2012 — um ano esperado com ansiedade?

31 12 2011

— “Eu só tive espaço para fazer até 2012.”

— “Ha!  Isso vai dar um susto em alguém algum dia!”

Devo deixar claro que não acredito que o mundo vá acabar em 2012.  Portanto a minha tentação é brincar com essa profecia.  Desculpem-me aqueles que acreditam no calendário Maia.  Se vocês estiverem corretos não terei tempo de me arrepender.  Ficam aqui, já de antemão, as minhas desculpas acompanhadas de algumas charges de pessoas que pensam como eu.  Boas entradas!

“– Então, por que acaba em 2012?”

“– Acabou o espaço.”

Finalmente, revelado o mistério do calendário Maia.

–” Já imaginou algum bobo confundindo o fim desse calendário com o fim do mundo?”

“– O cacique disse para fazer até 2012.  É aí que mudamos para o calendário Dilbert.”

Coisas com que nos preocuparmos no século XXI.

Falta de moradias, Fome, Poluição, Crime, Fim do mundo

— “Uai, vamos nos preocupar com a coisa mais emocionante!”

— “De acordo com o calendário Maia o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012”.

— “De acordo com o calendário político, a maioria gostaria que o ano acabasse bem antes disso!”

— “Vovó, aqui falam de uma profecia maia que diz que o mundo se acaba em 2012…”

—  “Netinha, não é possível…  Estes aspargus só vencem em 2015.”

“Francamente, eles poderiam ter previsto o fim do mundo para o mês de agosto!”

— “Isso é tudo? No ano passado o senhor deu muito mais!”

— ” Eu não quis dar tanto por um calendário que se acaba em 21 de dezembro de 2012.”

— “Aqui diz que o mundo vai acabar em 2012.”

— “Vai ser televisionado?”

— ” 18/12/2012, 19/12/2012, 20/12/2012, 21/12/2012 … !!@•◊§!!  Tô sem espaço!

–“Ôpa…  Esperem!  O departamento de marketing decidiu mudar para calendários de mesa…”

Porque o calendário maia acabou em 2012.

— “Eu estou gastando todo o meu dinheiro e se o mundo não acabar em 2012, eu vou ter tudo de volta abrindo processo contra os maias.”

— “Uh Oh…  É 2012!  Comemore como se fosse 2013”.




Imagem de leitura — Maurice Millière

30 12 2011

A leitura, 1912

Maurice Millière (França, 1871-1937)

desenho aquarelado sobre papel, 63 x 48 cm

Em leilão, European Evaluators, LLC, 2007

Maurice Millière nasceu em1871, em  Le Havre, na Normandie onde começou seus estudos artísticos, mas logo entrou para a Escola de Belas Artes de Paris onde estudou com Leon Bonnat. Sua habilidade como desenhista logo lhe trouxe sucesso como cartunista e ilustrador.  Tornou-se um nome de importância nas artes gráficas francesas criando um tipo de mulher que logo ficou conhecida como a “mulher Millière”, símbolo da vida parisiense no início do século XX.  Teve uma carreira de grande sucesso até sua morte em 1946.





Feliz Ano Novo! — Um brinde! Viva o “apimentado” de meados do séc. XX

30 12 2011

Brinde ao Ano Novo, artista desconhecido, 1946.





Imagem de leitura — Vicki Shuck

29 12 2011

Lendo os quadrinhos

Vicki Shuck (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira

www.vickishuck.com





Meninas, 2012 é um ano bissexto: pedidos de casamento à vista!

29 12 2011

Os perigos do ano bissexto.

Há uma tradição interessante sobre o ano bissexto: no dia 29 de fevereiro e só nele, as mulheres podem propor casamento a um homem solteiro.  Essa tradição que é mais conhecida na Irlanda também aparece em outros países do Mar do Norte: Dinamarca, Finlândia.

Então querido, você será meu?

Nas ilhas britânicas a tradição diz que só nos anos bissextos as mulheres solteiras podem propor casamento, ou seja, podem se aproximar daquele homem pelo qual suspiram e propor que se casem.  Sendo alvo de um pedido de casamento, o homem em questão ou aceita ou  paga uma multa para recusar tal pedido.  A tradição está documentada só a partir do século XIX, ainda que se ache que ela tenha existido desde a era medieval.

Cuidado, Clara, esse é um ótimo espécime!

Semelhantes hábitos aparecem na Dinamarca, onde as mulheres que forem recusadas depois de terem feito seus pedidos de casamento nesta data, devem ser recompensadas com 12 pares de luvas.  Na Finlândia, se um homem recusa a proposta de casamento que uma mulher lhe faz no ano bissexto tem que pagar por um corte de tecido para que ela possa fazer uma saia.

