Balada do Rei das Sereias — poesia infantil de Manuel Bandeira

15 07 2012

Sereia, 1900

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela, 98 x 67 cm

Royal Academy of Arts, Londres

Balada do rei das sereias

Manuel Bandeira

O rei atirou

Seu anel ao mar

E disse às sereias:

— Ide-o lá buscar,

Que  se não o trouxerdes,

Virareis espuma

Das ondas do mar!

Foram as sereias,

Não tardou, voltaram

Com o perdido anel.

Maldito o capricho

De rei tão cruel!

O rei atirou

Grãos de arroz ao mar

E disse às sereias:

— Ide-os buscar,

Que se não os trouxerdes,

Virareis espuma

Das ondas do mar!

Foram as sereias,

Não tardou voltaram,

Não faltava um grão.

Maldito o capricho

Do mau coração!

O rei atirou

Sua filha ao mar

E disse às sereias:

— Ide-a lá buscar

Que se a não trouxerdes,

Virareis espuma

Das ondas do mar!

Foram as sereias…

Quem as viu voltar?…

Não voltaram nunca!

Viraram espuma

Das ondas do mar.

Petrópolis,  25-3-1943

Em: Poesias reunidas da vida inteira, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio: 1979: 7ª edição








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