Trova da filosofia das rosas

20 05 2012

Cesto com rosas, cartão postal.

Pude notar, nos caminhos,

mesmo em horas desditosas,

que rosas não têm espinhos;

espinhos é que têm rosas!

(Pedro Ornellas)





Palavras para lembrar — W. H. Auden

20 05 2012

Jovem lendo

Hubert Robert (França, 1733-1808)

Carvão vermelho sobre papel

Museu de Belas Artes de Quimper, França

“Alguns livros não merecem ser esquecidos; nenhum é lembrado sem merecer”.

W. H. Auden





Simplicidade, Felicidade… poema de Guilherme de Almeida

20 05 2012

Paisagem com pastora, s/d

Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

Simplicidade, Felicidade…

Guilherme de Almeida

Simplicidade… Simplicidade…

Ser como as rosas, o céu sem fim,

a árvore, o rio… Por que não há de

ser toda gente também assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas

que não disseram nunca a ninguém

que têm perfumes… mas as abelhas

e os homens sabem o que elas têm!

Ser como o espaço, que é azul de longe,

de perto é nada… Mas quem o vê

— árvores, aves, olhos de monge —

busca-o sem mesmo saber porquê.

Ser como o rio  cheio de graça,

que move o moinho, dá vida ao lar,

fecunda as terras… E, rindo, passa,

despretencioso, sempre a cantar.

Ou ser como a árvore: aos lavradores

dá lenha e fruto; dá sombra e paz;

dá ninho às aves; ao inseto, flores…

Mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade– sonho sombrio!

Feliz é o simples que sabe ser

como o ar, as rosas, a árvore, o rio:

simples, mas simples sem o saber!

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.

Obras:

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).








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