As florestas 300 milhões de anos atrás… Como seriam?

24 02 2012

Desenho de como seriam as florestas de 300.000.000 de anos, ilust. Ren Yugao.

Uma descoberta na China, nos dá uma idéia da vida no passado longínquo da Terra.  Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, o  paleobotânico [paleontólogo-botânico] Hermann Pfefferkorn e seus colegas de trabalho  anunciaram, no início da semana,  a descoberta de uma floresta fossilizada que ficou enterrada sob uma mina de carvão há 300 milhões de anos.  A floresta foi preservada pelas cinzas de um vulcão, numa área que faz parte hoje do norte da China.   Os pesquisadores apresentaram uma reconstrução da floresta fossilizada, dando idéia sobre a ecologia e clima da época, e a ilustração acima nos ajuda a imaginar como seria a Natureza de então.

O impressionante é que com essa descoberta pode-se agora ter um olhar mais preciso sobre a vida vegetal, o clima e a ecologia de aproximadamente 298 milhões de anos atrás. A floresta, descoberta perto de uma mina de carvão na cidade de Wuda, na China, foi coberta por cinzas vulcânicas durante um período de poucos dias e assim se preservou praticamente intacta, de uma maneira semelhante a que preservou a cidade de Pompéia, na Itália em 79 dC.  Esse evento dá um instantâneo de um momento preciso no passado longínquo: plantas foram preservadas como caíram, em muitos casos nos locais exatos onde cresciam.

Asterophyllites longifolius (A) e associado Paleostachya tipo estróbilos (B); Sphenophyllum oblongifolius (C) e associado estróbilos (D); Sigillaria cf. ichthyolepis folha (E)

Samambaias: (A) Pecopteris cf. candolleana; (B) feminaeformis Nemejcopteris; (C) Pecopteris orientalis; (D) Pecopteris sp

Terra no período Permiano.

Talvez seja interessante lembrar que estamos falando de uma era anterior à dos dinossauros na Terra.  O nosso planeta ainda não tinha os continentes de hoje.  Nem Pangeia ainda existia.  A Terra estava no início de um período geológico chamado Permiano, durante o qual as placas continentais ainda estavam se movendo em direção umas  às outras para formar o supercontinente Pangeia, onde se formou numa única massa continental circundada por um único oceano, a que chamamos Pantalassa.   Veja a ilustração abaixo de Pangeia, que em grego quer dizer toda a Terra, depois da junção da América do Norte e da Europa.  Enquanto que na China existiam dois continentes menores. Tudo sobreposto ao Equador e, portanto, uma área com clima tropical.

A formação dos continentes como eles existem hoje.

Ilustração de provável aparência da floresta de 300.000.000 de anos. Ilust. Ren Yugao.

Tudo está maravilhosamente preservado,” disse Pferfferkorn, “podemos encontrar um ramo com folhas presas e então, encontrar o ramo seguinte, e o próximo galho e o próximo.  E depois encontramos o toco da mesma árvore.  É impressionante.

O local têm extensa atividade de mineração de carvão próxima. Isso propiciou a descoberta de grandes extensões de rocha, que mostraram sinais da floresta.  Por causa disso, os pesquisadores foram capazes de examinar 1.000 m² da camada de cinzas vulcânicas, em três locais diferentes, próximos entre si.  Isso permitiu que se caracterizasse o ecossistema de maneira bastante precisa.

(A e B) Pecopteris sp. com esporângios do tipo Asterotheca; hemitelioides (C e D) Pecopteris com esporângios do tipo Eoangiopteris; (E e JK) Sphenopteris (Oligocarpia) gothanii

A base de tronco de árvore grande, após a escavação.

Pfefferkorn disse que “esta será agora a linha de base. Quaisquer outros achados, que são normalmente muito menos completos, terão que ser avaliados com base no que foi determinado aqui …. Esta é a reconstrução da primeira floresta, na Ásia,  em qualquer espaço de tempo, é a primeira com Noeggerathiales como um grupo dominante. ” A descoberta será apresentada na próxima semana na publicação a Academia Nacional das Ciências.

[NOTA: Noeggerathiales é uma ordem de plantas vasculares, extinta.  A faixa geológica dessa ordem se estende desde o Carbonífero Superior ao Triássico.  Até hoje, um grupo mal conhecido com  seu lugar na taxonomia e posição no reino vegetal incertos].

