Vou me embora para o passado — Jessier Quirino, para continuar o proveito dessas férias!

31 07 2011




Este é um vídeo para a diversão de final de férias.  Voltamos com postagens regulares, a partir de amanhã.





Meus tiranos, poema de Frederico Trotta, em homenagem ao Dia dos Avós

26 07 2011

Cena de interior, 1901

[também chamado  O Polichinelo]

Alessandro Sani (Itália, 1870,1950)

óleo sobre tela, 36 x 85cm

Meus Tiranos

Frederico Trotta

                          (aos meus sete netos)

Oh!  filhos de meus filhos, meus tiranos,

que a casa me invadis, alacremente,

na expansão natural dos tenros anos,

como um bando de pássaros, contente!

Não deixais sossegados móveis, panos,

em tudo remexeis alegremente.

Sois meigos, vivos, bons, não causais danos

e a tristeza espantais, jocosamente!

E junto da avó, em grupo tagarela,

à larga expandis os corações,

formando um cromo, cândida aquarela,

tal qual Branca de Neve e os sete anões!

Adoro essa balbúrdia domingueira,

de brincos infantis e risos castos,

de suave sabor patriarcal!

Vós me tornais feliz de tal maneira

que, praza aos céus, na hora derradeira,

ao fechar para sempre os olhos gastos,

cerrando sobre a vida espesso véu,

ouça invadir a casa toda inteira,

vosso clamor;

fanfarra triunfal,

a conduzir-me à porta azul do céu!

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Jnaeiro, Editora Vecchi: 1965

Frederico Trotta (1899-1980), advogado, militar, político, jornalista, poeta.  Como poeta começou publicando poesias soltas, em 1920 na revista Boa Noite.  Como jornalista fez contribuições para  O Jornal e Manhã.  Foi diretor-secretário de ATarde, de Curitiba em 1932,  Em 1950 teve uma coluna diária para o Diário do Povo.

Obras literárias:

Mãe, antologia sentimental, 1957

Meu pai, meu bom amigo, antologia sentimental, 1957

O talismã do Cabo Pierre, contos, 1957

Um roseiral para alegrar a vista, poesias, 1957





Imagem de leitura — Anthony Stewart

21 07 2011


Climax, s/d

Anthony Stewart (EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 45 x 60 cm

http://anthonystewartfineart.com

 





Um senhor documentário: A FAMÍLIA BRAZ

21 07 2011

Tempo de férias.   Ainda bem que fazemos coisas diferentes e fora do hábito comum.  Neste período de julho, estou curtindo férias na minha cidade, dando uma chance de me recarregar saindo quase todos os dias para fazer coisas de que gosto nos horários mais diversos.  Estou com a agenda cheia.  Muito mais cheia do que esperava.  Há muito que fazer, que ver, que compartilhar.  E os amigos, sabendo dessa abertura, estão telefonando, batendo à porta.  Um prazer!  Será que me acostumo a rotina de sempre, mais tarde?

Entre as surpresas dessa temporada o está o maravilhoso documentário A Família Braz: dois tempos, de Arthur Fontes e Dorrit Harazin,  eleito o Melhor Filme no festival de cinema É Tudo Verdade.  O filme retrata uma família que mora em Brasilândia, na periferia de São Paulo.  Um casal e seus quatro filhos.  Esse retrato é feito em 2 épocas diferentes com 10 anos de intervalo.  Por causa disso criamos uma afinidade com cada um dos retratados, já que somos apresentados aos seus sonhos e desejos do passado e a realidade em 2010.   Poderia ter sido uma experiência desastrosa…  Mas, ao contrário, é uma experiência maravilhosa, ver como cada um deles conseguiu ir muito além do que esperava…

A família, que poderia se considerar de classe média baixa, com o pai trabalhando sem carteira assinada como bombeiro hidráulico e a mãe dona de casa, é composta de 4 filhos, que no primeiro retrato estavam entre 14 e 24 anos.  Hoje, bem estabelecida na classe média paulistana, está a caminho de sonhos muito maiores do que aqueles imaginados em 2000.  As conquistas – de todos – são o resultado de muito esforço, de muito estudo e trabalho.  Mas são evidentes.  E é um prazer acompanhá-los.

Sem cunho político – o que é um alívio – o documentário mostra o Brasil que queremos ter.  Se você está precisando daquela força para acreditar que tudo vai dar certo.  Se a sua confiança no futuro desse país está num momento de fragilidade – e todos nós temos isso, porque não faltam razões – vá assistir a esse documentário.  Tenho certeza de que você voltará para casa com as suas energias renovadas.





Feliz dia do amigo!

20 07 2011

Obrigado amigo, ilustração Walt Disney.

Feliz dia do amigo!

A todos os amigos e leitores do blog, um muito obrigada pela amizade e leitura.  Um grande abraço, da Peregrina, que anda peregrinando por essas férias de julho, mas lembrando-se sempre de todos.

