Imagem de leitura — James Archer

31 01 2012

A morte do rei Artur, 1860

James Archer (Inglaterra, 1823-1904)

óleo sobre madeira, 51 x 43 cm

City Art Gallery, Manschester, Inglaterra

James Archer nasceu em Edinburgo, na Inglaterra.  Estudou pintura na Trustee’s Academy com Sir William Allan e Thomas Duncan.    Em 1840 foi aceito na Academia Real da Escócia e fez sua primeira exposição lá em 1842.  Tornou-se um associado e mais tarde um professor da academia.  James Archer foi um pintor histórico e um excelente retratista.  Morreu em 1904 em Surrey.





Adeus, Stalin! Olá, Brasil!

31 01 2012

Bazar Kolkhozean, 1934

Alex Afanassievitch Coquelles (Rússia, 1880-1956)

óleo sobre tela

Adeus, Stalin! – memórias de uma menina que fugiu da guerra, de Irene Popow [Rio de Janeiro, Objetiva: 2011] vem a preencher uma lacuna na historiografia brasileira, de um assunto que se faz presente em outros países do Novo Mundo: a transmissão de relatos de imigrantes, relatos das guerras e da sobrevivência de milhares de pessoas que encontraram um lar nas Américas. A característica fundamental dos países do Novo Mundo é, em diferentes proporções, mas sempre constante, a variedade das levas de imigrantes além da pluralidade de influências culturais que formam uma nova e única cultura.

O texto de Irene Popow me levou de volta aos cursos de pós-graduação em História da Arte que fiz nos EUA, onde mais da metade dos professores que tive havia imigrado para lá, ainda crianças ou jovens, por terem se encontrado em campos de pessoas deslocadas depois da Segunda Guerra Mundial: judeus, russos, poloneses, franceses, italianos que criaram novas raízes nos EUA e lá se aliaram às melhores universidades do país.  Lendo Adeus, Stalin!  me dei conta dos poucos relatos de imigrantes vindos depois da Segunda Guerra, que fizeram do Brasil sua nova moradia e raiz de nova identidade. Mesmo entre os conhecidos de meus pais, lembro-me só de dois amigos deles com esse perfil: Sr. Ladislau, polonês e Sr. Eugênio, prussiano. Procurei por outras publicações, depois de ler esse livro e percebi que são poucos os relatos dedicados a contar as vidas desses novos brasileiros, antes e durante a guerra, como Irene Popow o faz.


A narrativa de Adeus Stalin! encanta.  Uma senhora que conseguiu guardar as percepções de criança, conta o dia a dia da vida na Ucrânia sob o domínio russo, com Stalin como figura máxima do país.  Seguimos a perseguição que este regime faz à sua família e o pular de cidade em cidade daqueles que eram considerados inimigos do estado.  Ficam claras para o leitor as vicissitudes encontradas e ultrapassadas pelos ucranianos e a persistência em se tentar manter uma vida normal no período de ocupação soviética do país.  Seus pais e tantos outros foram os grandes heróis, por conseguirem manter a unidade familiar intacta diante dos obstáculos. E ainda depois desses percalços somos testemunhas de como Irene e sua família, continuam a insistir numa vida “quase normal”,  indo à escola, fazendo os afazeres domésticos, mesmo depois da invasão alemã.  Temos o retrato da garra dos sobreviventes nos campos de trabalhos forçados, que conseguem manter um módico de dignidade mesmo que sujeitos às mãos inimigas.  E por fim, a lentidão e o viver nos campos de pessoas deslocadas, que perderam tudo e principalmente sua terra e sua nacionalidade: apátridas.