Naquela época, o clima da Terra era comparável ao que é hoje.  Isso é de especial interesse para interesse para pesquisadores como Pfefferkorn que olham para os padrões climáticos antigos na tentativa de ajudar a entender variações climáticas que temos hoje.

(E) Pecopteris lativenosa; (F) Pecopteris arborescens com anormal pinna (Aphlebia) na base

Ao todo, foram identificados seis grupos de árvores. Samambaias formavam a cobertura vegetal de menor altura,  enquanto as árvores altas – Sigillaria e Cordaites –  muito altas, subiam até 80 metros acima do solo.  Além do Professor Pfefferkorn,  do Departamento de Terra e Ciências Ambientais, da Universidade da Pensilvânia, colaboraram nas pesquisas três colegas chineses: Jun Wang, da Academia Chinesa de Ciências, Yi Zhang, da Universidade Normal de Shenyang e Zhuo Feng Universidade de Yunnan.

Localização da floresta no mapa da China, na Mogólia, próximo a Wuda.

Fonte e mais fotos: The Daily Mail.





Viagem, poesia de Cleonice Rainho — uso escolar

24 02 2012

Viagem 

Cleonice Rainho

Lá vai o navio,

cortando o mar.

Lá vai o avião,

furando o ar.

É azul o céu

e verde o mar.

E eu fico pensando

na cor da saudade

que os viajantes levam

da terra e do lar.

Cleonice Rainho Thomaz Ribeiro, (Angustura, MG, 15/3/1919), mudando-se para Juiz de Fora. Premiada poetisa e trovadora conhecida, professora de Letras Portuguesas, formada pela PUC Rio de Janeiro.  Fundadora da Associação de cultura Luso-brasileira de Juiz de Fora.

 

Obras:

 

Poesias, 1956

Sombras e sonhos, 1956

O chalé verde, 1964

Ternura páginas maternais, 1965

Terra Corpo sem Nome, 1970

Varinha de condão: poesia infantil, 1973

O Galinho azul; A minhoca mágica, 1976

Vôo Branco, 1979

Parabéns a você, 1982

João Mineral, 1983

O castelo da rainha Ba, 1983

Torta de maçã, 1983

Uma sombra nas ruas, 1984

Intuições da Tarde, 1990

Verde Vida; poesia, 1993

O Palácio dos Peixes, 1996

O Linho do Tempo, 1997

Poemas Chineses, 1997

Liberdade para as Estrelas, 1998

3 km a picos, s/d

La cucaracha, s/d





Palavras para lembrar — Provérbio chinês

23 02 2012

Mulher lendo, s/d

Shen Ling ( Província Liaoning, China, 1965)

óleo sobre tela

Shen Ling

“Um livro é como um jardim levado dentro do bolso”.

Provérbio chinês





Trova do chapéu

23 02 2012

Tua modista, senhora,
mostrou ter grande talento,
prendendo um chapéu de plumas
numa cabeça de vento.

(Djalma Andrade)





Imagem de leitura — Antônio Abellan

22 02 2012

Leitores de jornal, s/d

Antonio Abellan ( Espanha, 1964)

www.antonioabellan.com

Antônio Abellan nasceu em Cartagena, na Espanha em 1964.  Graduou-se pela Escola de Belas Artes, da Faculdade de San Carlos, em Valencia.  É um pintor figurativo cujos temas frequentemente incluem a vida na cidade, a vida das pessoas que nela moram, seus hábitos, costumes, prazeres e desejos.





Soneto da quarta-feira de cinzas — Vinícius de Moraes

22 02 2012

O beijo, 1886

Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)

óleo sobre tela, 63 x 47 cm

Soneto da quarta-feira de cinzas

Vinícius de Moraes

Por seres quem me foste, grave e pura

Em tão doce surpresa conquistada

Por seres uma branca criatura

De uma brancura de manhã raiada

Por seres de uma rara formosura

Malgrado a vida dura e atormentada

Por seres mais que a simples aventura

E menos que a constante namorada

Porque te vi nascer de mim sozinha

Como a noturna flor desabrochada

A fala de amor, talvez perjura

Por não te possuir, tendo-te minha

Por só quereres tudo, e eu dar-te nada

Hei de lembrar-te sempre com ternura.





A festa acabou: quarta-feira de cinzas

22 02 2012

Menino com máscara, s/d

Antônio Mancini ( Itália, 1852-1930)








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