Imagem de leitura — Jenny Nyström

31 01 2013

Meninas lendo livro

Jenny Nyström ( Suécia, 1854-1946)

[cartão de Natal]

Jenny Nyström nasceu em Kalmar, na Suécia em 1854.  Pintora e ilustradora de livros, fez fama com seus inúmeros cartões de Natal  e ilutrações para revistas.  Em 1865 começou a estudar pintura na Göteborgs Escola de Arte e em 1873 foi aceita na Real Academia de Arte da Suécia, em Estocolmo onde estudou por oito anos.  Conseguiu uma bolsa e foi para Paris, onde permaneceu de 1882-1886 estudando. Foi em Paris que descobriu o mercado dos cartões postais que estavam muito populares.  Começou a produzí-los e assim entrou também para a ilustração de livros. Casou-se aos 33 anos. Faleceu em Estocolmo, em 1946, depois de uma carreira de sucesso.





Centros culturais, sua manutenção, responsabilidade e educação

31 01 2013

João Fahrion-bastidores,1951, ost

Bastidores, 1951

João Fahrion (Brasil, 1898-1970)

óleo sobre tela, 130 x 130cm

Raramente abordo neste blog assuntos do cotidiano. Tenho tentado ser uma ilha de referências  culturais sem ligações à política ou ao dia a dia no país. Mas há ocasiões em que se faz necessário um posicionamento. Tendo a tragédia do incêndio na Boate Kiss, de Santa Maria, RS, como pano de fundo,  descobrimos ao ler o  jornal O Globo desta manhã, que a cidade do Rio de Janeiro tem 49 espaços culturais funcionando que não exibem alvará – ou seja permissão de funcionarem para aqueles fins.  Fiquei pasma.  Esses centros culturais incluem estabelecimentos municipais e estaduais.  Para surpresa de todos são lugares conhecidíssimos e freqüentados por milhares de cariocas e turistas: teatros municipais  [Carlos Gomes, Gonzaguinha, Café Pequeno, Sérgio Porto, Ziembinski, Maria Clara Machado,Teatro do Jockey, Sala Baden Powell, Teatro de Marionetes Carlos Werneck]; teatros estaduais [Artur Azevedo, Mario Lago, Glaucio Gill, Armando Gonzaga]; museus, centros de referência e centros culturais da prefeitura [Memorial Getúlio Vargas, Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, Hélio Oiticica, Laurinda Santos Lobo, Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo), Parque das Ruínas, Prof. Dyla Sylvia de Sá, Centro Calouste Gulbenkian]; museus estaduais [Museu do Ingá, Casa de Oliveira Viana, Carmen Miranda, Museu dos Teatros, Casa de Euclides da Cunha, Museu da Imagem e do Som, Escola de Artes Visuais, Casa França-Brasil]; bibliotecas Populares da Prefeitura [Botafogo-Machado de Assis. Campo Grande-Manuel Ignácio da Silva Alvarenga, Ilha do Governador—Euclides da Cunha, Maré – Jorge Amado, Irajá—João do Rio, Jacarepaguá—Cecília Meireles, Santa Teresa – José de Alencar, Tijuca – M. Marques Belo]; bibliotecas estaduais [Niterói]; lonas culturais [Gilberto Gil, Elza Osborne, Sandra de Sá, Renato Russo, Terra, Jacob do Bandolim, Herbert Vianna, João Bosco, Hermeto Pascoal e Carlos Zéfiro]; locais em funcionamento, sem alvará, sem permissão do Corpo de Bombeiros.

Lembrei-me então de uma postagem antiga nesse blog que gerou controvérsia, leva o título Museus nos Estados Unidos Passam por Mudanças, lá defendo que temos centros culturais em demasia no Rio de Janeiro, que não podemos continuar usando a cultura como guarda-chuva de proteção a prédios antigos.  Muitas associações de bairro, com medo de que um construtor compre casa e terreno em área nobre,  e com isso aumente o número de pessoas em bairros selecionados, pedem que casas antigas, algumas delas com valor arquitetônico questionável, sejam transformadas em centro cultural.  É praticamente só nessa hora que nos lembramos da cultura.  Ela serve de mãe generosa, ama de leite, justificativa única, contra empreendimentos imobilários na cidade. Não estou com isso defendendo o crescimento sem controle da área urbana da cidade, mas este deverá ser restringido de outra maneira.

