A vida como experimento: memórias de família

30 04 2012

Hoje seria o aniversário de meu irmão mais novo.  Era sempre festa, porque 30 de abril é sempre véspera de feriado nacional.  Dizem que não há dor mais cruel do que aquela de pais que perdem seus filhos.  Mas posso garantir que a saudade não acaba quando se perde um irmão caçula, de repente, sem aviso.   Eu era sete anos mais velha de modo que me lembro bem de seu nascimento.  Com meu outro irmão, o do meio (sou a mais velha) é diferente: não consigo me lembrar da vida sem ele, já que há 3 anos e meio de diferença entre nós.  Tenho vagas lembranças ajudadas, sem dúvida, por fotos antigas mas a vida familiar sempre o incluiu.

A cada ano que passa procuro achar uma maneira diferente de me lembrar de Marcus.  No primeiro ano mandei rezar uma missa.  Fui sozinha.  Não convidei ninguém.  Não queria impor nada a parentes ou amigos, não queria que ninguém se sentisse na obrigação de prestar apoio.  Havia algo de revolta em mim, uma revolta generalizada, contra o mundo inteiro.

Hoje vou me lembrar de Marcus de outra maneira.  Tem a ver com drosófilas.  Sim, drosófilas, aquelas mosquinhas de frutas, de bananas…  Talvez eu tenha que dar uma ideia da nossa família antes disso, um pequeno esboço.

Não cresci numa família muito normal… Quem cresceu?  A nossa diferença eram os nossos interesses…  Quaisquer que eles fossem éramos incentivados a desenvolvê-los.  É claro, desde que fossem honestos, não estivessem relacionados a vícios e a projetos fora da lei.

Desde pequeno Marcus gostava das ciências.  Não dava para saber, em sua tenra idade,  que se tornaria um engenheiro de estruturas, um matemático [dedicado à matemática pura] e mais tarde um programador de computação, porque seus interesses variavam das exatas às naturais.  Incentivados por meu pai, que era um cientista, um químico e físico, um verdadeiro Professor Pardal, que inventava de tudo, que acreditava no experimento como meio de entender o universo, passamos nossa infância dedicados às mais variadas experiências práticas.  Essa que vos fala, hoje uma historiadora, que como adulta esteve sempre ligada às artes visuais, literárias e à história, passou muitas horas montando navios de plástico – quando pensava em ser engenheira naval; olhando estrelas com mapas celestiais – quando pensava em ser astrônoma;  montando protótipos de moléculas de carbono com biscoitos Maria e Maisena – quando estava de amores com a química orgânica.   Ilustro assim a nossa infância, para melhor situar a Fazenda de Drosófilas.

Marcus tinha entre sete e oito anos quando descobriu, por causa dos irmãos mais velhos e de seus pais, a genética.  A nossa família já se prestava a esse estudo, porque conseguimos ser tão diferentes uns dos outros, na aparência, digo.  Tenho cabelos louros escuros acinzentados e olhos azuis.  Meus dois irmãos nasceram com cabelos bem escuros e olhos negros.  A genética era de fácil compreensão para nós.  Mas Marcus precisava provar que assim era de fato.  E não havia nada mais fácil para isso do que ter uma Fazenda de Drosófilas.

As drosófilas, vulgarmente conhecidas como moscas de fruta, são frequentemente utilizadas para demonstrar a genética porque elas:

1)      Se reproduzem com rapidez e facilidade.

2)      Podem ser diferenciadas pela cor dos olhos.

De um antigo aquário, Marcus fez um terrário, ou seja, colocou terra no fundo e uma fazenda finíssima, como um micro filó, para sua cobertura, muito bem atada a toda volta.  As drosófilas ficavam lá dentro.  E é claro que ele colocava frutas que iam apodrecendo para que essas mosquinhas ficassem felizes: casa e comida de graça…  Quem não ficaria?  Hospedaram-se ali e se reproduziram.  E Marcus separava as moscas de acordo com os olhos, passando-as para outros pequenos terrários. Todo prosa, ele voltava da escola e ia direto ver as moscas. Não me lembro exatamente do final desse experimento, só das consequências.

Moramos num país tropical.  Terra em que se plantando tudo dá.  E o solo do terrário, que havia sido simplesmente trazido do jardim, apresentava agora outros bichinhos, umas minhocas gorduchas, que não eram as que a gente conhecia.  Resolveu criá-las também.  Francamente, minha mãe deve ter arranjado um lugar no céu, porque aguentar como aguentou essas coisas todas acontecendo ali, na área de serviço, do lado de fora da cozinha, só com abnegação e muita paciência com os filhos e com o marido.  Porque a criação desses invertebrados testou sua paciência.  Para saber o que estava crescendo ali no seu terreno, no seu microsítio, na fazenda miniatura, Marcus colocou de tudo nessa terra.  Já não se importava mais com as mosquinhas…  Agora queria saber exatamente o ciclo de vida desses seres que haviam aparecido do nada… da terra do jardim… de óvulos que ele não vira e não havia reconhecido.  E numa época em que não se reciclava lixo orgânico, meu irmão conseguiu colocar naquela terra da fazenda ovos inteiros, sobras de legumes, pó de café, pedaços de frutas, folhas de mate, de chá; tudo que fosse orgânico era misturado ali naquele mundo.  Gênesis ao vivo e a cores.

Semanas se passaram.  Talvez meses.  O período da engorda foi grande.  Tudo orquestrado por Marcus, com assistência técnica de papai, que a essa altura já havia comprado alguns livros de classificação de invertebrados tropicais, de insetos comuns no Rio de Janeiro.  Os sebos e as livrarias sempre ficavam felizes quando papai fazia uma visita.  Essa é a verdade.  Tudo corria bem.  Novas minhoquinhas, novas lagartinhas sempre chegando ao mundo.  Podíamos ver tudo pelos  vidros do terrário, quando estes não estavam cobertos de limo.  Eu já não passava muito por perto.  Não tenho muita simpatia por invertebrados.  Mas me lembro bem do dia em que vovó, que morava conosco, gritou.  Escandalosamente.  Grito de vó escandaloso junta família, empregada, vizinhos, todo o bairro. Evidentemente o sítio andava pequeno para tantos habitantes e a criação do Marcus – sejam lá quais tenham sido os animaizinhos – achou por bem explorar outros terrenos, quando descobriram  — ou fizeram?  – uma pequena abertura na tela. Os bichinhos, que pelos gritos de vovó poderiam ter sido dinossauros, haviam se libertado daquela prisão e encontrado algumas dobras da roupa que saíra da corda, empilhada, limpinha, pronta para passar…

Foi o que bastou.

Talvez essa experiência o tenha levado às exatas.  Não sei.  Mas Marcus sempre se referia à Fazenda de Drosófilas com muito orgulho.  Não há melhor maneira de lembrá-lo.

Marcus e eu, foto de uma daquelas máquinas em Nova York.




As melhores frases de abertura de romance em língua portuguesa? Dê o seu palpite!

29 04 2012

Minie lê um livro de autoajuda, ilustração Walt Disney.

Neste domingo, o jornal inglês The Guardian publicou uma lista das dez melhores primeiras frases de romances em língua inglesa.  A lista — The 10 best first lines in fiction — faz parte da seção de entretenimento e cultura do jornal que costuma ter um viés leve e jocoso nos fins de semana.  O objetivo é fazer com que durante o tempo de folga você pense nas suas leituras, e principalmente nas frases que, ao introduzir uma história, o fizeram de tal maneira que a continuação da leitura se tornou inevitável.

