A Camões — soneto de Manuel Bandeira

22 04 2012

 

Mosteiro de Batalha, Portugal, *

Azulejaria portuguesa

A Camões

Manuel Bandeira

Quando nalma pesar de tua raça

A névoa da apagada e vil tristeza,

Busque ela sempre a glória que não passa,

Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Em:  Bandeira, antologia poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá:1961, 5ª edição.

* Escolhi uma representação do Mosteiro de Batalha, em Portugal por ser uma das obras arquitetônicas que conheço de maior impacto. É realmente um monumento extraordinário.  Infelizmente desconheço alguma pintura de pintor português que represente esse local ou até mesmo detalhes desse local.





Imagem de leitura — Guy Orlando Rose

21 04 2012

Marguerite, 1918

Guy Orlando Rose (EUA, 1867-1925)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

Museu Bowers,  Santa Ana, Califórnia, EUA

Guy Orlando Rose nasceu na Califórnia em 1867.  Descobriu o desenho e a pintura enquanto se restabelecia de um tiro acidental que o deixou acamado por algum tempo.  Depois de completar o secundário na Los Angeles High School em 1884, mudou-se para São Francisco onde estudou arte na California School of Design, tendo como tutor o pintor de origem dinamarquesa Emil Carlsen.  Foi depois para Paris, onde estudou na Academia Julian com Benjamin-Constant, Jules Lefebvre, Lucien Doucet e Jean-Paul Laurens.  Retornou aos Estados Unidos na década de 1890, estabelecendo residência em Nova York, onde trabalhou ilustrando revistas além da pintura.  Retornou  à França, a Giverny, onde viveu de 1904 a 1912.  Só voltou permanentemente aos EUA em 1914, residindo na Califórnia.  Tornou-se um dos maiores pintores impressionistas dos Estados Unidos.  Faleceu na Califórnia em 1925.





O descobrimento do Brasil pelos portugueses a 22 de abril de 1500

21 04 2012

Pedro Álvares Cabral

Às vezes tenho a impressão de que há um sentimento de “traição”, de “me ensinaram errado” quando falamos sobre o descobrimento do Brasil pela coroa portuguesa, como se tivéssemos sido logrados, enganados por séculos e séculos, sobre a nossa história.  Esquecemos que os próprios portugueses não sabiam detalhes dessa grande aventura marítima que foi a viagem de Cabral e que na época poderia muito bem não interessar ao governo luso a divulgação de todo o conhecimento que tinha sobre mares e terras estrangeiras.  Conheço alguns que por causa disso não querem celebrar o 22 de abril.  Não me associo aos que assim pensam.  Se fomos descobertos por acaso ou se a visita de Cabral foi intencional a data continua a mesma; se a costa brasileira foi visitada por outros navegantes, que não deixaram muitas pegadas, a importância da data continua  a mesma.  Para todos os efeitos foi só a partir de 22 de abril de 1500 que essas terras foram incorporadas ao império lusitano, foram exploradas regularmente e aos poucos a cultura portuguesa por aqui se estabeleceu dominante, mesmo sob constantes ameaças francesas, espanholas e holandesas.   O descobrimento do Brasil é uma data importante para nós e para os portugueses.

Ressalto abaixo dois parágrafos do excelente historiador Eduardo Bueno que clarifica e simplifica essa questão.

Por outro lado, o certo é que a expedição de Cabral foi, de fato, precedida pela de dois navegadores espanhóis. Embora nos anos 50 essa discussão tenha se revestido de um rancoroso “nacionalismo retroativo” – contrapondo historiadores lusos e espanhóis –, o fato é que tanto Vicente Yañez Pinzón quanto Diego de Lepe navegaram por costas brasileiras entre janeiro e março de 1500.  Pinzón, capitão da Niña e companheiro de Colombo na descoberta da América em 1492, chegou à Ponta de Mucuripe (no Ceará) em fevereiro de 1500 e costeou o litoral até a foz do Amazonas (do qual foi o descobridor).  Lá, encontrou-se com a expedição de Diego de Lepe, que avançaria até o Oiapoque, onde chegou em março.

Ainda assim, apesar de o tema ser ainda hoje tão polêmico, o próprio Capistrano de Abreu (que admitia a precedência de Pinzón e Lepe sobre Cabral) sepultou a questão já em 1900 ao afirmar-se que as consequências práticas dessas viagens espanholas foram irrelevantes e que o “descobrimento sociológico” do Brasil evidentemente coube aos portugueses. A tese de Capistrano também pode ser usada para encerrar a discussão sobre os supostos precursores lusos de Cabral: se alguma expedição portuguesa de fato chegou ao Brasil antes da de Cabral, seu significado histórico foi praticamente nulo.  O país só seria integrado ao império ultramarino lusitano após o desembarque de Cabral – e, ainda assim, muito lentamente, como se sabe.  De todo modo, o descobrimento do Brasil continua sendo um capítulo aberto na história da expansão ultramarina portuguesa – e isso só aumenta o seu fascínio.

