Imagem de leitura — Johann Georg Meyer von Bremen

3 05 2011

Passatempos da tarde, 1863

Johann Georg Meyer von Bremen ( Alemanha, 1813 — 1886)

óleo sobre tela, 44 x 35 cm

Coleção Particular

Johann Georg Meyer von Bremen nasceu na cidade de Bremen em 1813.  Pintor de gênero foi aluno, na Academia de Düsseldorf  de Karl Ferdinand Sohn e de  Friedrich Wilheim Schadow.  Comelou pintando temas bíblicos.  Mas depois de viajar pela Bavária e pelos Alpes Suiços,  estudando as pessoas que encontrava, passou a pintar cenas da vida diária , que lhe trouxeram fama pela sensibilidade e competência que demonstrou.   Visitou repetidas vezes a Bélgica. Em 1852 mudou-se definitivamente para Berlim, onde se tornou professor em 1863.  Faleceu em 1886, aos 73 anos.





O fim de semana das orquídeas, Jardim Botânico do Rio de Janeiro

3 05 2011

Quiosque de venda de um dos orquidáreos participantes da exposição no JBRJ.

A Exposição e Venda de Orquídeas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi um dos pontos altos de entretenimento carioca no fim de semana do Dia do Trabalho.  Este é um programa que há muito entrou para o calendário oficial do Rio de Janeiro e um dos poucos eventos que visito todos os anos,  pelo menos vez e algumas horas de observação.

Não sou conhecedora de orquídeas.  Nem mesmo tenho um jardim em casa.  Dedico-me exclusivamente à manutenção de quatro plantas domésticas, criadas em potes de barro, que miraculosamente parecem sobreviver e crescer sob os meus cuidados.  Sim, tenho predileção por plantas grandes, que virem pequenos arbustos dentro do meu apartamento.  E também por plantas que não sucumbam se me esquecer um dia de regá-las ou adubá-las. 

Já tive orquídeas em casa.  Aquelas que recebemos de presente de amigos que nos querem bem.  E mais de uma vez consegui que elas sobrevivessem por alguns anos dando flores anualmente.  Mas não imagino que qualquer uma delas tenha sobrevivido, florescendo  regularmente, por causa dos meus bons tratos.  A cada vez que uma delas dava flores fiquei tão surpreendida quanto se tivesse ganahdo na  Loteria Federal. 

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É verdade que elas gostavam muito do peitoril da minha varanda de serviço.  Lá, encarapitadas no décimo andar com seus corpos quase caindo janela abaixo, mas protegidas — como todas as outras plantas nesse lugar por uma barra de ferro para não caírem das alturas — elas recebiam duas horas de sol da manhã, chuva e a umidade generalizada e quase asfixiante dos ares de Copacabana.  Eram felizes…

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Mas eu não fazia absolutamente nada para que elas se sentissem bem… Daí a minha surpresa…  Nenhuma delas sobreviveu com a mudança de endereço.  Pena.  Gostaria de ter me lembrado de dizer aos moradores do meu apartamento, os que me seguiram no endereço, que ali era um lugar especial para se cultivar orquídeas…  Que elas gostavam… Mas quem sabe talvez tenham se mantido vivas pelo carinho e amor com que me foram dadas, para inicio de conversa…

Orquídeas são fascinantes.  Dão a impressão de grande delicadeza e fragilidade…  Basta prestar atenção às bordas de suas pétalas para vermos uma renda, às vezes quase franzida como um pequeno babado.  Isso as tona muito femininas.  Têm cores contrastantes e formatos muito diversos.   E ainda padrões de desenho em suas pétalas que podem ser só de uma cor, ou pontilhadas e até com pequenos quadriculados, como se se vestissem de acordo com a ocasião.   Podem ter grandes flores, ou minúsculas, uma ou cachos de florezinhas.   São um prazer para os olhos e chamam a  nossa atenção e a dos insetos que usufruem de seu pólen. 

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São abertamente sensuais, mostrando a função de suas flores a qualquer um, sem embaraço.  Essa característica sensual, despudorada tornou a orquídeas num dos maiores símbolos do movimento feminista no mundo, assim como tema de fascínio para artistas diversos.  As pintoras americanas Georgia O´Keefe e Judy Chicago são alguns dos nomes que vêm à mente quanto ao uso da imagem da orquídea como um exemplo do feminino na arte e na vida.

   

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Além disso, elas fazem qualquer fotógrafo amador, como eu, parecer de primeira linha.  São fotogênicas.  E curiosamente variadas.  No caso acima, que até parece que o desenho da orquídea está refletindo o desenho da grade ao fundo do orquidário.  Um detalhe que seria do agrado de qualquer profissional da fotografia. 

Orquídeas remetem a luxo, a esplendor, a ocasiões especiais.  No meu aniversário de 18 anos meu pai me trouxe uma orquídea de presente, numa bela caixa transparente.  Orquidários,  por outro lado, sempre me fazem pensar na Belle Époque.  Até mesmo este, do Jardim Botânico, tem aquele ar de estufa, grande o suficiente para guardar centenas de espécimes, com colunas separando uma ilha central do restante do espaço. A luz indireta, sua brancura, a maneira com que o ar parece  que lembra as estufas inglesas da virada do século, onde damas da sociedade tomavam chá e recebiam amigas…

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Ninguém deve se surpreender, portanto, que este tipo de exposição e venda, com competição entre diversos orquidários — a maioria deles vinda das cidades  serranas do estado do Rio de Janeiro — Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo [com pouquíssima representação este ano por causa do desastre das chuvas do início deste ano] atraia tanta gente.  Foi realmente de impressionar as centenas e centenas de pessoas que estiveram no Jardim Botânico neste fim de semana e que também aproveitaram a ocasião para adquirir um, dois, seis, uma dúzia, de orquídeas variadas. 

Se você nunca visitou esta exposição marque na sua agenda o primeiro fim de semana em que o domingo caia em maio, para o ano que vem.  Confirme depois com o próprio Jardim Botânico para saber detalhes do evento.  Prepare-se para uma pequena fila na entrada e no orquidário tamanha é a população interessada.  Mas vale a pena!  Não esqueça de trazer sua máquina fotográfica, porque mesmo sendo amador, suas fotos parecerão de profissional.  Será uma ocasião para apreciar as belezas da natureza tropical e o ambiente mais que agradável de um dos mais belos jardins do mundo.








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