Palavras para lembrar — Mallarmé

1 12 2011

Retrato de mulher, s/d

Camilo Mori Serrano ( Chile, 1896-1973)

“No fundo, o mundo é feito para acabar num belo livro.”

Mallarmé (1842-1898)





Cartões de Natal com pássaros

1 12 2011

Cartão de Natal dos Estados Unidos, com a pomba da paz.

Volto a postar — a primeira vez em 2011 —  belas imagens de cartões de Natal, que foram recolhidas ao longo do ano.  Na organização dessas imagens percebi que os cartões de Natal brasileiros, atuais,  em sua grande maioria se restringem ou à imagem da Natividade ou à figura de Papai Noel.  Ambas são imagens apropriadas para a época que revelam duas facetas dessa festa.  No entanto, há outras tradições que na migração para o Brasil se perderam.  Dentre elas está a associação de pássaros ao Natal. Pelo menos quando consideramos o desejo de um Feliz Natal.

Cartão postal comemorando a passagem de 1910 para 1911.

Muitas das tradições natalinas européias puderam se adaptar melhor aos países do Novo Mundo que tinham climas semelhantes na época do Natal.  Assim, muito da imaginária representando neve, frio, inverno, tão familiar aos imigrantes da Polônia, Alemanha, Rússia, França, Irlanda, Inglaterra,  e  até mesmo aqueles do norte da Itália  pode ser transposta sem problema de adaptação para a América do Norte: tanto Canadá como Estados Unidos.

Mas é curioso imaginar que as imagens relacionadas ao Natal  com tantos elementos que são abundantes no Brasil: pássaros, a flor bico de papagaio — que é originalmente do México e simboliza o Natal lá fora –  [poinsettia], não fizeram parte da nossa imagística natalina.  A própria Poinsettia só entrou no nosso Natal, via EUA.  Quando os brasileiros começaram a viajar mais para lá e descobrir que essas plantas fazem parte da decoração de qualquer lugar — casa ou instituição do governo, restaurante, hotel, e todo tipo de loja.

Cartão de Natal, americano, com trocadilho Cheery (alegre) também é associado ao ruido dos pássaros.

A tradição de pássaros na representação do Natal reverte à mesma necessidade de re-nascença que o espírito de Natal evoca.  Já na época anterior ao nascimento do Menino Jesus, havia celebrações na Europa no solstício de inverno quando símbolos da vinda da primavera eram trazidos para dentro de casa — daí a árvore de Natal, feita de um pinheiro, que é uma árvore que não perde as folhas no inverno.  O seu tom verde lembrava a primavera.  E o pássaro, que sobrevive na neve é uma lembrança perfeita dessa re-nascença.

Cartão de Natal russo com pássaros na neve.

Outro caso semelhante ao da poinsettia  foi o do pinguim, um pássaro natural do hemisfério sul,  que só entrou no vocabulário imagístico do Natal, através de cartões estrangeiros,  vindos não só dos Estados Unidos como da Rússia.  Associado ao gelo, ele teria sido perfeito para fazer parte primeiro do nosso Natal.  Mas chegou aqui via hemisfério norte, onde ele não habita.  Que interessante!

Cartão de Natla da Escandinávia.

Cartão de Natal, EUA.

Há duas aves comumente associadas ao Natal que devem sua participação nessa festa através do folclore inglês.  Elas são o ganso e a perdiz.  O ganso natalino [ que é sempre gordo] parece ter  origem na obra de Charles Dickens ” A Christmas Carol” [ Um Canto de Natal] de 1843.  Esse ganso de Natal continua a aparecer em cartões recentres com desejos de felicidades, fora mesmo da Grã-Bretanha.  É uma das imagens mais comuns nos Estados Unidos.

Cartão de Natal, século XXI, EUA.

Mais tradicional do que o ganso, e muito mais popular é a perdiz, em geral representada numa pereira, com frutos.  A razão é a letra da música de Natal, folclórica,  The Twelve Days of Christmas  [ Os doze dias de Natal ], cujo refrão, é “my true love sent to me, a partridge in a pear tree”  [meu verdadeiro amor me mandou, uma perdiz numa pereira.]Acredita-se que essa canção, que seria cantada do dia 24 de dezembro à véspera do Dia de Reis,  tenha tido sua origem na França, mas sua popularidade na Inglaterra deve-se à tradução publicada em inglês pela primeira vez em 1780, fazendo sucesso desde então.  É uma parlenda, em que se enumera itens sempre repetindo os itens anteriores à medida que a música aumenta de tamanho.

Cartão de Natal, inglês com a perdiz numa pereira.

No hemisfério norte, um dos poucos pássaros que não migra para o sul na época do inverno é o cardeal, que está entre os símbolos do Natal favoritos dos artistas gráficos.  Suas penas de um rico e brilhante vermelho servem de ponto de contraste com o verde dos pinheiros e os planos brancos da neve.  Aliás é bom lembrar sempre que Natal com neve não é tão comum assim nos Estados Unidos, e nem mesmo na Europa ocidental.  O Natal é muito cedo na estação do inverno para ser coberto de neve como o caracterizamos.  É frio sim, mas grande parte do território americano não tem neve no Natal.

Cartão de Natal com cardeal, EUA, 1990.

Cartão de Natal, Canadá.

Cardeal pousado num ramo de azevinho, cartão de Natal.

Há pássaros usados de toda maneira nos cartões de Natal.  Daqui por diante farei simplesmente a postagem sem comentários.  Há alguns diferentes.  Mais um parágrafo só no final.

Coruja da Neve, EUA.

Coruja em vôo.

Pássaros com calendário.

Pássaros se alimentando.

Alimentando os pássaros, Escandinávia.

Alimentando os pássaros, Inglaterra.

Bem, continuarei amanhã com outras postagens de pássaros, muito interessantes.  É bom para entrarmos no espírito da estação, não é mesmo?  Até.





Quadrinha pelo Natal

1 12 2011
Natal na cidade, ilustração Tasha Tudor (EUA, 1915-2008).

Na matriz dobram os sinos,

acompanhando o coral;

na alegria dos meninos

todos cantam o Natal.

(Antônio Seixas)








%d blogueiros gostam disto: