Descoberta uma fortaleza muçulmana ao sul de Portugal, do século XII

1 09 2011

Exército muçulmano, iluminura encontrada no manuscrito “Estações de Hariri”, de 1237, na Biblioteca Nacional de Paris.

A descoberta de uma fortaleza islâmica do século XII no sul de Portugal traz novos dados sobre o domínio muçulmano na Península Ibérica, especialmente sobre o fundador desta construção, o filósofo sufi Ibn Qasi. Os vestígios descobertos, pertencentes a um tipo de complexo militar e de culto conhecido em árabe como “ribat”, são excepcionais na Península Ibérica pelo número de casas e mesquitas, explicou o arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, Mário Varela Gomes.

O achado desta construção medieval é raro na Península, porque até agora mal se conhecia a de Guardamar del Segura, na província de Alicante (sudeste da Espanha), disse o pesquisador. As escavações do “ribat”, situadas em Aljezur, um pequeno município na província meridional do Algarve, serviram para identificar nove pequenas mesquitas, um minarete e um muro de orações em seus dois hectares de extensão.

No entanto, a descoberta mais relevante corresponde às lápides funerárias, cuja leitura revela novos dados sobre um personagem importante, mas pouco conhecido da ocupação muçulmana na Península Ibérica durante o século XII: o místico Ibn Qasi. Para Varela Gomes, o achado é “muito interessante“, porque mostra uma figura que “fundou as bases de um estado teocrático” no sul de Portugal, Andaluzia, Extremadura, Badajoz e Córdoba.

Fundamentalista do ramo sufi, Ibn Qasi liderou a luta contra os Almorávides (dinastia norte-africana) e iniciou o “ribat” em 1130 como uma pedra angular para travar sua jihad (guerra santa) particular e como um tipo de retiro espiritual. A construção, que formou monges guerreiros que combateram em sucessivas guerras em Al Andalus – a região ibérica dominada pelos muçulmanos – incitava à meditação por seu isolamento e grandeza natural, explicou o pesquisador.

Entre dunas e baixa vegetação, estava encravado à beira de uma fileira de penhascos banhados pelo Oceano Atlântico. No entanto, o projeto de Ibn Qasi ocorreu em 1151 quando foi assassinado. “Era visto como um traidor pelos outros muçulmanos, porque tinha assinado um pacto de não agressão com Afonso Henriques (primeiro rei português e de confissão católica)”, relatou Varela Gomes.

Cerco de Lisboa de 1384, iluminura no manuscrito Crônicas de Jean Froissart, século XIV.

O “ribat”, batizado como “Arrifana”, acabou sendo abandonado definitivamente pouco depois do desaparecimento de seu fundador. A Ibn Qasi, que era também um notável literato, se atribui a autoria de O Descalçar das Sandálias, obra imprescindível para a compreensão da influência xiita no movimento sufi de Al Andalus do século XII.

A espetacular localização deste complexo, onde também foram encontrados relevantes restos de cerâmica, objetos de vidro e armas metálicas, será aproveitada para levantar um centro de interpretação a partir de 2013, antecipou Varela Gomes.

Mapa da península ibérica no século XII.

Artigo de Antonio Torres del Cerro.

Fonte: Terra





Canto de minha terra, poesia de Olegário Mariano, para a Semana da Pátria

1 09 2011

Simplicidade, s/d

Reinaldo de Almeida Barros ( Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre papel

Reinaldo de Almeida Barros

Canto de minha terra

Olegário Mariano

Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:

Pelo azul do teu céu,  pelas tuas árvores, pelo teu mar;

Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,

Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar.

Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cehiro

Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;

Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…

Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois.

Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,

Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;

Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,

Pelas tuas casa lendárias, onde amaram nossos avós;

Pelo ouro que o lavrador  arranca de tuas entranhas,

Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul.

Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,

Pelas lendas que vêm do norte, pelas glórias que vêm do sul.

Pelo trapo da bandeira que flamula ao vento sereno,

Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,

Sinto a dor angustiada de ter o coração pequeno

Para conter a onda sonora que canta de mor por ti.

Em: Criança brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro.  Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros,  substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957





Bebês bilingues aprendem mais rapidamente

1 09 2011
Bebê, ilustração de Charlotte Becker.

Os bebês criados em famílias bilíngues têm maior capacidade de aprendizagem linguística se comparados com crianças que só foram expostas a uma única língua.  Esta foi a conclusão de um estudo do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.  Outros estudos, anteriores, já haviam mostrado que as crianças têm habilidades especiais para aprender um segundo idioma.  No entanto essa capacidade começa a desaparecer a partir do primeiro ano de idade.

A pesquisa levou em conta o tempo de exposição dos bebês ao vocabulário de dois idiomas – inglês e espanhol – e constatou que essas crianças têm prolongado, exatamente esse período, descoberto anteriormente,  em que podem aprender um outro idioma, principalmente se elas são expostas em casa a muitas palavras em ambas as línguas.

O cérebro bilíngue é fascinante,  já que reflete as capacidades dos seres humanos para o pensamento flexível.  As crianças bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes e têm flexibilidade de alternar entre essas etiquetas, dando ao cérebro um bom exercício “, disse Patricia Kuhl, coautora do estudo e codiretora do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da universidade.

Os cientistas que trabalharam no estudo pesquisam os mecanismos cerebrais que contribuem para a habilidade dos bebês na aprendizagem de idiomas.  Eles esperam que os resultados dessa pesquisa venham a impulsionar o bilinguismo entre  adultos.  Estudos prévios de Kuhl mostraram que entre o oitavo e o décimo mês de idade, os bebês monolingues são cada vez mais capazes de distinguir os sons da fala de sua língua materna, enquanto sua capacidade para distinguir sons de uma língua estrangeira diminui.

Por exemplo, entre os oito e dez meses de idade, os bebês expostos ao inglês detectam melhor a diferença entre os sons “r” e “l” que os bebês japoneses, que não estão tão expostos a ouvir esses sons em seu idioma. “O cérebro infantil se sintoniza com os sons da língua durante este período sensível no desenvolvimento, e estamos tentando pesquisar exatamente como isso acontece. Saber como a experiência molda o cérebro nos diz algo que vai muito além da linguagem“, destacou Kuhl.

Esta diferença no desenvolvimento sugere que os bebês bilíngues “podem ter um calendário diferente para se comprometer neurologicamente com uma linguagem”  se comparados com os bebês monolingues, ressaltou Adrián García-Sierra, autor do estudo.

Quando o cérebro está exposto a dois idiomas, e não só um, responde adaptando-se a permanecer aberto durante mais tempo antes de mostrar o estreitamento da percepção que as crianças monolingues costumam mostrar no final do primeiro ano de vida“, explicou García-Sierra.

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Fontes: Terra, Science Daily





Imagem de leitura — Eugene Ivanov

1 09 2011

Cavalheiro com jornal, s/d

Eugene Ivanov ( Rússia, 1966)

óleo sobre tela

Eugene Ivanov nasceu na antiga União Soviética em 1966,  em Tyumen, na Sibéria.  Formou-se em engenharia-geofísica e seguiu essa profissão por três anos, desistindo em seguida para se dedicar às artes visuais.    Desde pequeno gostava de desenho.  Assim passou a se dedicar às artes gráficas e à pintura desde que deixou de lado a carreira em engenharia.   Hoje,  mora em Praga, na República Checa, e é detentor de diversos prêmios europeus nas artes visuais.








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