NELITO CAVALCANTI( 1933 - 2008),MPB 538, ast,51 x 60cmMPB 538

Nelito  Cavalcanti (Brasil, 1933-2008)

acrílica sobre tela, 51 x 60 cm

Não se trata só de descaso da prefeitura.  Muita dessa responsabilidade, eu diria até mais da metade, é nossa.  Não só porque continuamos a eleger pessoas que estão mais interessadas em seu próprio benefício do que na sociedade.  Não é isso, unicamente.  É que fechamos os olhos: ” não vou me meter, pra quê?  Está bem assim..” é uma resposta natural, porque reclamar e fazer alguma coisa dá trabalho.  Até escrever este texto dá trabalho, não é copiado, tenho que pensar e sentar aqui e reclamar. Mas a mentalidade de “Para quê arranjar sarna para me coçar?” é generalizada.  E se você reclama muitas vezes é vista como uma pessoa cri-cri, que não tem mais o que fazer, que quer impedir uma excelente causa, que quer colocar freios na cultura, nas ideias dos outros.  Temos uma história imoral com a manutenção nessa cidade.  Manutenção de qualquer bem, público ou privado.   Deixamos que tudo aconteça. O problema é sempre dos outros, de preferência do governo. Se esse não fosse o caso, como então explicar marquises desabando de edifícios em ruas movimentadas, como  aconteceu há cinco anos na  Nossa Sra de Copacabana no Rio?  Janelas despencam de edifícios na cidade.  Sabemos que o desastre do Edifício Liberdade no centro do Rio de Janeiro, poderia ter sido evitado, caso o síndico tivesse feito seu papel. Fato é que fazemos vista grossa.  Todos nós. A sociedade carioca é responsável por esses crimes.  Porque temos que exigir dos nossos síndicos, temos que contribuir com as taxas extras para manter fachadas, manter calçadas, manter as saídas de incêndio abertas, manter os extintores de incêndio com manutenção em dia.  É nosso interesse, não podemos simplesmente dizer que os bombeiros não vieram aqui, portanto não vou fazer nada.  Agora, me digam como pode o Teatro Sérgio Porto, no Humaitá, funcionar sem autorização dos bombeiros há cinco anos?  Como pode o dono de uma boate — uma das casas mais populares de Botafogo,  —  dizer que não tem alvará porque é quase impossível conseguí-lo, quando sua competição tem? De acordo com a prefeitura são 374 boates, casas de shows e casas de festas com alvará de funcionamento ativo na cidade. Como que ele não consegue? Ninguém quer assumir responsabilidade.

VIDAL,Sérgio,Café carioca,2008,ast,120 x 80

Café Carioca, 2008

Sérgio Vidal (Brasil, 1945)

acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

A decisão de voltar a discutir o assunto de casas de cultura foi também em solidariedade com os empresários da Lapa que temem uma caça às bruxas.  Acredito que assim como o Patrimônio Histórico pode proteger as fachadas de bairros como a Lapa, poderia também apresentar soluções de como fazer com que essas construções possam ser utizadas para os fins que seus donos desejam.  Não adianta só proibir.  Tem que mostrar como solucionar o problema, que é de todos nós, é a nossa herança cultural.  Não queremos que os edifícios da Lapa se deteriorem, queremos que sejam protegidos mas usáveis.  Quando passeei pela Espanha — e vou usar a Espanha como exemplo, porque fiquei muito impressionada com o trabalho de preservação arquitetônica lá —  vi diversas soluções que poderiam muito bem ser aplicadas a conjuntos arquitetônicos como os da Lapa.  Há de haver vontade de todas as partes envolvidas.  O empresário não é só um monstro, como tende-se a pensar por aqui.  Sem ele muito do que nós consideramos “alma carioca” não existiria.  Não há mal algum em se ganhar dinheiro, em explorar um filão cultural.  Temos sim que ter responsabilidade.  E essa tem que ser de todos nós.  A coisa mais irritante na nossa cidade é pensar que cultura só pode ser fomentada pelo governo, pelo dinheiro público.  Cultura pode e deve ser mantida pelo dinheiro particular.  O dinheiro público deve ser colocado na educação.  Com educação, temos pessoas que consomem e gastam com a cultura.  Sem ela, não temos nada.