A lista inglesa inclui as aberturas para : 1)  Ulisses (1922) de James Joyce; 2) Orgulho e preconceito (1813) de Jane Austen; 3)  Jane Eyre (1847) de Charlotte Brönte; 4)  As aventuras de Huckleberry Finn (1884) de Mark Twain; 5) The luck of the Bodkins (1935) de P.G. Wodehouse; 6) Earthly Powers (1980) de Anthony Burgess; 7) I captured the castle (1948) Dodie Smith; 8) The Bell Jar (1963) de Sylvia Plath; 9) A história secreta (1992) de Donna Tartt; 10) A ilha do tesouro (1883) de Robert Louis Stevenson. [ Mantive os nomes em inglês dos livros que acredito não terem sido publicados em português].

Pensando nesse entretenimento, comecei a fazer a minha própria lista.  Mas resolvi pedir auxílio dos leitores, porque não me acho tão capacitada para o trabalho.  Faço uma sugestão e espero que os leitores possam vir a contribuir com outras.  Lembrem-se: Só a primeira frase. 

Início da lista de primeiras frases de impacto na literatura de língua portuguesa:

1)

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte”.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS  (1881) – Machado de Assis

E a sua contribuição?

Aproveite o longo fim de semana e dê tratos à bola…




Quadrinha infantil do bom livro

29 04 2012

Cascão lendo na cama, ilustração Maurício de Sousa.

Eu encontro nos bons livros

O guia certo e seguro,

Que ilumina a minha vida

e prepara o meu futuro.

(Walter Nieble de Freitas)





Palavras para lembrar — Charles W. Eliot

29 04 2012

Lendo juntas, s/d

Jan Pieter Frederik Portielje ( Bélgica, 1826-1895)

Óleo sobre tela, 63 x 81 cm

Christie’s NY 2005

“Os livros são os mais quietos e constantes amigos; eles são os mais accessíveis e os mais sábios conselheiros, e os mais pacientes dos professores”

Charles W. Eliot





Almoço de época no Rio de Janeiro: Confeitaria Manon

28 04 2012

Confeitaria Manon, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

Hoje visitei o centro do Rio de Janeiro e voltei um pouco à minha infância.  Quando eu era criança meu dentista ficava na rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro, a uns poucos metros da Confeitaria Manon.  O prêmio de ir ao dentista era um sorvete nessa confeitaria, depois do “sacrifício”.  Nem sei quantas vezes fui a esse templo do Alto Art Deco do Rio de Janeiro.   Naquela época minha única apreciação era o delicioso sorvete que serviam no local.

Salão ao fundo da Confeitaria Manon.

Eu não sabia, então, que se tratava de um verdadeiro templo da arquitetura e decoração da década de 40 do século passado.  Hoje, com conhecimentos de história da arte e de história da arquitetura, fico felicíssima cada vez que entro nessa confeitaria, que comemora este ano 70 anos de existência.  Fico feliz porque ainda estão lá as paredes arredondadas, preferidas na época, assim como a iluminação indireta dando um tom sensual e dourado ao ambiente.  Os tetos ecoam as linhas sinuosas das paredes e o corte circular, com rebaixamento à sua volta, enfatiza a modernidade do estilo.

Detalhe do teto do salão da Confeitaria Manon.

As colunas de sustentação foram sabiamente incorporadas ao estilo arquitetônico dando ainda maior requinte ao ambiente.  É um verdadeiro templo do Art Deco brasileiro, um local que — em outra cidade, digamos Miami, nos Estados Unidos  — seria considerado visita obrigatória para turistas locais ou estrageiros.  Até mesmo as cadeiras da Manon completam o estilo, vejam na foto abaixo.

Cadeira da Confeitaria Manon.

Às vezes eu me pergunto: o que os brasileiros veem tanto na arquitetura Art Deco de Miami, quando temos aqui no Rio de Janeiro e certamente em São Paulo, exemplos espetaculares como esse que mostro hoje?  É só porque os americanos valorizam o que têm e nós não?  Pois passemos a valorizar… Eu garanto que há poucos lugares nas grandes cidades do mundo com esse encanto, com essa pureza de estilo.