Não fosse a mão de dois interessantes personagens no destino dessa família não sabemos se teriam sobrevivido.  Depois de estarem no campo de pessoas deslocadas, foi o jeitinho do inglês Simon Bloomberg que, não tão ingênuo quanto os americanos seus aliados, percebeu o que aconteceria com a família se ela voltasse para território russo como os russos reivindicavam e conseguiu blefar os comunistas, trocando a nacionalidade da família da autora para polonesa.   Depois veio o jeitinho brasileiro, quando o cônsul Ubatuba, flexionou os limites das leis brasileiras de imigração: só estávamos aceitando engenheiros agrônomos.  A família de Popow só tinha um engenheiro de construção de minas de carvão, um engenheiro químico e um engenheiro geólogo.  Será que eles se importariam de entrar no Brasil como engenheiros agrônomos?

Irene Popow


Outra característica dessa narrativa é não tentar esconder, por simpatias políticas, as agruras da vida sob o comunismo de Stalin.  Assim como as condições de vida em Cuba são hoje ignoradas pelo nosso governo simpático a Fidel Castro, também as condições de vida sob o comunismo foram e são ignoradas pelo posicionamento de esquerda de muitos dos nossos intelectuais.  Irene Popow não faz desse livro uma narrativa de denúncia do regime comunista, mas conta, de maneira cativante e convincente, os sofrimentos passados por aqueles que viveram sob a presidência megalomaníaca de Stalin.

Digo que a narrativa é encantadora porque não é amarga.  São memórias.  São memórias de tempos muito difíceis cujo tempo ajudou a esvair o fel que deveria impregná-las.  O distanciamento de Irene Popow é distinto.  Diferente de muitos outros imigrantes ela teve a oportunidade de voltar à terra natal e descobrir que já não era mais, para ela, o mundo dela.  Era o mundo de seus pais.  Ela, sim, ganhara uma nova vida, uma nova identidade.  Como imigrantes eles conseguiram o seu quinhão.  Deram a volta por cima.  Sem alarde, sem vanglória.   E hoje, Irene Popow pode olhar para a Ucrânia de maneira distante, vê-la como outra terra, com muitas afinidades com o seu mundo, mas estrangeira. Belíssimo relato.





Imagem de leitura — Itzhak Tordjman

30 01 2012

Oração

Itzhak Tordjman (Marrocos, 1956)

litografia

Itzhak Tordjman nasceu em Casabanca, no Marrocos, em 1956.  Quando ele tinha 5 anos sua família emigrou para Israel.  Logo depois de prestar o serviço militar ele foi para Paris, com uma bolsa de estudos do governo francês, onde estudou na Escola de Belas Artes.





Dia internacional dos quadrinhos: 30 de janeiro

30 01 2012

“Reco-reco, Bolão e Azeitona”.

Revista O Tico-tico, nº 2003, ano XLVIII — Outubro de 1952.  Quadrinhos de Luiz Sá.

Outros tempos, outro humor.

Há um tempinho compro algumas revistinhas antigas brasileiras.  Esta é a mais antiga de Os Tico-ticos que tenho.  Elas ainda existem no mercado, cada vez mais raras, mas é uma questão de preço.  As mais antigas ainda, em geral estão acima da bolsa da peregrina para luxos esdrúxulos!





O que a leitura pode fazer por você

30 01 2012

Huguinho e Zezinho descobrem a solução de um problema por dedução, ilustração Walt Disney.

Bastam 15 minutos por dia mergulhado nos livros para você se dar melhor nos estudos e na vida.

O que a leitura pode fazer por você:


1 – Solta a imaginação.
2 – Estimula a criatividade.
3 – Aumenta o seu vocabulário.
4 – Facilita a escrita.
5 – Simplifica a compreensão das coisas.
6 – Ajuda na vida profissional.
7 – Melhora a comunicação com os outros.
8 – Amplia o seu conhecimento geral.
9 – Liga seu senso crítico na tomada.

Fonte: Educar para crescer





Quadrinha do guarda-chuva

30 01 2012

Capa da revista Country Home, abril de 1936

O meu guarda-chuva tem

este mistério tamanho:

— se o levo, a chuva não vem,

mas se o deixo… tomo um banho!

