Palavras para lembrar — Ray Bradbury

11 06 2012

Auto-retrato lendo, s/d

Michelle Ranta (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira, 75 x 90 cm

www.michelleranta.com

Ler é central nas nossas vidas. A biblioteca é o nosso cérebro. Sem uma biblioteca, não há civilização”.

Ray Bradbury





A flor e a nuvem, fábula de Pierre Lachambaudie

11 06 2012

Flor seca, ilustração de Justin Francavilla.

A flor e a chuva

Lachambaudie

Reina o estio. No vale

Languida flor emurchece,

E chama, p’ra socorrê-la,

Uma nuvem, que aparece.

Tu que do Aquilão[*] nas asas

Vais pelo espaço a correr,

Vê que de calor me abraso,

Vem, não me deixes morrer.

Com essas águas que levas,

A minha dor refrigera.

— “Tenho missão mais sagrada,

Agora não posso — espera“.

Disse e foi-se!.. De abrasada

Cai e espira a flor tão bela:

Volta a nuvem e despeja

Quanta água tinha sobre ela.

Era tarde!

[*] Aquilão é o vento do norte.

Em: O Espelho, revista semanal de literatura, modas, indústria e artes, Rio de Janeiro, 1859.

NOTAS:

1 – Não sei de quem é o texto em português.  A publicação de 1859, não traz autoria.

2 – Lachambaudie (1807-1872) foi um escritor, poeta, cancioneiro francês.   Trabalhou como contador a maior parte de sua vida.  Foi um escritor de fábulas, na tradição de seu conterrâneo La Fontaine, em verso. Dentre outras publicações de poesia, distingui-se sobretudo seu livro, Fábulas de Pierre Lachambeaudie, de 1844.

Frequentemente quando posto uma fábula sem a famosa “moral” no final, alguém inevitavelmente me pergunta pela moral.  Não é um obrigatoriedade de todas as fábulas apresentarem uma moral, pré-estabelecida pelo autor.  Muitas vezes, talvez até mais do que se imagina, a moral é para ser entendida pelo leitor.  Aqui nesse caso, cabe o dito popular:

Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.





Quadrinha das palavras na areia

11 06 2012

Praia, Caroline Ruth Eger.

Deixei recado na areia

da praia de ondas selvagens

me esqueci que a maré cheia

nada entende de mensagens…

(Albertina Moreira Pedro)





Imagem de leitura — Judy Cassab

11 06 2012

Garota lendo, 1952

Judy Cassab (Austria, 1920)

óleo sobre tela

Judy Cassab nasceu em Viena, na Áustria em 1920. Estudou na Academia de Arte de Praga, República Checa, casando-se em 1939 com Jansci Kampfner, que foi retirado para um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.  Quando a guerra terminou e ele retornou, o casal teve dois filhos ainda na década de 1940.  Sem conseguirem esquecer as provações por que passaram durante a guerra, casal e filhos emigra para a Austrália.  Não foi uma adaptação fácil para a pintora.  Mesmo em época tão recente não consideravam séria a pintura de uma mulher. E ainda num país estrangeiro, com uma cultura diferente, paisagem diferente.  Mas continuou lutando e veio finalmente a se estabelecer no final da década de 1960.








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