Conversa de bar: que filmes você lista inesquecíveis visualmente?

12 09 2012

Cinema em casa, ilustração Stefan Dohanos.

Atividade de fim de semana: sair com amigos e jogar conversa fora.  Frustrados com as escolhas para idas ao cinema, resolvemos só nos encontrarmos, acompanhado de vinho, chope e guaraná zero,  listamos  desta vez os filmes que mais nos marcaram visualmente.   Só aqueles  filmes que têm uma, duas ou mais cenas visualmente inesquecíveis, que nos deixam boquiabertos, com surpresa e admiração, sem levar em conta o contexto da cena.   A lista foi diferente para cada participante.  E as razões das escolhas talvez mais interessantes do que as próprias seleções.  Mas certamente vale a pena  rever mentalmente aqueles filmes que marcaram.    Para quem gostaria de saber, aqui vai a minha lista, que pode ser aumentada a qualquer momento.  A ordem foi a ordem de chegada, ou seja, a ordem em que fui me lembrando.

1 – Melancolia, 2011, de Lars Von Trier.

2 – Titus, 1999, de Julie Taymor.

3 – Avatar, 2009, de James Cameron

4 – 2001 Odisséia no Espaço, 1968, Stanley Kubrick

5 – Gritos e sussurros, 1972 , Ingmar Bergman

6 – A festa de Babette, 1987, Gabriel Axwel

7 – Contatos imediatos de terceiro grau, 1977, Steven Spielberg

8 – Adeus minha concubina, 1993, Kaige Chen

9 – A partida, 2008, Yojiro Takita

10 – O tigre e o dragão, 2000, Ang Lee

11 – Império do Sol, 1987, Steven Spielberg

12 – O Piano, 1993, Jane Campion

13 —  Yol, 1983 ,de Yumaz Güney

14 – Os pássaros, 1963, de Alfred Hitchcock

15 — Blow up, 1966, de Micheangelo Antonioni





Quadrinha da natureza

10 09 2012

Ilustração de autoria desconhecida.

Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”

(Djalda Winter Santos)





Uma homenagem aos que acreditam na grande aventura de viver! Bom domingo!

9 09 2012






Pensando o Brasil: Nélida Piñon

8 09 2012

Dois modelos, 1914

Diego Rivera (México, 1886-1957)

óleo sobre tela

“Há uma coisa terrível na consciência brasileira: a censura mental.”

Nélida Piñon





A cidade, poesia de Luís Pimentel

8 09 2012

Dia de chuva em São Paulo, 2009

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 80 x 110 cm

www.cgentil.com.br

A cidade

Luís Pimentel

Uma cidade não é medida

por becos e logradouros,

nem lembra contas e cálculos

que a gente parte e reparte.

A cidade é o que fica:

solidão, engenho e arte.

Uma cidade é um rosário,

voltando sempre ao começo.

Não é o filho querido,

que quando cresce evapora.

A cidade  é o que se conta

no calcanhar da memória.

Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004





E a vida segue…

7 09 2012

Luiz Oscar Dubeux

O mundo está mais vazio.  Oco.  As energias não reverberam como antes.  Há uma grande distância entre os objetos.  E estou impressionada que a vida continue normal à minha volta, com pessoas indo e vindo, passeando, conversando, dançando, determinando em quem votar nas próximas eleições, como se não notassem essa mudança no cosmos.   Ah, sim, o mundo mudou, mas foi só para mim, minha família e umas duas ou três dezenas de pessoas que tinham em comum um elo, um amigo, um homem, quase excêntrico, solitário, monástico e católico: Luiz Oscar Dubeux.

Era nosso amigo.  Não só amigo meu e de meu marido.  Era daqueles amigos da família.  L.O. como o chamávamos carinhosamente apareceu no nosso horizonte há aproximadamente 26 anos.  Eu não morava no Brasil na época. Havia uma crise de saúde, um momento delicado, de apreensão na família: cirurgia e especialistas de fora.  Espreitando a situação estava o enigma do discurso médico, um grande empecilho.  A língua estrangeira era dominante e a necessidade de traduções precisas se fazia necessária.  L.O. era  fluente em inglês.  Na verdade sobrevivia ensinando inglês para brasileiros, mas, sobretudo português para estrangeiros.  Algumas traduções documentos e livros recheavam o seu dia a dia.  Habilitou-se a fazer a interpretação simultânea e assim fez-se indispensável,  com sua capa de super-herói disfarçando a vida ascética, de doação.

