O trenzinho da infância leva a Maceió, poesia de Oliveiros Litrento

19 01 2011

Fumareira na estação da Ribeira, em Itapemirim, ES, s/d

Mauro Ferreira ( Brasil, 1958)

óleo sobre tela

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O trenzinho da infância leva a Maceió

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Oliveiros Litrento

Teu namorado pela vida afora,

vou viajando agora pelas matas,

com usinas de cana bordejante

o caminho que vai para Alagoas.

No trenzinho da infância vou chegando

às vilas alagoanas encantadas.

E São José da Lage vai ficando

longe. Logo trem pára em União,

a terra onde nasceu Jorge de Lima.

Satuba, Rio Largo, Fernão Velho:

cidades embalando Bebedouro,

bairro dos pastoris, do Bonifácio

da antiga Maceió, formosa e lírica.

No trenzinho da infância vai passando

o bairro proletário  da Levada

com sururus e cheiro de canoas.

O trem vomita a praia do Sobral

na viagem agora terminando.

Quero rever São Luis, Camaragibe

e conhecer a cidade de Penedo.

Mas fico na Manguaba e o Mundaú.

A meninice, alada como um pássaro,

lâmpada azul de sonho e litoral,

ondula em águas verdes das lagoas

o chão da infância, o meu país natal.

Em:  O Leopardo Azul, Oliveiros Litrento, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1965

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Oliveiros Litrento nasceu em S. Luis de Quitunde, Alagoas, em 1923.








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