Todo cuidado é pouco, texto de leitura escolar

25 09 2012

Guarda de trânsito, ilustração de Helen Prickett.

Todo cuidado é pouco

A vida no meu bairro começa cedo. Mas desponta o sol no horizonte, tem início o movimento. As ruas se enchem de pessoas e veículos. Primeiro, surgem os ônibus levando os operários para as fábricas e construções. Depois aparecem os carrinhos de sanduíches, oferecendo café da manhã para quem está com pressa.  Aparecem logo também as motocicletas dos entregadores e as bicicletas de quem trabalha mais perto.  Mais tarde, vêm os caminhões carregados de mercadorias e os automóveis conduzindo passageiros para o centro da cidade.

Às sete horas, quando saio para a escola, o movimento é intenso.  Sigo então pela calçada, evitando esbarrar nos outros. Quando preciso mudar de calçada, olho para os lados e, se não vem nenhum veículo, atravesso a rua com cautela. Faço isso porque tenho lido, nos jornais, notícias de desastres com meninos imprudentes, apanhados pelos automóveis.

Não quero ficar aleijado para toda vida, como Zezé, meu vizinho, que desobedeceu a ordem do guarda-civil e foi atropelado por um caminhão.

Para subir e descer do ônibus, espero que ele pare completamente.  Não gosto de apanhar o ônibus andando.  Não desejo voltar para casa num carro do Pronto Socorro. Por isso quando ando pela cidade, nunca esqueço das palavras do papai:

— Na rua, meu filho, todo cuidado é pouco!

TEXTO EDITADO E ADAPTADO

De: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, 2º livro, para escolas primárias do Brasil, 14ª edição, Rio de Janeiro, Agir: 1962.





Palavras para lembrar — B. F. Skinner

25 09 2012

Menina lendo

Anne Bozellec (França, 1942)

Desenho

“Não deveríamos ensinar os grandes livros; deveríamos ensinar o amor à leitura”. 


B. F. Skinner





Uma saudação à Primavera!

24 09 2012

A primavera, 1965

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

Óleo sobre tela, 46 x 55 cm

Christie’s Auction House





Imagem de leitura — Xavier Gosé

24 09 2012

Mulher lendo

Xavier Gosé (Espanha, 1876-1915)

Guache sobre papel

=

Xavier Gosé i Rovira nasceu em Alcalá de Henares, na Catalunha em 1876.  Depois da morte do pai, quando ele tinha quatro anos, foi para Barcelona com a família de sua mãe. Estudou de arte com José Luís Pellicer.  Terminado o aprendizado, trabalhou com ilustração para as  maiores revistas da época, de 1895 a 1898.  Expõe na Catalunha, inclusive no conhecido Quatre Gats.  Em 1900 mudou-se para Paris onde passou a contribuir primeiro  com caricaturas para revistas de humor e depois para todo tipo de publicação. Tornou-se um ilustrador requisitado por todo o mercado. Com a aproximação da Primeira Guerra Mundial retornou à Catalunha.  Mas, morreu logo a seguir,  em Lleida,  em 1915, de tuberculose.





Campo Criptana, trecho de “E a noite roda” de Alexandra Lucas Coelho

23 09 2012

Tipos de La Mancha, 1912

Joaquín Sorolla y Bastida (Espanha, 1863-1923)

óleo sobre tela, 513 x 513 cm

Museu Sorolla, Madri

Há horas em que a simples leitura de um trecho de romance, ou poesia, acorda alguma imagem na memória de quem trabalha com imagens o tempo todo.  Isso acontece comigo e tenho certeza com quase todos os que dedicam a vida às artes visuais.  Em geral, imagens acordam de um sono profundo porque a mente já entreabriu a porta, seduzida pelo texto, norteada pela beleza poética que um autor foi capaz de semear.  E as ocasiões poéticas no livro que ainda leio nesse fim de semana são muitas, consequência da esplendorosa delicadeza narrativa de Alexandra Lucas Coelho. Mas como o objetivo agora não é a resenha do romance, paro aqui a análise, sabendo que essa virá quando concluída a leitura.  Mas não posso deixar de registrar o trecho em que me lembrei da pintura de um dos grandes mestres espanhóis,  Joaquín Sorolla y Bastida.  Espero que gostem da justaposição.  Um bom domingo a todos.

Campo Criptana

Planícies de oliveiras num horizonte azulíssimo. Tamanho é o frio que não se formam nuvens, será isso. Estamos a ir para Campo Criptana, desde o século XVI terra de moinhos, daqueles redondos e brancos com velas negras.

Foi aqui que Quixote os combateu.  Eram 30 ou 40 contra um. Agora são dez, no cimo de uma colina, com a aldeia aos pés.

Deixamos o carro junto ao mais alto, e quando saímos é como se nos dessem um golpe na cabeça.  Já estava frio, mas agora está frio com pazadas de vento. Nem na Sibéria, em dezembro, me doeu tanto.

Avançamos com os cachecóis por cima da cara e as mangas puxadas até a ponta dos dedos, a segurar caderno e caneta.

— Está ali um homem – gritas tu.

— Vamos lá – grito eu.

O homem são dois, Anastasio e Crisanto, nomes que quem-nos-dera, mesmo Cervantes chamava-lhes um figo. Um tem 75, o outro 68 e sentam-se como na praia ao poente. De tanto para aqui virem, o vento já nem lhes toca. Este é o melhor moinho de todos, dizem eles, “nem demasiado largo, nem torto.” Chama-se Burleta.

Os velhos do mar têm barcos. Os velhos de Campo Criptana têm moinhos.

Em: E a noite roda, Alexandra Lucas Coelho, Rio de Janeiro, Tinta da China: 2012





Andorinhas, poesia de Stella Leonardos

23 09 2012

Andorinhas no galho, aquarela, Sherri Friesman.

Andorinhas

Stella Leonardos

Namoradas do sol, andorinhas inquietas,

Poesia dos beirais de asas leves e errantes!

Vocês vêm vocês vão como versos trissantes

De sílabas azuis, de rimas incompletas.

Andorinhas azuis de revoadas constantes!

Você me lembram sempre a saudade dos poetas

Incansáveis da altura e dos céus mais distantes.

Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956.

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.





Quadrinha da árvore pelo DIA DA ÁRVORE — 21 de setembro!

21 09 2012

Ilustração Arthur Sarnoff.

Criança, nunca te esqueças

Que as árvores são sagradas;

Nós devemos defendê-las

Das criaturas malvadas.

(Walter Nieble de Freitas)








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