Imagem de leitura — Susan Dorothea White

4 03 2012

Menino lendo, 1961

[retrato de seu irmão Bill]

Susan Dorothea White (Austrália, 1941)

óleo sobre madeira

www.susandwhite.com.au

Susan Dorothea White nasceu em Adelaide, Australia em 1941.  Cresceu como a menina entre dois irmãos, no seio de uma família dotada de habilidades artísticas, ainda que como hobbies: mãe pintava em aquarelas, pai era fotográfo de fim-de-semana, avô também era aquarelista.  Sua inclinação para as artes visuais foi bem vinda, em 1959, começou seus estudos na South Australian School of Art (SASA) em Adelaide.  Sua primeira exposição veio em 1962. Morou na Alemanha no final da década de 70 .





Villa-Lobos, texto de Murilo Mendes

4 03 2012

Banda, s/d

J. Roybal (Brasil, contemp)

acrílica sobre tela, 20 x 120 cm

Amanhã, dia 5 de março, comemora-se o Dia Nacional da Música Clássica.  Esta data foi escolhida por ser a data de nascimento de Heitor Villa-Lobos.  Selecionei aqui um poema-prosa, uma crônica de Murilo Mendes para comemorar.

Villa-Lobos

Murilo Mendes

Nasceu para a grandeza e variedade do trabalho-festa; para fazer explodir os ritmos do, segundo Oswald de Andrade, grandioso e desordeiro povo brasileiro .

*

Mais de uma vez fui com ele e outros, homens maduros e mulheres moças, tascar balão lá para os lados de Vila Isabel. Recordas-te, Dantinho, recordas-te, Di?  Ai Jaime Ovalle e Evandro, ai Germaninha, Elsie!   De charuto aceso nosso amigo integrava-se no brinquedo, ria, veloce, recebendo nas mãos, ao cair, enormes flores  juninas de papel  de seda.  Saltava-lhe logo na ponta dos dedos uma melodia criança, dançante.  Pois não escreveu Suzanne K. Langer que toda música é pura dança?  Correndo Villa para o piano, recriava mais uma página do nosso cancioneiro: bem ambientada, dizia ele.  Era na rua Dídimo e dispúnhamos então do farniente.  Gostaríamos de perder muito mais tempo ainda.  Ai Lucília!

*

Villa desponta do morro e da rua, de um corta-jaca de Chquinha Gonzaga, um tango de Ernesto Nazareth, uma polca de Anacleto Medeiros.  Mas quantos outros o instruem: Artidouro da Costa, Calut, Eduardo das Neves, Catulo Cearense.  E os anônimos, os bem-aventurados anônimos fazedores de música não oficial fluindo perene do populário: chorões, seresteiros, sambistas, marchistas que se ocultam na dobra dos tempos legendários da Tia Ciata.

*

Uai gente!  A flauta, o cavaquinho, o violão.  A modinha, a embolada, a serenata.  O carioca passava a vida musicando.  A cada um seu ritmo particular.  Domina tudo a larga faixa do povo, uma categoria!  Pelo menos uma categoria musical.  Viva o carnaval que nos compensava do resto do ano inútil.  Naquele tempo inexistia a máxima desafinação: a bomba atômica.  Pessoas pré-industriais, quase prolongávamos a Arcádia, mal comparando.

*

Villa segundo Murici emprega todos estes instumentos: o camisão, a tartaruga, o tambu, o tambi, o pio, o agogó.  Ritmo nova.  Percute.  Sincopa.

*

O Rudepoema.  Uirapuru. As Cirandas. Mandu-Sarará.  A época dos Choros.  Aparecem os Parecis: Nozaniná. Canide-Ioune. Ualalocê. Kamalalô. As Bachianas, com a participação de Bach e outros, assimilados ao modo brasileiro, “ambientados”. As Três Marias: Alnitah. Anilam. Mintika.  O Guia-Prático de se conhecer o Brasil.  Os jogos da nossa infância: Gude. Diabolô. Bilboquê. Peteca. Pião. Futebol. Soldadinhos de chumbo.  Jogo de bolas.  Capoeiragem. Uma duas angolinhas.  Vai abóbora! O cravo brigou com a rosa. Carneirinho carneirão. A maré encheu. Na Bahia tem. Vamos atrás da serra calunga.  Vamos ver a mula-sem-cabeça briga de galos briga de navalhas a lua dourada sua benção.

*

Tudo o que nós nascemos, crescemos, cantamos, amamos, dançamos, respiramos, comemos, passa pelas ruas de Villa-Lobos. Pelas ruas de Villa-Lobos passa o passo do nosso desafinado, atormentado Brasil.  Todo mundo passa. Quem dera que “bem ambientado” e sem Bomba.