Inseguro para homens solteiros

Há muitas explicações pelo aparecimento dessa tradição.  Entre ela a de  que no século V, na Irlanda, Santa Brígida queixou-se a São Patrício (padroeiro do país) sobre a espera que muitas mulheres tinham que aguentar até receber um pedido de casamento.  São Patrício teria então estipulado o dia 29 de fevereiro, como a data em que as mulheres poderiam fazer o pedido de casamento e, se o homem rejeitasse, teria que pagar uma multa, ou dar a ela um presente bem caro.

Moças se preparam…

Fica aqui a sugestão: façam suas listas, examinem as possibilidades.  Vejam como o ano de 1908 trouxe tanta esperança para os corações solitários!  Preparem-se, falta pouco tempo!

Fuja, fuja!

Promessa de solteirona.

Onde há vida, há esperança!

É a mão de seu filho que venho pedir!

Disputado!

Proposta de ano bissexto.

Ambos dedicados a você!




Imagem de leitura — Dina Babbitt

28 12 2011

Retrato do Natal, 2005

Dina Babbitt ( República Checa 1923- EUA 2009)

óleo sobre tela

[ www.iamachild.wordpress.com]





A natureza do morcego, conto africano

28 12 2011

Ilustração anônima.

A natureza do morcego

Era uma vez um reino onde os animais mamíferos e os pássaros entraram em guerra.  Nessa ocasião, abriu-se um grande debate sobre em que grupo o morcego deveria lutar, já que ele, um grande esperto, teimava em se manter afastado de ambos os lados.

Vencendo a guerra, os pássaros mantiveram o poder sobre os mamíferos, por quarenta anos seguidos.  Observando esse poderio das aves, o  morcego  juntou-se a elas, desfrutando o que lhe cabia dos benefícios de pertencer aos dominadores.

Mas um dia, o leão e o tigre, desesperados por reverter aquela situação insuportável, decidiram que algumas novas medidas teriam que ser tomadas para trazer paz ao reino.  As coisas não podiam continuar como estavam.  Mas essa decisão foi plenamente ignorada por todos os animais que já acreditavam que a sorte estava lançada.  Assim, as hostilidades entre pássaros e animais recomeçaram, sem dar trégua.

Na discussão que se seguiu,  os animais resolveram espionar os movimentos do morcego, pois perceberam que ele permanecia neutro, sem escolher qualquer lado.  Os animais pediram à raposa que prendesse o morcego e o trouxesse para inquérito junto aos líderes dos animais.  O morcego foi condenado por pretender ser leal a ambos os lados, e os animais exigiram uma explicação.  O morcego disse que havia seguido o conselho de sua esposa que o havia convencido a ficar pronto para aderir a qualquer um dos lados que vencesse, com a intenção de receber recompensa do lado vencedor.

O morcego foi severamente repreendido, considerado desleal e por isso acabou na prisão esperando julgamento ao final da guerra.  Por dez longos anos ele permaneceu encarcerado, até que a guerra acabou.  As aves haviam sido derrotadas.

Com a chegada do dia do julgamento, o morcego, achando que o caso era muito complicado para se defender por conta própria, decidiu contratar um esperto advogado para sua defesa, que argüiu que seu cliente tinha pleno direito de se alinhar com qualquer um dos lados, de acordo com sua vontade. Sua opinião estava baseada na anatomia do morcego.   Não era uma pássaro apesar de ter asas e ser capaz de voar.  No entanto, insistiu que quando o morcego estava no ar não invadia o território de ninguém.  Tinham de admitir que voar era o seu elemento.   Por outro lado, coberto por pelo, o morcego tinha dentes e grandes orelhas que nenhum pássaro apresentava. Levando tudo isso em consideração não parecia haver dúvidas: o morcego tinha qualidades que o permitiam ser considerado tanto um animal mamífero quanto um pássaro ou ambos. E estava, assim, livre para se juntar a qualquer um dos grupos do reino.

Tradução e adaptação: Ladyce West

Em:  African Myths and Tales, Susan Feldmann, Nova York, Dell Publishing Company: 1963

———

Encontrei uma versão semelhante a esse conto folclórico no portal do professor do MEC.  Lá o conto de Rogério Andrade Barbosa, chamado de “Por que será que o morcego só voa de noite?” tem um outro final, mas os pontos de semelhança são muitos, vale a pena checar, inclusive porque há mais diálogos e parece mais “contável” para pequenos leitores, ainda que a conclusão final seja bastante diferente.








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