 





10 Anos Entre Pinturas: exposição de Lucia de Lima, na Casa Atelier

18 07 2011

Menina lendo, 2011

Lucia de Lima (Brasil, Rio de Janeiro, contemporânea)

acrílica sobre tela, 40 x 50cm

Semana passada fui à abertura da exposição solo de Lucia de Lima, pintora carioca, na Casa Atelier, no Jardim Botânico.  A exposição comemora dez anos de pintura da artista.  Representadas nas quatro salas do prédio estão diversas fases de seu trabalho.  Formada em arquitetura, Lucia logo deixou a profissão para se dedicar ao ensino.  Mais tarde, deu vazão à necessidade de se expressar através da pintura.  Lucrou ela, lucramos nós.  Ela, porque encontrou uma forma de expressar a alegria de viver que suas telas comemoram, principalmente, eu diria, a alegria de viver no Rio de Janeiro.  Nós, porque temos a oportunidade de nos deliciarmos com suas paisagens coloridas, floridas, cheias de detalhes do cotidiano carioca.

Parar em frente de uma de suas paisagens significa abrir os olhos para a deliciosa descoberta da riqueza de opções de estilos de vida no Rio de Janeiro.  Enquanto atletas treinam em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, vemos helicópteros no ar,  desportistas de Asa Delta, ciclistas, crianças brincando, ônibus e carros nas ruas…  Cada tela é um mundo mágico, uma visão única da vida entre as montanhas e o mar do Rio de Janeiro.   Nas paisagens de Lúcia, nossas montanhas são ricamente vestidas de flores e pássaros tropicais habitam a densa mata tropical.  A exuberância da natureza é expressada em cada centímetro de tela mesmo naquelas telas em que a artista, deliberadamente reduziu a sua palheta ao branco, preto e a inúmeras outras possíveis combinações dos cinzas que podem existir entre essas suas tintas.

Carioca, criada na Gávea e residente no Jardim Botânico, Lucia de Lima mostra sua preferência pelas paisagens do bairro em que mora e de toda a Zona Sul da cidade.  No entanto, não se limita a esses locais, aqui mesmo nesse blog  já apresentei ao público os Arcos da Lapa, assim como Fla-fluMinha terra tem palmeiras onde cantam sabiás é um dos quadros aqui no blog que exemplifica as telas em preto e branco; enquanto que Fazenda em São Paulo, mostra a maior variedade geográfica de sua obra.  Praia de Copacabana é um dos quadros reúne uma das maiores coleções de afazeres cariocas reunidos numa tela da pintora.

Vale a pena dar uma passadinha pela Casa Atelier para você  se familiarizar com o trabalho dessa artista. Vai se deleitar.

Para contato direto com a pintora: www.luciadelima.com

SERVIÇO

De 12 de julho a 30 de julho

CASA ATELIER

De 2ª a 6ª das 10 às 18h

Sábados de 10 às 14h

Endereço
Rua Saturnino de Brito, 67
Lagoa – Rio de Janeiro – RJ

Telefone: +55 (21) 3206-0437

E-mail: contato@casaateliergourmet.com.br





Imagem de leitura — Christine Reilly

9 07 2011

Guarda-chuvas de Paris, s/d

Christine Reilly (Austrália, contemporânea)

Óleo sobre tela

http://www.christinereillyartist.com

Christine Reilly, pintora australiana contemporânea, com experiência de galerista.  Além de pintura, dedica-se também à gravura e a ilustração para cartões.  dedica-se principalmente à pintura de gênero e paisagens urbanas.





Revolução de 1932, observações de Ivna Thaumaturgo

9 07 2011

Foto antiga de Itajubá, MG.

Lembranças da Revolução de 1932

A revolução paulista desencadeia na cidade um febre política que contamina toda a população.  Pela situação estratégica, Itajubá passa a ser o ponto central para onde afluem as tropas que vão combater os revoltosos e também por estar próxima ao túnel, onde se instalam as tropas paulistas para impredir o avanço dos legalistas.  Há muitos contingentes aquartelados em toda a cidade.  Até o Grupo Escolar, acabado de construir, da noite para o dia, se transformou em praça de guerra.  As paredes estão cobertas de mapas contendo a zona em que se encontram os revolucionários.  Entramos na sala em que está aquartelado o P.C. da 1ª DI.  O general Trompowsky faz as honras de dono da casa ao receber as senhoras dos oficiais que estão no front.  Manda servir café e depois chama um soldado que é hábil saxofonista e taca o Tico-tico no fubá.  Ouvimos o barulho do motor de um avião e corremos lá fora para ver.  Ele distribui manifestos pela cidade, enquanto o povo mineiro entusiasma-se dando vivas aos paulistas.  Mamãe nos leva para casa, o tiroteio começa, alguma bala desgarrada pode nos atingir.  O avião, cada vez mais alto, sai do campo de ação.  Depois desaparece.