Palavras para lembrar — Marguerite Duras

30 01 2013

bela_de_kristo_la_lecture_au_jardin_d5581934hLeitura no jardim, s/d

Bela de Kristo (Hungria, 1920-2006)

óleo sobre tela, 79 x 74 cm

Christie’s Auction House, Londres

“Um livro nunca é traduzido, ele é transportado a uma outra língua”.

Marguerite Duras





Quadrinha da fome do coração

29 01 2013

Menina pronta para come, ilustração de agnes richardson, cartão postal

“Um pouco de tudo, por favor”, cartão postal, ilustração de Agnes Richardson (Inglaterra, 1880-1954)

Conheço um tipo de fome

Que não se farta de pão:

Fome de amor — eis o nome

Da fome do coração.

(Aparício Fernandes)





Para minha avó, no dia de seu aniversário.

28 01 2013

Vovó Albina, década de 20 -- 1920sMinha avó, Albina, aos 26 anos, já casada, por volta de 1924, no Rio de Janeiro.

Em termos de astrologia o fato de meus quatro avós terem nascido sob o signo de Aquário,  em anos diferentes mas num período de sete dias (28 de janeiro, 30 de janeiro e 4 de fevereiro),  deve significar alguma coisa interessante. Não sei. Mas, além disso, tive dois avós — meu avô, pai de papai, e minha avó, mãe de mamãe, que nasceram no dia 28 de janeiro.

Albina,  mãe de minha mãe, se estivesse viva faria 115 anos, hoje.  Não gostava de tirar retratos. Daí serem poucas as fotos que restaram. Dela herdei os olhos azuis, os dela mais azuis ainda do que os meus.  Em comum, a pele claríssima e, dizem, o temperamento forte.  Nunca soube muito bem o que essa expressão significa, pelo menos no que me toca…  Talvez meus desafetos saibam.  Fisicamente temos o tipo celta, uma explicação portuguesa que atribui essas características ao biotipo comum no norte de Portugal, na Galícia e na Irlanda.  Funciona.  Todos os antepassados que tenho do lado materno e paterno, vindos de Portugal vêm do norte do país: do Minho, de Trás-os-montes e da Galícia.

Meu bisavô, João, pai de Albina, era português de Viana do Castelo, mas sua família tinha raízes na Galícia, certamente em Tuy.  Mas vamos e venhamos, Tuy, era só do outro lado do rio Minho.  É tudo a  mesma coisa…  Minha bisavó, mãe de vovó, Maria da Glória, era brasileira, filha de brasileiros de origem minhota, mas radicados no Brasil, desde de 1820, pelo menos essa é a data mais antiga que tenho sobre eles. Eles, os Proença [e a escrita pode ser também Proenza], viviam na região de Vassouras e Valença, no estado do Rio de Janeiro.  Como e porque chegaram lá não sei, só sei que são de Viana do Castelo e da Galícia.  São muitas gerações passadas, avós e bisavós de minha avó.  Mas, continuo à procura, encarregada que sou da árvore genealógica familiar.

DSC09302Albina Proença Fernandes Leitão, aos 16 anos, 1914.