Em:  Transistor: antologia de prosa, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980

Murilo Rodrigues Mendes (1901 —1975) poeta, cronista, jornalista, professor.  Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais.  Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1920.  Formou-se em medicina.   Percorreu o mundo divulgando a cultura brasileira.  Na década de 1950 estabeleceu-se na Itália onde ensinou literatura brasileira na Universidade de Pisa.  Faleceu em Lisboa em 1975.

Obra:

Poemas, 1930

Bumba-meu-poeta, 1930

História do Brasil, 1933

Tempo e eternidade – com Jorge de Lima, 1935

A poesia em pânico, 1937

O Visionário, 1941

As metamorfoses, 1944

Mundo enigma, 1945

O discípulo de Emaús, 1945

Poesia liberdade, 1947

Janela do caos, [França] 1949

Contemplação de Ouro Preto, 1954

Office humain [França], 1954

Poesias [Obra completa até esta data], 1959

Tempo espanhol [Portugal], 1959

Siciliana [Itália], 1959

Poesie [Itália], 1961

Finestra del caos [Itália], 1961

Siete poemas inéditos [Espanha], 1961

Poemas [Espanha],1962

Antologia Poética [Portugal], 1964

Le Metamorfosi [Itália], 1964

Italianíssima (7 Murilogrami) [Itália],1965

Poemas inéditos de Murilo Mendes [Espanha], 1965

A idade do serrote, 1968

Convergência, 1970

Poesia libertá [Itália], 1971

Poliedro, 1972

Retratos-relâmpagos, 1ª série, 1973

Antologia Poética, 1976

Poesia Completa e Prosa, 1994





Palavras para lembrar — William Styron

4 03 2012

Diane, s/d

Jean Pierre Cassigneul (França, 1935)

óleo sobre tela, 196x130cm

“Um bom livro deve deixá-lo … um pouco cansado ao final.  Você vive diversas vidas enquanto o lê.”

William Styron





Luzinhas voando, poesia infantil de Murilo Araújo

4 03 2012

Ilustração: autoria desconhecida.

Luzinhas voando

Murilo Araújo

Mãe, estás vendo

estrelas voando?

Estrelas voando!

Que lindo, não?!

São verdes… finas…

tão pequeninas!

São lamparinas

da escuridão.

Vão nalgum jogo —

tão pequeninas! —

brincar com fogo

no céu, no chão?

E vêm no escuro…

São anõezinhos,

anões vizinhos

em procissão,

que vêm no escuro

com as luzinhas

das lanterninhas

que têm, na mão?

Os vagalumes!

Mas duas luzes

conheço, lindas

mais que eles são.

As duas luzes,

Mãe, são teus olhos…

Mãe — os teus olhos

têm mais clarão.

Que têm teus olhos

que abrem, tão tenos,

dois céus eternos

no coração?!

Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.

 –

Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.  Veio para o Rio de Janeiro em 1907 estudar no Colégio Pedro II.  Membro do movimento modernista brasileiro.

Obras:

Poesia:

Carrilhões (1917)

A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)

Árias de muito longe (1921)

A cidade de ouro (1927)

A iluminação da vida (1927)

A estrela azul (1940)

As sete cores do céu (1941)

A escadaria acesa (1941)

O palhacinho quebrado (1952)

A luz perdida (1952)

O candelabro eterno (1955)

Prosa:

A arte do poeta (1944)

Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense

Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)

Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)





Imagem de leitura — Roy Lichtenstein

4 03 2012

Nu lendo com quadro abstrato ao fundo, 1994

Roy Lichtenstein ( EUA, 1923-1997)

Roy Lichtenstein nasceu na cidade de Nova York em 1923.  Apaixonado por jazz, costumava fazer desenhos dos músicos de que mais gostava, mas encarava a arte como um hobby.  Entrou para a Universidade do Estado de Ohio, mas seus estudos foram interrompidos por 3 anos enquanto lutou na 2ª Guerra Mundial.  Em 1946, volta para a universidade e completa o curso de Belas Artes.  Resolve fazer pós graduação na mesma universidade e acaba ficando lá pelos próximos dez anos como instrutor.  Apesar de sua primeira exposição individual ter sido em 1951, Lichtenstein começa a fazer pequenos trabalhos, entre decoração, artes gráficas e até vitrinista para sobreviver depois que se muda para Cleveland.   O sucesso em sua carreira começa em 1965.  A partir de 1970 ele divide sua residência entre a cidade de Nova York e uma casa de campo ao norte do estado.  Morre em 1997 como um dos grandes expoentes da arte Pop no Estados Unidos e um dos grandes nomes da arte mundial no século XX.








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