Passada a bem-sucedida cirurgia, ficou amigo.  Primeiro de meu irmão e sua família.  Depois de minha mãe e de meu outro irmão, naquela época solteiro. Participava de almoços de domingo na casa de mamãe.  Era membro com quem contávamos nas festas de aniversário, na feijoada comemorativa, incluído paulatinamente em todos os rituais familiares.  Passou muitos Natais conosco.  E alguns Anos-Novos também, quando se celebrava o seu aniversário, com atraso de 24 horas.  Era do dia 30 de dezembro. Curioso sobre muitos assuntos culturais, amava a Inglaterra e quase tudo inglês.  Ouvia a BBC pelo rádio bem antes do tempo em que ela surgiu na TV a cabo. Era versado em “britanices”, aquelas pequenas idiossincrasias que fazem os britânicos adoráveis.  Apaixonado pelo cinema desde criança, pois seu pai trabalhara para a Cia. Severiano Ribeiro, aqui no Rio de Janeiro, L.O. tinha assunto sempre, a qualquer hora e se expressava num português maravilhoso, correto, preciso, de vocabulário rico e frases inteiras.  Era um prazer escutá-lo, mesmo se não subscrevêssemos suas opiniões.

Andarilho inveterado, ia a pé à casa de seus alunos. Andava por prazer.  Conhecia todos os caminhos, trilhas e cortes das matas do Rio de Janeiro, porque ia da Gávea, onde morou desde a década de 1960, à Floresta da Tijuca.  Andava também pelo bairro, até uns sete ou oito  anos atrás.  Costumava caminhar  a qualquer hora do dia ou da noite, até que, já mais idoso, foi assaltado numa noite: caiu, quebrou os óculos e se machucou seriamente, quebrando os dentes da frente nessa ocasião.  A partir desse evento, à noite só dava a volta no quarteirão de seu prédio.  Mesmo com o crescimento galopante do bairro, quase todos por aqui o conheciam.  Tomava café no Shopping onde lia o jornal diariamente.  Conhecia e falava com todo mundo. Sabia o nome de todos os seguranças das ruas, conhecia os porteiros dos prédios, os donos dos estabelecimentos comerciais, os garçons, os jornaleiros e principalmente os moradores mais diversos, seus cachorros, e o nome de seus cachorros.

Luiz Oscar era um homem sociável.  Muito sociável.  Amante da musica clássica, custou a se “computarizar” e se o fez, foi graças aos amigos.  Solteirão, como falava minha mãe.  Havia uma noiva escondida em alguma época de seu passado, vítima de uma morte prematura.  Orgulhava-se de ter  sido aluno do Colégio Padre Antônio Vieira, aqui no Rio de Janeiro e  ainda tinha amigos dos tempos de escola. Católico à moda antiga, participava da missa em latim, celebrada na PUC e ocasionalmente ia ao Mosteiro de São Bento para uma missa cantada.  Mas não fazia proselitismo.  Um quase monge, tinha o lugar na família que muitos padres costumavam ocupar em priscas eras: era parte presente, sempre convidado, sempre bem-vindo, sempre afável, sempre consultado.  Bom ouvinte.

Boas amizades só florescem e dão frutos quando respeitamos “o outro” intacto, pleno.  E não era difícil aceitar os hábitos e vieses de Luiz Oscar, porque eles nos enriqueciam e nos mantinham em deslumbramento.  Inveterado documentador de sua própria existência L.O. escrevia tudo que se passava com ele diariamente.  Era, portanto, capaz de nos dizer: eu o conheci pela primeira vez no dia tal, da semana tal, do ano…  Sabia das datas e do que havia feito e com quem precisamente.  Provavelmente mais consequência de uma vida solitária do que por obsessão irracional.  Como bom tradutor e professor de línguas colecionava expressões em português, inglês britânico e americano.  Tinha uma centena de projetos em andamento… Também conseguia se lembrar de todas as datas importantes em sua vida assim como na vida de seus amigos.  Não havia um aniversário sem felicidades, uma viagem de que chegássemos sem as boas-vindas num telefonema cordial.   Como andarilho observava a cidade à sua volta, à sua maneira.  Sabia a distância aproximada dos lugares que frequentava em metros, passos e minutos a pé.  Sabia o número de degraus da maioria das escadarias que subia.  Foi o responsável por eu ter andado a praia de Copacabana diversas vezes, quando morei naquele bairro, contanto o número de edifícios de frente para o mar… Ele sabia.  Eu, que andava pela manhã para me exercitar, caí na esparrela de verificar se ele estava certo.  Diferimos.  Mas chegamos ao motivo: havia edifícios cujas entradas eram pelas ruas laterais e não considerados “de frente” para o mar. Dou exemplos de suas maneiras de entreter a mente para ilustrar essa mente alerta, para lembrar o homem que foi.  Perdemos L.O. esta semana.  Morreu como viveu,  só.  Sem familiares à sua volta.  Vai-se para tristeza dos muitos amigos, sua família por escolha.  Meu marido não terá mais o companheiro dos chopes de quintas-feiras, dos vídeos de filmes antigos e sentirá a ausência do torcedor da seleção brasileira nos jogos internacionais. Meu marido perde seu melhor amigo no Brasil.

E a vida segue.





Quadrinha da pescaria diária

3 09 2012

Ilustração Walt Disney.

Para não faltar o peixe,

Na mesa do nosso lar,

O pescador, bem cedinho,

Sua rede atira no mar.

(Walter Nieble de Freitas)





Palavras para lembrar — André Gide

2 09 2012

Menina lendo, 1918

Pekka Halonen ( Finlândia,1865-1933)

Óleo sobre tela  67 x 52 cm

Coleção Particular

“Ler as obras de um escritor não é para mim simplesmente ter uma ideia do que ele diz, mas sair com ele, viajando em sua companhia.”

André Gide





Narciso e o Regato — poema de Bastos Tigre

2 09 2012

Eco e Narciso, 1903

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela, 109 x 189 cm

Walker Art Gallery, Liverpool

Narciso e o Regato

Bastos Tigre

Sobre um tema de Oscar Wilde

Morreu Narciso. A triste nova

Correu, veloz, vale e colina,

Em luto, as flores todas da campina,

De pesar como prova,

Choraram longamente a morte de Narciso.

De repente, cessou o alegre riso

Que enchia o campo todas as manhãs.

Narciso era a beleza

Que iluminava a Natureza

E espalhava no espaço harmonias pagãs.

Por isso as flores todas da campina

Choraram tanto, tanto,

Que já não tinha gotas a neblina

Com que pudesse alimentar o pranto

Das desoladas flores.

Resolveram pedir a linfa cristalina

Do regato, um bocado de sua água;

E falaram-lhe assim:  — Narciso é morto!

À  nossa dor à nossa funda mágoa

O pranto falta que nos dê conforto.

Dá-nos uma pouco de tua água pura.

Mas o regato retorquiu: — Não posso…

Meu sofrimento inda é maior que o vosso!

A água que tenho não me basta

Para afogar a minha própria dor…

Sabeis? Narciso a sua face linda

Mirava, todo o dia, em minha face…

— E amavas tanto vê-lo? interroga uma flor

— Não é que o não amasse

(Volve o regato) mas o meu desgosto

Aqui vo-lo revelo,

Não é a falta de lhe ver o rosto

Mas porque, quando em mim se contemplava,

Nos olhos de Narciso eu me mirava

E me achava tão belo! E me achava tão belo!

Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, vol. I, Rio de Janeiro, Editora Francisco Alves: 1982





100 anos! É hora de comemorar!

1 09 2012

Meu pai, 1980.

Ontem, se estivesse vivo, meu pai teria completado cem anos. A família se reuniu numa pizzaria para celebrar.  Três gerações, dezoito pessoas, se encontraram.  Foi uma reafirmação dos laços de família, um encontro muito feliz. Hoje tenho um misto de gratidão, nostalgia e profunda felicidade ao repensar esse delicioso encontro familiar. Não somos uma família muito grande e apesar de morarmos todos próximos, aqui no Rio de Janeiro, os afazeres diários muitas vezes nos deixam sem nos ver por meses.  Uma reunião como esta veio em boa hora: não há mais ninguém vivo da geração de meus pais.  Somos eu, meu irmão, minha cunhada e meus primos, agora os “cabeças” da família. E à medida que vemos nossos filhos crescerem, e já outra geração vir aparecendo, os bisnetos da geração de papai, há uma maravilhosa sensação de comunidade que se consolida e que me faz uma pessoa muito satisfeita e completa. Gosto saber que pertenço a esse grupo, esse meu grupo.

Depois dessa celebração à vida e à família fui permeada por um carinho imenso aos que estiveram lá para esse momento de camaradagem e alegria: Harry, meu marido e Ricardo-Celso, meu irmão; Claudine, minha cunhada, meus sobrinhos: Christiane, Rômulo, Anna Paula, Heitor-Gessner.  Meu sobrinho-neto: Matheus; meus primos, Murilo, Lúcia, Ronaldo, Rogério, Gisela e Vera Regina. Minha prima-sobrinha e afilhada: Cecília e Júlio, sobrinhos netos e primos, Bruno e Beatriz.  A todos o meu carinho e agradecimento por momentos de imensa felicidade e plenitude. Amo muito minha família.








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