(Heraldo Lisboa)





Imagem de leitura — Alfredo Rocco

29 01 2012

Leitura, 1981

Alfredo Rocco ( Brasil, 1914- 1999)

óleo sobre eucatex,  28 x 23 cm

Alfredo Rocco nasceu em São Paulo em 1914.  Foi médico, pintor, desenhista e professor brasileiro.  Tendo inciado suas atividades no campo das artes em 1938, estudou pintura com Antônio Rocco.  No SPBA recebeu melha de bronze em 1938; pequena e grande medalhas de prata (1941 e 1968) e o prêmio Tomás Melo Cruz (1965).  Em 1940 realizou exposição individual na Galeria Berheim de Paris.  Entre os temas de sua pintura estão os retratos e as marinhas. Faleceu em São Paulo em 1999. [Pontual: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil]





Palavras para lembrar — Marcel Proust

29 01 2012

Moça lendo no sofá, s/d

John Ennis (EUA,1953)

www.john-ennis.com

“A leitura é uma amizade.”

Marcel Proust





Imagem de leitura — Marie R. Dixon

28 01 2012

Um momento de silêncio

Marie R. Dixon ( EUA,  ? – 1896)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

Christie’s New York: Setembro, 2004

Pouco se sabe sobre a vida de Marie R. Dixon,  nem mesmo suas datas de nascimento e morte [1896 é o ano em que para de expor seus trabalhos, consequentemente, por falta de maiores detalhes é a data estipulada para sua morte].  Sabe-se que pintou ativamente entre 1880-1895.    Em 1886, o catálogo completo da Exposição de Primavera 62 º da Academia Nacional de Design afirmava que ela tinha estudado na Art Students League em Yardley, com instrução de Charles Turner.  Ela exibiu seus trabalhos em algumas exposições públicas, mas como tantas outras artistas do sexo feminino do período, Marie Dixon usava apenas suas iniciais para evitar a discriminação, o que leva a grande dificuldade na pesquisa.





No turno de — poema de Gilberto Mendonça Teles

28 01 2012

Tiradentes, duas igrejas

Oscar Araripe ( Rio de Janeiro, contemporâneo)

86 x 110cm

www.oscarararipe.com.br

No turno de


Para Luiz Carlos Alves

Eu fui a Belo Horizonte
ver as meninas gerais.
Vi montanhas e montanhas,
soube de seus litorais,
conheci Minas por dentro,
gostei de alguns minerais,
visitei as novas praças
e seus antigos currais,
vi a toca das raposas,
ouvi discursos e uais,
vi políticos cursando
colégios eleitorais,
vi contistas e contistas
cada qual contando mais,
vi poetas de vanguarda
desenhando nos jornais,
conheci suas tendências,
seus refrões episcopais,
vi gente de toda parte,
do Piauí, de Goiás
(goiano fazendo cera,
piauiense muito mais),
vi homens pulando cercas,
mulheres com seus plurais,
vi a família mineira
na barra dos tribunais,
e na Rua Carangola
(Ouro Preto no cartaz)
vi uma moça morena
cantando seus madrigais,
fazendo um túnel no tempo
e me fazendo sinais
de que só existe Minas
na forma dos festivais,
quando o barroco já rouco
cochicha pelos beirais,
quando a lua e a serenata
passeiam pelos quintais,
quando há miados de gata
no serenô das gerais.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990


Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.


Obras:


Alvorada, 1955.
Estrela-d’Alva, 1958
Fábula de Fogo, 1961
Pássaro de Pedra, 1962
Sonetos do Azul sem Tempo, 1964
Sintaxe Invisível, 1967
La Palabra Perdida (Antología),1967
A Raíz da Fala, 1972
Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977
Poemas Reunidos, 1978
Plural de Nuvens, 1984
Sociologia Goiana, 1982
Hora Aberta, 1986
Palavra (Antologia Poética),1990
L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990
Nominais, 1993
Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles
Sonetos (Reunião), 1998








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