Vovó estudou num dos mais antigos colégios para meninas, escola de formação para moças, educação humanista-cristã de irmãs vicentinas, no Rio de Janeiro: Colégio da Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo, fundado em 1854.  Está lá, de pé, até hoje, educando geração após geração.  Tem em seu terreno uma belíssima igreja — Igreja da Imaculada Conceição associada ao colégio —  em estilo pseudo-gótico, projetada em 1866 pelo arquiteto Padre Clavelin, prédio característico da segunda metade do século XIX.  Lembro-me que quando eu estava nos primeiros anos da escola, havia nesse local também um asilo para idosos.  Não sei se ainda existe.  Mas todos os anos, mamãe e eu, íamos a este asilo, porque algumas das senhoras que lá estavam, bordavam por encomenda e os emblemas da escola, nos bolsos de nossos uniformes, meus e de meus irmãos, eram bordados por essas senhoras do asilo que ficava por trás do colégio, do lado esquerdo da igreja.

Era a caçula de cinco irmãos e ficou órfã de pai ainda criança, bem pequena.  Histórias familiares atribuem a morte de meu bisavô a um acidente num bonde ainda puxado a burros, aqui no Rio de Janeiro, no centro da cidade.  Era o ano de 1903.  Ele tinha, com um irmão, uma serralheria, localizada próxima aos Arcos da Lapa e foram assim responsáveis por muitas grades e sacadas de ferro fundido, artisticamente desenhadas, encontradas até hoje nos bairros mais antigos da cidade. Vovó Albina também perdeu a mãe muito cedo,  aos doze anos de idade, num incêndio.  A casa onde moravam, na Tijuca, pegou fogo.  Maria da Glória, depois de viúva, trabalhou como professora primária no colégio onde sua filha estudava.  Depois que sua mãe morreu,  Albina foi morar com uma tia, do outro lado da Baía de Guanabara, em Niterói. Não sei quando se mudaram para o Rio de Janeiro, mas em 1922, quando vovó se casou, já morava no Rio de Janeiro há alguns anos.

???????????????????????????????Livro de receitas.  Seleção de vovó Albina, para a neta que se casava…

Deve ter sido bonita. Pelo menos, meu avô caiu de amores por ela ao vê-la na janela de casa.  Dizem que aquele aluno da Faculdade de Direito, mandado pela família de Mato Grosso para estudar na capital,  passou por aquela rua na Tijuca por dois anos, todas as tardes, só para vê-la.  E o futuro advogado, que tinha um quê de trovador e seresteiro, chegou a fazer uma ou duas serenatas, acompanhadas ao violão, que arriscava tocar, e por colegas de faculdade, aos pés da janela da amada.  Mas o tio de vovó Albina, num instante acabou com aquela demonstração de encantamento.  Não era para uma moça de respeito.  Com  medo de não vir a ser aceito como um bom partido, meu avô se submeteu às restrições familiares.  Casaram-se no civil, em 26 de outubro de 1922.

Albina teve uma educação rígida.  E passou muitos de seus ensinamentos para nós, principalmente depois que veio morar conosco, quando ficou viúva.  Já nessa altura havia uma grande defasagem entre a sua maneira de educação e a que meus pais nos deram.  Mas com ela aprendemos os princípios sociais básicos, os obrigados — sempre usados — os bom-dias.  Vovó tinha um hábito interiorano, que deveria ter herdado de sua mãe: dizia boa noite quando as luzes eram acesas pela primeira vez, na hora do lusco-fusco diário.  Fui alvo de muitos de seus ensinamentos, principalmente por ser a única menina da minha geração.  Só tive primos homens neste lado da família.  Assim, sentar-me ereta, cruzar as pernas com os pés embaixo da cadeira, mãos pousadas no colo, sem cotovelos à mesa e assim por diante, eram repetidos diariamente sem dó.  Ensinamentos nem sempre acolhidos com o bom humor com que hoje me lembro deles.

Vovó Albina com RicardoMinha avó com meu irmão Ricardo.

