Uma lembrança do “Turismo no Rio de Janeiro”

6 07 2011



A exposição Turismo no Rio de Janeiro, que está no Espaço Cultural Fundação Getúlio Vargas, no centro da cidade, oferece uma vista d’olhos interessante sobre pontos turistícos da cidade vistos através de fotos antigas de cartões postais;  além de mostrar também o que os brasileiros, os cariocas em particular, ofereceram através do século XX como lembranças de viagem aos turistas que aqui chegaram.

As fotos de hoteis que já não existem, de pontos turísticos como a antiga praia de  Santa Luzia, são parte da interessante documentação reunida ali.   Mapas, fotos mostram como o Rio de Janeiro mudou a visão de si mesmo com a chegada da primeira excursão turística à cidade, em 1907. Os empresários cariocas com um olho nos eventos esportivos da cidade que estão dando um novo ímpeto ao Rio de Janeiro não deveriam deixar de ver a mostra dos objetos considerados lembranças da cidade.  Não só para terem uma noção do que já foi feito, como para verem o que não fazer, e também para melhorar as nossas lembranças, que comparadas com outras de outros locais do mundo da mesma época, deixam a desejar.

Mementos do Rio de Janeiro antigo: Bandeja com paisagem de asas de borboletas, prato com araras, piranha.

Lembranças turísticas: caneca e prato com imagem do Pão de Açucar, luva de cozinha, miniatura do Corcovado e do Maracanã.

Há algumas perguntas que não calam quando vemos a exposição, aqui ficam:

1 – É assim que gostaríamos de sermos lembrados lá fora?  Como queremos ser lembrados?

2 – Estamos perpetuando para o exterior a imagem que o exterior tem de nós?   Exoticismo tropical?

3 – Não haveria algum outro “Recuerdo de Rio de Janeiro” mais sofisticado mais condinzente com a nossa criatividade?

É hora de nos concientizarmos que turismo é uma indústria que traz grande benefício socio econômico, e que os turistas que aqui chegam devem estar interessados em mais do que lembranças artesanais, de pessoas bem intencionadas mas que não conseguem imaginar que pode-se sim, ter lembranças turísticas de alto valor monetário e muito mais sofisticadas.  Até mesmo as reproduções de alguns de nossos monumentos poderiam ser feitas em materiais de melhor qualidade.  Há também que nos lembrar que temos esculturas, pinturas nos nossos museus que não deixam nada a desejar quando comparados com trabalhos feitos fora do Brasil.  Por que eu posso ir à França e trazer uma bela cópia da Vênus de Samotracia, que está no Louvre e não consigo levar para um amigo no exterior uma bela cópia de um trabalho de arte brasileiro do século XIX, por exemplo?  Por que posso mandar um postal da Monalisa para o Brasil quando visito Paris e não posso mandar um postal da Fuga para o Egito de José Ferraz de Almeida Júnior que está no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro?   É assim que se faria a divulgação da cultura brasileira, no “boca a boca”…, no cartão postal de alguém que se apaixona por uma obra que viu no Brasil, de artista brasileiro.  Uma propaganda sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil, quase gratuita.

Será que só queremos mesmo ser lembrados pelo Carnaval?

Boa documentação sobre um assunto que está em pauta.   Interessantíssimo!

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SERVIÇO

Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas

Rua da Candelária 6, Centro

Rio de Janeiro

Até 23 de julho de 2011

Entrada Gratuita

Horário:  de 2ª a 6ª feira  8 – 22 horas

Sábados: 9 – 18 horas








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