Os boatos fervem o dia todo.  O ex-presidente Wenceslau Braz quer a adesão de Minas à causa paulista.  Os paulistas estão de tal forma empolgados, que venderam todo o ouro que tinham para comprar armas.   Em troca receberam um anel de aço onde está escrito: “Dei ouro para o bem de São Paulo”.  Nossa casa atrai visitantes, políticos, militares, civis.  Muitos, principalmente os políticos, estão empenhados em obter do papai, comandante do 4º B/E, a adesão a São Paulo.  Se isso acontecer, naturalmente os outros estados também hão de aderir.  A meu pai repugna trair o chefe da nação.  A oficialidade se reúne no QG das forças legalistas.  Góis Monteiro, Eurico Dutra, Trompowsky, Horta Barbosa.  Decidem com meu pai permanecer fiéis ao governo de Getúlio Vargas.  O desfecho desagrada ao povo mineiro.  Wenceslau Braz se empenha e consegue a transferência do oficial da arma de Engenharia, Miguel Salazar Mendes de Moraes, de Itajubá para o Rio de Janeiro.

Autora: Ivna Thaumaturgo [ Ivna Thaumaturgo Mendes de Moraes Duvivier]. Nascida em 1915, neta do marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, primeiro chefe de uma comissão mista Brasil-Bolívia encarregada de demarcar a fronteira entre esses países e neta, por parte de pai, do general Feliciano Mendes de Moraes. A família era toda de militares sendo Ivna filha do futuro marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes.

Em: A família de guizos: história e memória, de Ivna Thaumaturgo, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1997





Julho, férias… O que ler?

8 07 2011

Hora de descanso, s/d

Itzchak Tarkay (Iugoslávia/Israel, 1935)

Acrílica sobre tela, 100 x 80

Woodside Antiques and Estate Auctions

O portal de sebos brasileiros Estante Virtual, pediu para que seus clientes adicionassem o nome dos livros que gostariam de recomendar para a leitura nas férias.  A lista está em processo de ser feita na página da Estante no Facebook.  Vale a pena dar uma olhadinha e tirar algumas idéias do que ler.

Acabei contribuindo para a lista e resolvi colocá-la aqui para os leitores desse blog. Essa lista imagina que a leitura de férias deve ser uma leitura que não se pode deixar a leitura de lado,  sem estar pensando no desenrolar da história.  São livros que entretêm, que garantem horas de prazer. Divertem, aumentam o conhecimento, deixam a imaginação fértil e nos levam a outros lugares maravilhosos.

1 – O tempo entre costuras, da escritora espanhola Maria Dueñas [Planeta Brasil: 2010] um livro grosso e que a gente vira página após página sedentamente e fica com pena de que acabou.

2 – A senhora das savanas do brasileiro Hilton Marques [Ediouro:2008], você não vai deixar de lado, essa aventura com uma heroína brasileira na África.

3 – A catedral do mar, do escritor espanhhol Ildefonso Falcones [Rocco: 2007]– ficção histórica, passada na Barcelona medieval, século XIV. Vale quanto pesa… Muito, muito bom.

4 –A  história do rei transparente da escritora espanhola Rosa Montero [Ediouro: 2006] — ficção histórica, sensacional.

5 – As viúvas das quintas-feiras, da escritora argentina Claudia Piñeiro, [Alfaguara: 2007] uma trama de mistério, muito bem escrita, retratando problemas bem atuais. Um prazer…

6 – Tuareg, do escritor espanhol Alberto Vazquez-Figueroa, [LP&M: 2000 – bolso]excelente história de aventura no deserto do Saara.

7 – Maria de Sanabria, do escritor uruguaio Diego Bracco,[Rio de Janeiro, Record: 2008], uma ótima aventura histórica sobre a colonização da América Latina.

8 – A costureira e o cangaceiro, da escritora americana/brasileira Frances de Pontes Peebles, um romance e tanto, histórico, passado em Pernambuco dos anos 30.

Esta não é uma lista para crianças de férias.  É uma lista para adultos, jovens ou não.  A maioria já teve resenha publicada aqui neste blog.  Já os emprestei e dei de presente a muitos dos meus amigos e todos sem exceção gostaram desses livros.  Espero, então, satisfazer o seu desejo de leitura e entretenimento.





Imagem de leitura — Vittorio Matteo Corcos

8 07 2011

Sonhos, 1896

Vittorio Matteo Corcos (Itália, 1859-1933)

óleo

Galeira Nacional de Arte Moderna, Roma

Vittorio Matteo Corcos nasceu em 1859.  Estudou  Academia de Belas Artes de FDlorença com Enrico Pollastrini.  Pasou algum tempo em Nápoles entre 1878 e 1879 estudando com Domenico Morelli, cujas associações com o mundo literário foram de grande influência sobre o pintor.  Foi para Paris em 1880 onde freqüentou com alguma regularidade o ateliê do retratista  Léon Bonnat, que havia se especializado nos retratos da elite social parisiense Retornou à Itália em 1886, depois de haver exposto nos salões de Paris por cinco anos, desde 1881.   Estabelecendo-se em Florença, em 1887, Corcos teve uma carreira estável, especializando-se nos retratos aristocráticos.  Na virada do século XX já se tornara um famoso retratista. Morreu em 1933.








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