Imagem de leitura — Rita Valnere

21 10 2011

No trem, 1959

Rita Valnere ( Letônia, 1929)

óleo sobre tela, 100 x 120cm

Rita Valnere nasceu na Letônia em 1929.  Estudou arte na Escola de Arte Janis Rozental em Riga, formando-se em 1949.  Depois extendeu seus estudos  no Departamento de Pintura da Academia de Artes da Letônia sob os cuidados do pintor E. Kalnins.  Tem tido uma carreira auspiciosa desde então com numeorsas exposições dentro e fora do país assim como prêmios.





Vinheta de memória do pintor Tomás Santa Rosa — por Rachel Jardim

21 10 2011

Meninos, 1946

Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)

óleo sobre tela

Santa Rosa

Rachel Jardim

Santa Rosa morreu na Índia, um país onde a morte é considerada um acidente natural, ou apenas uma pequena pausa.  Ele, tão plantado na vida, buscando-a sempre, persistentemente, em tudo o que fazia.

Nesta ocasião apareceu o seu retrato nos jornais – rosto redondo, óculos, nenhum cabelo, cigarro constantemente pendurado na boca.  Era um tipo arredondado, sem arestas, sem ossos à vista.  Carregado de humanidade, alguém para se levar para casa, sentar no sofá e deixar falar.

Por essa época, literatura estava muito fora das minhas cogitações. Mas aquela estranha morte na Índia me deixou muitos dias abalada.  Não combinava com ele, tampouco parecia destinado a qualquer tipo de tragédia.  Sua integração à nossa paisagem era total.  Como pois aceitar aquela morte num mundo tão diferente?

Uma vez, ilustrou um conto meu.  A ilustração era muito melhor do que o conto.  Dera a ele uma dimensão que não tinha.  Quando vi a ilustração pensei: era assim que eu queria ter escrito.  Eu falava numa chuva translúcida.  Ele fez uma chuva translúcida.

Pelos idos de 40 fui parar, não sei como, no seu atelier.  Sentei-me num caixote.  Livros e quadros por toda parte.  Maquetes para cenários.  Ele nem desconfiava que eu era a moça, de quem, alguns anos antes, tinha ilustrado um conto.  Nada lhe disse.

Tirei da estante o Romancero Gitano, de Garcia Lorca.

— Que tipo lorquiano,  você é – disse-me.  – Por dentro e por fora.

Eu ri e concordei.  Leu-me uns versos do Romancero e depois me disse:

— Olhe, não quer posar para mim?  Faria de você um retrato lorquiano.

Olhei para os seus quadros na parede.  Não havia quase figuras.  Uma nítida atmosfera da época, a visão de beleza da época. Ninguém retratou tão bem o espírito a sensibilidade da década.

Pensei –  posarei.  E combinei aparecer no dia seguinte.  Não o vi mais.

Tão importante.  Tão humano, sua arte impregnada de vida.  Perdi o retrato, mas guardei sua imagem.  Lembro-me dele totalmente – voz, gestos, riso, modulações, terno, sapato.  Pouca gente permaneceu tanto dentro de mim.  Foi curto o instante, mas tão permanente.  Não pintou meu retrato, mas o dele pintou-se em mim.

Em: Os anos 40 de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973





Quadrinha de Santos Dumont

21 10 2011

Avião, ilustração de Hergé de revista das Aventuras de Tintin.

Num aparelho a explosão,

Mais pesado do que o ar,

Alberto Santos Dumont

Foi o primeiro a voar.

(Walter Nieble de Freitas)








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