Vida de flor, poema de Fagundes Varela, 1861

17 03 2011

 

Flores, 1961

Agostinho Batista de Freitas ( Brasil, 1927-1997) 

óleo sobre tela,  50 x 70 cm

—-

—-

Vida de flor

                             Fagundes Varela

Por que vergas-me a fronde sobre a terra,

Diz a flor da colina ao manso vento,

SE apenas às manhãs o doce orvalho

          Hei gozado um momento?

Tímida ainda, nas folhagens verdes

Abro a corola à quietação das noites,

Ergo-me bela, me rebaixas triste

          Com teus feros açoites!

Oh! Deixa-me crescer, lançar perfumes,

Vicejar das estrelas à magia,

Que minha vida pálida se encerra

          No espaço de um dia!

Mas o vento agitava sem piedade

A fronte virgem da formosa flor,

Que pouco a pouco se tingia, triste,

          De mórbido palor.

Não vês, ó brisa?  lacerada, murcha,

Tão cedo ainda vou pendendo ao chão,

E em breve tempo esfolharei já morta

          Sem chegar ao verão?

Tem piedade de mim!  Deixa-me ao menos

Desfrutar um momento de prazer,

Pois que é meu fado despontar n’aurora

          E ao crepúsc’lo morrer!…

Brutal amante não lhe ouviu as queixas,

Nem às suas dores atenção prestou,

E a flor mimosa, retraindo as pétalas,

          Na tige se inclinou.

Surgiu n’aurora,   não chegou à tarde,

Teve um momento de existência só!

A noite veio, procurou por ela,

          Mas a encontrou no pó.

Ouviste, ó virgem, a legenda triste

Da flor do outeiro e seu funesto fim?

Irmã das flores à mulher, às vezes,

          Também sucede assim.

São Paulo, 1861

 

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880




No Maranhão: Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis

17 03 2011

Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis, ilustração de reconstrução.

 Cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro, (UFRJ), anunciaram ontem,  [16/03], no lançamento da publicação Anais da Academia Brasileira de Ciências, a descoberta de um dinossauro gigante, a que se deu o nome de Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis.  Este é o maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil. Viveu no nordeste brasileiro, mais especificamente, no Ilha de Cajual (MA), onde foi encontrado.

O Oxalaia quilombensis  — cujo nome homenageia Oxalá,  divindade masculina mais respeitada na religião africana e  também os quilombos, povoações que construídas por escravos fugidos que existiam na ilha — media de 12 a 14 metros de comprimento, pesava entre 5 e 7 toneladas e viveu há cerca de 95 milhões de anos.  

Essa descoberta foi a estrela da apresentação, onde os pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostraram que ao encontrarem os vestígios do pré-maxilar, com sete dentes, e da narina do dinossauro, constataram que o réptil tinha mais semelhanças com outros dinossauros encontrados na costa da África do que com os descobertos até hoje em terras brasileiras, tais como os répteis da Bacia do Araripe.  Verificaram também que o Oxalaia quilombensis, quando comparado a dinossauros da mesma espécie, mas encontrados na costa africana, tem dimensões significativamente maiores do que seus pares da África.   A familiaridade entre esse dinossauro e os encontrados na África nos lembra que há 115 milhões de anos as terras da América do Sul e da África ainda eram unidas, permitindo a livre migração de um lado ao outro de fauna e de flora (atrvés de sementes), pois o Oceano Atlântico ainda não separava os dois modernos continentes. 

Uma das características dos Espinossaurídeos são dentes mais finos e mais fracos  do que os encontrados em outros dinossauros carnívoros.  Essas características levou cientistas a pensarem, por muito tempo, que esses dinossauros se alimentassem de peixes.   Mas há pouco tempo foi descoberta uma mordida de um Espinossaurídeo na vértebra do pescoço de um pterossauro.  Isso mudou tudo e hoje então sabemos que eles tinham uma dieta mais variada, pois podia se alimentar de répteis.   Os Espinossaurídeos reinavam absolutos como maiores carnívoros do país.  Fora eles, não há qualquer outra espécie que ostente mais de 8 metros de comprimento no Brasil.

—-

A pesquisadora Elaine Machado mostra as partes achadas e o desenho de reconstrução.

O Espinossaurídeo Oxalaia quilombensis tinha espinhos neurais muito alongados que formavam a vela – uma estrutura nas costas como um leque.  Seu crânio lembrava o dos crocodilos porque também era longo. 

Fonte: O GLOBO, versão impressa.








%d blogueiros gostam disto: