Imagem de leitura — Ernest Meissonier

11 08 2011

O leitor de branco, 1857

Ernest Meissonier (França, 1815-1891)

Óleo sobre tela

Museu do Louvre, Paris

Jean-Louis Ernest Meissonier nasceu em Lion em 1815.  Foi um pintor, ilustrador e escultor francês.  Estudou com Jules Potier, indo depois trabalhar no estúdio de Léon Cogniet.  Aos 19 anos começou a expor regularmente no Salão.  Pintor histórico, meticuloso e detalhista.  Morreu em Paris em 1891.

 





Um soneto, do eternamente contemporâneo Gregório de Matos

11 08 2011

Faltava cor, 2010

Cláudio Dantas ( Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 30 x 30 cm

À instabilidade das coisas no Mundo:

SONETO

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da luz, se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a luz, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na luz falta a firmeza

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.

Em: Gregório de Matos Obra Completa, 2 vols.  São Paulo, Edições Cultura: 1945

Gregório de Matos ( Brasil, Bahia, 1623– Brasil, Recife 1695) advogado e poeta brasileiro do século XVII.   O nosso maior poeta do período Barroco no Brasil.   Também um dos mais satíricos.  Conhecido também por dois cognomes:  Boca do InfernoBoca de Brasa.  De família baiana abastada, estudou no Colégio dos Jesuítaa na Bahia, indo depois para Lisboa em 1650 e em 1652 para a Universidade de Coimbra.  Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social.





Anna Gavalda, lembra — Irmãos: uma relação mais que especial

11 08 2011

Uma igreja no campo, 1879

Paul Gauguin (França 1848-1903)

óleo sobre tela, 13 x 19 cm

Coleção Particular

As memórias que mais me embalavam quando eu morava fora do Brasil eram sempre baseadas no convívio com meus dois irmãos.  Quando nós três estávamos juntos, principalmente ao redor da mesa na casa de minha mãe, era como se estivéssemos num mundo à parte: velhas piadas reapresentadas, mensagens taquigráficas com um piscar de olhos e a nossa maneira peculiar de ver o mundo.  Tudo o que nos identificava estava à mostra.  As minhas visitas eram de algumas semanas, às vezes um mês, e meus irmãos sempre arranjavam um jeito de passarem pela casa de minha mãe depois do trabalho, na hora do almoço, num momento de folga para que pudéssemos reatar laços vividos na infância.  Ríamos muito.  Sempre.  E às vezes bastava um começar para os outros entrarem em sintonia.  Minhas cunhadas pareciam às vezes não acreditar nos idiotas em que seus maridos conseguiam se tornar, tão infantis, tão crianças.    Eram momentos mágicos.  Hoje parecem mais mágicos depois da morte súbita de meu irmão mais novo.

Uma bela escapada, de Anna Gavalda [Rocco: 2011] é um pequeno romance, delicado, límpido, que retrata especificamente esse relacionamento mágico entre irmãos. O casamento de um primo no campo, alavanca o encontro dos irmãos Garance, Simon, Lola e Vincente : duas moças e dois rapazes; dois solteiros, uma divorciada e um casado.  Eles passam juntos um fim de semana inesquecível, depois de escaparem dos festejos matrimoniais onde se encontraram.  É através dos olhos de Garance, a terceira da prole, que nos familiarizamos com o grupo. Com a escrita simples, accessível, característica da autora, os quatro irmãos aparecem como personagens completos, que Gavalda assina com sua conhecida habilidade de desenvolver retratos de pessoas comuns, com defeitos e qualidades que reconhecemos.  Seu forte, nos livros anteriores, permanece:  o uso de palavras corriqueiras e precisas para pincelar como numa tela, obra impressionista, o canto do cisne da juventude e a entrada, inescapável, da fase madura.

Anna Gavalda

A narrativa se dá através de pequenas anedotas, de vinhetas de comportamento.  Nelas percebemos um texto que descortina uma deslumbrante alegria de viver, ressalta o prazer da liberdade e assinala para o poder das pequenas alegrias, dos momentos breves, mas plenos, que preenchem nossos dias.  Entremeado entre fantasia e memórias de tempos melhores, Uma bela escapada é um livro de passagem, que define o momento de transição entre o jovem adulto ao adulto amadurecido.   Anna Gavalda, uma das mais queridas autoras francesas, relembra mais uma vez que seus textos não são tão fáceis quanto parecem.  Apesar de velada, a crítica social, de costumes, está presente ainda que oblíqua.   Mas mais importante ainda do que isso é a sua habilidade de descrever a felicidade, de demonstrar os pequenos nadas que nos fazem venturosos.   Leitura extremamente agradável e exuberante, com o toque de leveza caracteristicamente francês.  Um descanso para a mente, um fôlego para a alma.








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