Versos de Natal — poema de Manuel Bandeira

11 12 2011

Moça diante do espelho, 1932

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela,  162x 130cm

Museu de Arte Moderna de Nova York

Versos de Natal

Manuel Bandeira

Espelho, amigo verdadeiro,

Tu refletes as minhas rugas,

Os meus cabelos brancos,

Os meus olhos míopes e cansados.

Espelho, amigo verdadeiro,

Mestre do realismo  exato e minucioso,

Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,

Penetrarias até o fundo desse homem triste,

Descobririas o menino que sustenta esse homem,

O menino que não quer morrer,

Que não morrerá senão comigo,

O menino que todos os anos na véspera do Natal

Pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta.

1939

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá: 1961, 5ª edição


Ações

Information

2 responses

15 12 2012
carolaine

Adorei muito ah sua obra de arte incrivel!!!

16 12 2012
peregrinacultural

; :)

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