Em: A viagem do descobrimento — a verdadeira história da expedição de Cabral, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998.





Palavras para lembrar — Somerset Maugham

20 04 2012

Alice lendo ao lado de uma chávena de chá, 1907

Roger de la Fresnaye (França, 1885-1925)

óleo sobre tela

“Adquirir o hábito da leitura é construir para si mesmo um abrigo contra quase todas as misérias da vida”.

Somerset Maugham





O descobrimento do Brasil, 22 de abril de 1500

20 04 2012

Faiança comemorativa dos 400 anos do descobrimento do Brasil, fábrica de Alcântara, Portugal.

[http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com.br]

“Em junho de 1499, logo que Vasco da Gama chegou a Lisboa com a notícia longamente aguardada de que a Índia podia ser alcançada por mar, o rei de Portugal, D. Manoel, tratou de organizar o envio de uma nova expedição para o fabuloso reino das especiarias.  Em sua jornada de ida, essa expedição poderia explorar também a margem ocidental do Atlântico, cuja posse Portugal assegurara desde o Tratado de Tordesilhas, firmado em 1494.

Assim, em 9 de março de 1500, oito meses depois do retorno de Gama a Portugal – e enquanto Vicente Pinzón e Diego de Lepe já navegavam pelos limites setentrionais da América do Sul –, uma frota imponente, formada por dez naus e três caravelas, zarpou de Lisboa, com 1500 homens a bordo.  Sob o comando de Pedro Álvares Cabral, essa armada fora incumbida da missão de instalar uma missão em Calicute, na costa ocidental da Índia.  Lá deveria obter – pela diplomacia ou pelas armas – o monopólio do comércio de pimenta e canela, que, até então,  se mantinha nas mãos de mercadores árabes.  Esse era o objetivo primordial da missão comandada por Cabral.

Mas, antes de partir, Cabral manteve vários encontros com Vasco da Gama. O descobridor da Índia redigiu instruções náuticas detalhadas para o futuro descobridor do Brasil. Esse documento – que Cabral levou consigo a bordo – sobreviveu aos séculos e está preservado na Torre do Tombo, em Lisboa. Seguindo tais indicações a frota de Cabral zarpou de Lisboa em direção à Índia.

Depois de 44 dias de viagem, no entardecer de 22 de abril de 1500 – quando a frota, por motivo nunca compreendido plenamente, se encontrava muito mais a oeste do que o necessário para contornar o Cabo da Boa Esperança (a última ponta da África) –, Cabral e seus homens vislumbraram um morro alto e redondo, que batizaram de Monte Pascoal. Esse morro ficava no sul da Bahia. Foi a descoberta oficial do Brasil pelos portugueses.”

Em: Náufragos, Traficantes e Degredados: as primeiras expedições ao Brasil, 1500- 1531,  de Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998.





Imagem de leitura — Columbano Bordalo Pinheiro

20 04 2012

Retrato do escritor Ramalho Ortigão, s/d

Columbano Bordalo Pinheiro ( Portugal, 1857-1929)

óleo sobre tela

Columbano Bordalo Pinheiro nasceu em Lisboa, Portugal, em 1857.  Filho do pintor Manuel Maria Bordalo Pinheiro, foi um dentre diversos membros da família dedicados às artes visuais.  Começou seus estudos na Academia de Belas-Artes de Lisboa. Mais tarde foi para Paris onde continuou a aprimorar sua técnica e onde também se familiarizou com a pintura de Manet e Edgar Degas.  Retornando a Portugal  aderiu ao “Grupo do Leão”, que pretendia mudar valores estéticos lusitanos. Foi  professor de pintura histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa, e em 1914, foi nomeado director do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Faleceu em Lisboa em 1929.





Dia de Tiradentes, 21 de abril, quadrinhas para uso escolar

20 04 2012

Liberdade ainda que tardia…

Dia de Tiradentes

quadrinhas para comemorar o Dia de Tiradentes

Por ter sido descoberto

Por Pedro Alvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos.

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os inconfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte-e-Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

Nos deu a Vinte-e-um de Abril

É a página mais linda

Da História do Brasil.

Quadrinhas para uso escolar de Walter Nieble de Freitas.








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