O Brasil do futuro, texto de Afrânio Peixoto

13 08 2012

Soldadinhos

Clóvis Graciano (Brasil, 1907-1988)

Gravura: serigrafia, 70 x 50 cm

O Brasil do futuro

Afrânio Peixoto

O que nos cumpre é preparar, hoje, o Brasil de amanhã. Educar o brasileiro de agora para lhe dar consciência de si e, portanto, dar a todos uma consciência nacional. Mostrar-lhe suas origens de espírito e civilização para que as preze e as saiba honrar; as suas origens mesológicas e etnográficas para que as saiba conhecer e aperfeiçoar. Contar-lhe a sua história, para que do passado algum bem possa colher e aplicar, com proveito, no presente e, por prevenção, no futuro. Moderar-lhes a ênfase, desiludir-lhes as utopias, corrigir-lhes o desdém das realidades práticas, para que não sejam discursadores vãos, poetas e escrevinhadores visionários, parasitas das classes improdutivas que vivem do orçamento e tornam difícil a vida dos que trabalham. Adquirir a soma de conhecimento próprio e conhecimento dos outros que nos permita preparar o nosso destino e não vivermos ao Deus dará, a cada dia o seu cuidado, como acontece até agora, à nossa incapacidade de prever: o Brasil é, por isso, uma imensa carta, sem endereço: chegará assim, se chegar, aonde não deve querer.

As democracias não se compreendem sem a educação do povo, que para exercer o seu direito, precisa conhecer-se e aos seus deveres. Só assim saberá escolher um governo idôneo, que lhe prepare o destino adequado e sobre o qual possa sempre exercer uma influência salutar. Os povos ignorantes e, por isso, imprevidentes, abdicam de si nos outros e votam-se à servidão e ao desaparecimento.

Um Brasil próspero e eterno, que honre a cultura greco-latina, as tradições lusitanas, as sua própria história, das quais deve ter legítimo orgulho, que propague e cultive a língua portuguesa, da qual é o depositário, e já hoje o maior responsável, deve ser, para começar um povo instruído e educado. Só há um caminho para a conquista da natureza, dos homens e de si mesmo: saber. Não há outro meio de o conseguir: querer.

Em: Criança Brasileira, admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos,  Rio de Janeiro, Editora Agir: 1949.

Impressionante como mais de sessenta anos depois da publicação desse texto ainda estamos a discutir a mesma coisa sem  que o avanço na educação pudesse ter sido sentido mais profundamente.  Em 60 anos poderíamos e deveríamos ter feito muito mais do que foi feito.





Imagem de leitura — Trish Biddle

13 08 2012

Qual é a chance, 2008

Trish Biddle (EUA, contemporânea)

gravura

Trish Biddle

Trish Biddle é uma artista nascida nos Estados Unidos. Reside e trabalha no seu país de origem.  Mais informações no site da artista.

 





Palavras para lembrar — Victor Hugo

13 08 2012

Leitora na praia, ilustração de Giselle Potter (EUA).      www.gisellepotter.com

“É pelos livros que os sábios encontram consolo para as vicissitudes da vida”.


Victor Hugo








%d blogueiros gostam disto: