O buraco do tatu, poesia infantil de Sérgio Caparelli

11 11 2012

Chico Bento joga tatu-bola, ilustração de Maurício de Sousa.

O buraco do tatu

Sérgio Caparelli

O tatu cava um buraco

a procura de uma lebre,

quando sai pra se coçar,

já está em Porto Alegre.

O tatu cava um buraco,

e fura a terra  com gana

quando sai pra respirar

já está em Copacabana.

O tatu cava um buraco

e retira a terra aos montes,

quando sai pra beber água

já está em Belo Horizonte.

O tatu cava um buraco

dia e noite, noite e dia,

quando sai pra descansar,

já está lá na Bahia.

O tatu cava um buraco,

tira a terra, muita terra,

quando sai por falta de ar,

já está na Inglaterra.

O tatu cava um buraco

e some dentro do chão,

quando sai pra respirar,

já está lá no Japão.

O tatu cava um buraco

com as garras muito fortes,

quando quer se refrescar

já está no Polo Norte.

O tatu cava um buraco

um buraco muito fundo,

quando sai pra descansar

já está no fim do mundo.

O tatu cava um buraco,

perde o fôlego, geme, sua,

quando quer voltar atrás,

leva um susto, está na lua.

Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre,  LPM: 2000, 27ª edição





O verde do meu bairro: Extremosa, ou Resedá

11 11 2012

Há algumas extremosas no meu bairro.  Sei que elas são muitas vezes vistas com desagrado, quase como uma praga, porque foram usadas para a arborização em muitas cidades brasileiras, em ruas movimentadas, em detrimento de outras espécies.  Nessa escolha importaram as qualidades: beleza, baixa altura, raízes que não destroem as calçadas e resistência.  A extremosa ou resedá não é nativa do Brasil e  pode criar problemas para muitas das árvores nativas de maior porte.  Talvez seja por isso, que nos EUA, nos estados  onde morei – Maryland, Virginia, Washington DC e Carolina do Norte–  elas são usadas em grande escala só nos canteiros do meio das estradas,  embelezando, delimitando e, por causa de sua baixa estatura, ajudando a bloquear a luz de caminhões vindos no sentido contrário.  Também são usadas nas beira de estradas, com uma boa separação de grama entre elas e a vegetação nativa.  Podemos ver na foto abaixo, um exemplo de como são usadas. Claro que muitas pessoas plantam resedás em seu jardim, mas simplesmente como um foco de cor para o verão, uma única árvore, onde podem ser vigilantes quanto às pragas.

Por que elas são olhadas com desconfiança?  Sua praticidade – fácil reprodução, manutenção e raízes que não prejudicam calçadas – levou muitos municípios brasileiros a plantarem quase que exclusivamente as extremosas em suas vias públicas.  Isso não só leva à possibilidade de monocultura, como pode afetar as árvores nativas porque o resedá é suscetível ao abrigo de pragas, como erva de passarinho, que vivem da habilidade de extrair seus nutrientes das árvores em que se instalam.  Seu uso tem sido desencorajado.  Mas mesmo assim, é um belo respingo de cor na paisagem, que, aqui no Rio de Janeiro, atravessa duas estações: primavera, verão.

Natural da Índia e da China, os primeiros pés de extremosa foram trazidos para os EUA ainda no século XVIII, mais precisamente em 1790, pelo botânico francês André Michaux (1746-1802), autor entre outros das obras: Histoire des chênes de l’Amérique, 1801 [História dos carvalhos da América] e Flora Boreali-Americana, 1803 [Flora da América do Norte].

A extremosa (Lagerstroemia indica) recebe diversos nomes no Brasil: Resedá, Suspiros, Julieta, Árvore-de-júpiter, Flor-de-merenda, Mumiquilho.  Caiu no gosto popular por causa de sua função decorativa.  Tem flores  em forma de espigas.  Dependendo da região onde é plantada floresce no verão ou no verão e na primavera (como é o caso aqui no Rio de Janeiro, onde a primavera é quente).  Suas flores podem ser de três cores: branca, rosa ou vermelha.  Deve ser podada durante o inverno e as flores aparecerão na ponta dos ramos que foram podados.   Suas folhas são elípticas alongadas.  Nas regiões frias a árvore perde todas as folhas no inverno.  Chega aos 6 metros de altura.

Para maiores informações:

Meu cantinho








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