar, uma ato circunscrito aos nobres e abastados.  E se dá a esse luxo diversas vezes na vida, fato até então anômalo no período medieval.

—-

—-

Retrato de homem, 1500

Ambrogio di Pedris ( Itália, 1455-1508)

óleo sobre madeira, 60x 45 cm

Galleria degli Uffizi, Florença

—-

Foi justamente nesse período de final do século XV e início do século XVI,  que pessoas comuns, que haviam adquirido mais educação, mais recursos financeiros, que podiam deixar algo para gerações seguintes, com mais tempo de lazer começaram a se preocupar com a noção de posteridade: deixar algo pessoal para seus herdeiros, para as futuras gerações.  Este conceito de posteridade, de perpetuação de uma linha familiar de quem não era nobre  entrou sutilmente, aos pouquinhos, comendo pelas beiradas, no conceito de individualização do período.  E com isso voltamos a Matthäus Schwarcz.  Nos anos de sua adolescência ele foi perguntando aos mais velhos o que vestiam quando eram jovens.  Foi também nesse período que  iniciou um caderno com seus próprios sketches, registrando  suas indumentárias, como um documento para o futuro, para sua própria lembrança.

—-

Vestimentas na Idade Média.
—-

Matthäus Schwarcz, apesar do sucesso financeiro e social que obteve,  numa outra época não teria sido uma pessoa importante o suficiente para ter retratos a óleo feitos por artistas habilidosos.  Filho de um comerciante de vinhos, ele estava bem enraizado na classe mercantil.  O que o diferenciou, foi saber fazer um marketing pessoal, usando entre outros meios, o vestuário como ferramenta de ascensão social.   É importante notar que trajes, fora do necessário e funcional, eram dispendiosos.   Mas o vestuário era sempre, como o é hoje, um cartão de visitas.  Os nobres usavam roupas como símbolos de poder e status.  O povo comum se esforçava para “melhorar a aparência” a todo custo, isso não é novidade.   A maioria das pessoas tecia em casa e sabia usar tinturas naturais à base de plantas e minerais para conseguir tonalidades variadas.  Em alguns centros urbanos, as leis suntuárias, que proibiam o uso de excessivo luxo nas vestimentas do homem comum, proibiram  também o uso de certas cores, permitidas só aos nobres.  Na Inglaterra, por exemplo, o uso do tecido escarlate, era prerrogativa da nobreza.  Em toda a Europa, o linho e a lã eram tecidos comuns; algodão e seda eram caros, e mais raros, só aparecendo  com a descoberta de produtos estrangeiros, graças às Cruzadas.  Fazendas aveludadas também eram bastante usadas.  À medida que a classe média aparecia, — como Matthäus Schwarcz demonstra, entre outros — as linhas divisórias entre a nobreza e a classe mercantil se embaralharam, permitindo brechas nessas restrições.

—–

Matthäus Schwarcz, 1542

Christoph Amberger, (Nurembergue, c. 1500-1562)

óleo sobre tela, 74 x 60 cm

Thyssen-Bornemisza, Madri

Mas Matthäus Schwarcz eventualmente teve que se render aos costumes da época e à medida que envelheceu, fez como todas as pessoas de alguma idade o faziam, vestiu-se de preto e branco, pois não cabia bem a um senhor “brincar” com cores e modelos.  Ele engordou, como podemos ver no retrato de Christofer Amberger.  A Reforma na Alemanha também o afetou e a partir de 1550 o comércio entrou em crise, nos concelhos da Alemanha. Matthäus  Schwarcz, um grande exemplo de homem moderno, que confiou no marketing pessoal, sobreviveu a um derrame [AVC] mas, não temos notícias da data específica de seu falecimento.  Muito devemos a ele, que é lembrado hoje pela extravagância de um catálogo de roupas.  Mas ele também é exemplo da vitalidade econômica e social do início da Renascença, que levará à ascensão da classe média ao poder, logo na segunda metade do século XVI.


Ações

Information

5 responses

13 01 2011
Nanci Sampaio

Querida: é isso mesmo [Há momentos em que tudo o que fazemos parece convergir numa determinada direção, como se certos assuntos ou ações fossem inevitáveis.], só nos resta ajustar o foco… Você conhece “Moda, roupa e tempo: Drummond selecionado e ilustrado por Ronaldo Fraga”? O livro é um primor e nos apresenta um pouco da visão do poeta sobre a moda de seu tempo.
Por fim, para os amantes de moda, papel e correspondência alheia, recomendo “Griffin & Sabine” – certamente uma das mais belas correspondências de amor que tive o prazer de conhecer, num projeto gráfico lindo (para combinar ;0).
Abraço, da Nanci.

14 01 2011
peregrinacultural

Nanci, não conheço nenhum dos livros mencionados. Vou procurá-los. Obrigada pela dica. Respondi ao seu outro comentário com “quase uma carta”, perdoe-me… Um abraço, Ladyce

14 01 2011
Nanci Sampaio

Ladyce:
Adorei receber sua quase-carta. Obrigada.
Infelizmente o livrinho do Ronaldo Fraga está esgotado. Griffin & Sabine é o primeiro volume de uma trilogia; consegui 2 em português e um em inglês, mas o primeiro é o meu favorito.
Você tem razão: de tanto ler, nos inundamos e depois, para desaguar, escrevemos. Eu escrevo ficção, principalmente contos, que é o gênero que mais me agrada. Quanto às resenhas, só me arriscaria se o livro me conquistasse por completo. Por outro lado, quando isso acontece, acabo me distanciando do livro em si e com isso os elementos da suposta resenha são mais sentidos e/ou inventados do que extraídos… Anyway I am going to try and practice again.
A list of books to read is like HOPE for me. I have already included the ones you´ve just suggested. Thanks!
Have a lovely weekend. [When are you meeting Papa-livros again?]
Nanci.

14 02 2012
Tatti

Excelente artigo.
Interessante e bem explicativo. Após ler Lipovetsky tenho a sensação de que nossa sociedade atual, que o autor francês chama de hipermoderna, em muitos aspectos assemelha-se ao auge, a hiperbolização, da sociedade renascentista surgida no século XV.
Somos herdeiros do individualismo renascentista.

14 02 2012
peregrinacultural

Tatti, é verdade, sinto-me como se estivéssemos na fronteira mais extrema daquilo que aconteceu na Renascença. É como se tivéssemos chegado à crista da onda. Talvez o pêndulo volte, aos poucos, talvez até depois de muitas décadas, séculos.

Tenho um amigo, historiador da arte, bem radical, que diz que precisamos prestar atenção às limitações das mulheres no mundo dos extremistas muçulmanos, com o uso das burkas, e o cobrir dos cabelos, etc, porque o pêndulo estará se voltando para aquela direção, logo, logo. Ele lembra a influência das roupas “castas” aprovadas pelos diversos segmentos evangélicos atuais como um exemplo e sublinha o fato que a cada 500 anos mais ou menos o mundo ter de dialogar com o mundo muçulmano… Talvez ele tenha razão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: