O bailarico das Novais, poema de Luiz Peixoto

8 01 2012

Um sarau musical, 1874

Guglielmo Zocchi (Itália, século XIX)

óleo sobre tela

O bailarico das Novais

Luiz Peixoto

Um sarau

na rua Itapiru,

em casa das Novais.

O calor

está abrasador

e tem gente demais

mas, tome polca!

No sofá

a Dona Jacintinha

faz bolas de papel

e na janela

de papelotes,

a Berenice namorica o furriel.

A reclamar silêncio

surge o seu Fulgêncio,

um rotundo e bom comendador.

Sim, porque nessa altura

chega o padre-cura

com o corregedor.

— Senhorita,

a honra desta dança

acaso quer me dar?

— Cavalheiro,

a honra é toda minha,

porém, já tenho par…

e tome polca!

Dança o Souza,

que vai pisando em ovos

com as botas de verniz,

enquantoa esposa,

de olhos em alvo,

fica torcendo os cabelinhos do nariz.

Por trás de uma cortina

vê-se a Minervina

que é mais preta que um tição,

e diz entre risadas:

— Quebra Dona Alice!

— Quebra seu Beltrão!

— Atenção! — acordes da “Dalila”,

seu Gil vai recitar!

Fazem roda

e o moço encalistrado

começa a gaguejar…

Vem o chá

Biscoitos de polvilho

e outros triviais

— São onze horas, apague o gás!

E assim termina o bailarico das Novais.

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968;  coleção Henriqueta.

Luiz Carlos Peixoto de Castro, ( Niterói, RJ 2/2/1889 – RJ, RJ 14/11/ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.


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