Chão de mármore na Confeitaria Manon.

Dinheiro não faltou na construção original da Confeitaria Manon.  O detalhe como o chão de mármore de diversas cores, fazendo desenho quadriculado, não é barato hoje, nem foi barato na época.  Essa atenção aos pormenores dá requinte ao ambiente e mesmo hoje, tendo já perdido algo de sua glória, porque o centro da cidade precisa de maior investimento e de renovação, ainda temos, ao entrar no local, a sensação de elegância que o material rico e o bom acabamento sempre trazem.

Painel pintado ao fundo do salão na Confeitaria Manon.

De particular interesse, para mim, foi  o painel pintado com uma cena tropical — arbustos e arara  de encontro ao céu azul — que me lembrou imediatamente de filmes americanos da mesma década, quando retratavam o Rio de Janeiro.  Parece, de fato, algo que apareceria desde Flying down to Rio, [década de 30], aos  filmes estrelados por Carmen Miranda.

Confeitaria Manon.

Hoje a Confeitaria Manon tornou-se um estabelecimento de comida a quilo — um sinal decisivo do empobrecimento do centro da cidade — e as toalhas de linho sobrepostas a outras adamascadas se foram.  Ainda temos toalhas — agradeçamos a Deus pelos pequenos milagres! — mas há uma cobertura muito limpa, muito bem cortada de plástico branco sobre as mesas.  Os garçons também perderam a elegância no servir  e o lustro dos uniformes, particularidades que me lembro serem notadas anos atrás.  Mas a confeitaria sobrevive, com seu estilo de anos 40, impecável.

Mesa de mosaico na sala da frente da Confeitaria Manon.

Na sala da frente, aquela que dá diretamente para a rua, a Confeitaria Manon comemora os seus 70 anos, mostrando com orgulho — como deveria ter mesmo — a data de abertura — 1942 — em mesas de mosaico.  Este sempre foi o local para um café, para um salgadinho, para algo rápido a ser consumido ali mesmo, sem grande fanfarra, e também o local para se comprar doces, salgados, um, dez, vinte, cinquenta para levar para casa.

A minha esperança é que com toda a renovação do centro da cidade, com os eventos que teremos a partir do próximo mês com a Rio + 20,  com a modernização que está chegando ao Rio de Janeiro, que lugares como este possam ainda voltar a  seduzir pelo requinte como um dia o fizeram.  Não é impossível.  Conheço exemplos semelhantes em outras cidades  Nova York, Londres e Madri vêm à mente, onde alguns antigos cafés ou confeitarias voltaram a ter o charme e  a boa clientela que merecem.  Que a gente saiba fazer o mesmo aqui no Rio de Janeiro.

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SERVIÇO:

———

http://www.confeitariamanon.com.br/

Rua do Ouvidor, 187, Centro, Rio de Janeiro – RJ

(21) 2221-0245

Seg a Sex, das 7h às 20h30m; Sáb, das 7h às 15horas





Imagem de leitura — Didier Delamonica

28 04 2012

O livro e a rosa, 2010

Didier Delamonica (França, 1950)

www.bonzasheila.com

 

Didier Delamonica nasceu em Lille, na França em 1950.  Depois de estudar na École Nationale Supérieure des Arts et Industries Textiles, dedicou-se a duas carreiras simultaneamente, publicidade e pintura.   Tendo se estabelecido como pintor, abandonou a publicidade e hoje se dedica exclusivamente à pintura.





O medo do novo e o conhecimento: “O pintor de retratos” de Luiz Antonio de Assis Brasil

28 04 2012

A paisagem do fotógrafo, 2008

Michael Orwick (EUA, 1975)

óleo

http://michaelorwick.blogspot.com

O novo, o encontro com o desconhecido, sempre causa ansiedade.  O mundo é mais confortável, a vida é mais segura se sabemos o que nos espera, como agir e que reação ter em diferentes circunstâncias.  Assim como hoje debatemos o futuro do livro em papel por causa das publicações digitais, no século XIX, com o aparecimento da fotografia, os pintores, antes de descobrirem como essa nova tecnologia iria auxiliá-los, temeram por seu futuro profissional.  É nessa virada de tecnologia, quando a fotografia parece interferir com a pintura,  que se enraíza o romance O Pintor de Retratos, de Luiz Antonio de Assis Brasil, [LPM:2001/2005, 5ª edição].

Luiz Antonio de Assis Brasil sempre me cativa com sua linguagem despojada, quase seca, em que consegue em uma frase, não muito longa, passar um mundo de informações e capturar sentimentos.   Com excelente domínio da narrativa, com poucos traços e não mais que duas centenas de páginas, ele conta a vida inteira de um homem, um pintor de retratos, italiano, que confrontado com a fotografia, perde a noção que tem de si próprio.  Diante da devastadora imagem, cara a cara com aquele retrato de si mesmo, fotografado pelo grande Félix Nadar, nosso herói se desintegra emocionalmente e num momento de desvario, emigra para o Brasil, onde se estabelece na mais meridional das províncias, na terra das revoluções.  O Rio Grande de Sul o acolhe desconfiado, mas é lá que finalmente acredita renascer, crescer e finalmente apresentar a imagem exterior que, fotografada, mostraria ao mundo como ele é, ou o que ele pensa de si mesmo.   Se consegue ou não, o leitor só descobre no final, mas como toda boa história é o meio, é o processo que fascina.

Arraigado à pintura por tradição familiar, treino e medo da nova tecnologia, Sandro Lanari chega à letárgica Porto Alegre determinado a ganhar a vida como pintor e obcecado pela imagem de Sarah Bernhardt que viu em Paris fotografada por Nadar.   Quando consegue fixar sua atenção numa jovem que se parece com a atriz francesa, entreabre-se o caminho do crescimento, mas terá ainda muito chão a percorrer até se conciliar com a vida no Novo Mundo.  Só quando aceita trabalhar, vagando de estância em estância, retratando senhores da terra, começa sua verdadeira introdução à vida brasileira, ao novo continente e a si próprio.  Mergulha em um mundo tão diferente daquele em que foi criado que acaba por se despir dos conhecimentos profissionais, reconhecendo-os válidos exclusivamente para o solo europeu. Na água do banho vão também seus preconceitos.  A caminhada brasileira, por ironia do destino e pela própria sobrevivência, transforma-o em fotógrafo.

E vai ser como fotógrafo que conseguirá a essência do que desejava expressar em seu trabalho.  Num campo de batalha gaúcho, fotografando o lado vitorioso,  Sandro Lanari vence  uma batalha pessoal, consegue a expressão máxima de sua arte,  uma obra que o faz, finalmente, poder erguer a cabeça com orgulho: capturou o lampejo de vida nos olhos de quem fotografava.  Daí por diante, pazes feitas com a fotografia, tem sucesso garantido.  Torna-se um  respeitado membro da comunidade,  pai de quatro filhas, imigrante abastado.   Para ter certeza de seu sucesso, só lhe falta a última e única constatação de sua legítima identidade, uma nova visita a Félix Nadar.

Luiz Antonio de Assis Brasil

Com um final inesperado, O pintor de retratos nos faz refletir sobre a autoestima, a visão  que temos de nós mesmos, contrastada com a imagem que os outros têm de nós; sobre o preconceito e o medo do novo, do desconhecido; sobre a nossa própria aceitação.  Tudo isso colorido pela paisagem gaúcha de antanho, pelos costumes peculiares de época, com um sabor histórico na medida certa.  Uma leitura que nos enriquece e deleita.








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