Era prendada. Foi com vovó que aprendi a fazer crochê.  E cheguei a tricotar.  Mas nunca tive sua habilidade no tricô, para somar e subtrair pontos com perfeição, para que pudesse fazer competentemente blusas e sapatinhos de bebê.  Faço cachecóis. Herdei dela o hábito de não conseguir ficar sem fazer nada com as mãos.  Se vejo televisão, também faço crochê, bordo, limpo joias de prata, faço algo.  Foi assim que acabei fazendo colchas de retalhos à moda americana, patchwork, à mão  como pede a tradição.  Fiz duas, para duas sobrinhas, quando nasceram. Vovó Albina também fez uma colcha de retalhos, de fuxicos, para cada uma de suas filhas e para mim, enquanto via televisão no sofá da sala.  Foi um presente, para minha vida de casada.  É divertido examiná-la, porque nela estão retalhos de meus vestidos de criança, de roupas de mamãe, de vovó, um verdadeiro cofre com mementos no formato de rodelas de pano. Guardo esta colcha com carinho e não sei o que fazer com ela, quando tiver que pensar em passar meus tesouros adiante… Também guardo dela, e este não está nas melhores condições, porque foi um dos presentes mais úteis que já recebi na vida,  um livro de suas receitas favoritas. Até hoje um dos mais preciosos tesouros que alguém já preparou para mim.  Todas as receitas copiadas à mão, em tinta de tinteiro, azul, receitas fáceis, do dia a dia, que foram e são até hoje uma fonte inigualável de saber culinário.  Com esse livro sou capaz de reproduzir aqueles gostos da infância, os gostos da minha casa, da casa dela, da família.  As sobremesas mais queridas.  Como ela, gosto de cozinhar.  Não faço como ela o arroz cor de rosa, com bastante tomate, mas gosto de experimentar na cozinha, e se tenho audiência, boas-bocas, não tenho limites na cozinha.

Minha avó estabeleceu para mim, além de Dona Benta do Monteiro Lobato, o protótipo de todas as avós. Não só  fazia os quitutes de que gostávamos.  Também jogava cartas conosco, inicialmente burro, um jogo de cartas para crianças, e depois que ficamos mais velhos ela gostava de um buraco.  Brinquei muito de cama-de-gato, com ela, passando das mãos dela para as minhas o barbante entrelaçado nos dedos.  E com ela aprendi as canções infantis do bã-balalão, senhor capitão;  o domingo, “pé de cachimbo” [pede cachimbo];  a brincadeira do rei-soldado-capitão-ladrão;  o gato atrás do rato e o nome de todos os dedos das mãos.  Vovó sempre jogou, o jogo da memória comigo, mas não com as pedras que conhecemos hoje, mas com cartas do baralho.  Ria-se com facilidade e ria silenciosamente, com o corpo todo tremendo, às vezes chegava às lágrimas de riso. Chegava a corar, nessas ocasiões. Tinha a pele macia, cheirosa: talco da Helena Rubinstein e pó de arroz da Coty, das caixas redondas, estampadas de marron e branco.  Era um prazer especial, sentar ao seu lado encostar minha cabeça no seu ombro ou nos seus braços.  Quando aprendi piano, mostrou-me algumas de suas músicas favoritas, canções, valsas antigas cujas letras ainda se lembrava, e as cantava, baixinho, com a voz aguda de soprano, solfejando. Tinha a boca bem pequenina, como das melindrosas.  São muitas as memórias.  E hoje as coloco aqui, num agradecimento póstumo, que há muito eu lhe devia.  Feliz aniversário!





O girassol, poema de Maurílio Leite

27 01 2013

Lorenzato – Girassóis--ose - 1979 - 48x36 cmGirassóis, 1979

Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm

Coleção Particular

O Girassol *

Maurílio Leite

Quando o sol nasce em pompa radioso

De luz banhando o universo inteiro,

O girassol desperta no canteiro

Para seguir-lhe o rastro luminoso.

E fica assim, à terra preso e em gozo,

Apesar da distância o rotineiro,

Corola aberta ao beijos do luzeiro,

Cada vez mais distante e mais formoso.

Comparo o girassol à nossa lida;

Cada vez a distância é mais sentida

No infinito do espaço em que vivemos.

Vivo sempre a seguir-te em pensamento,

Não poder alcançar-te é o meu tormento.

Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.

* Este soneto foi musicado pelo autor.

Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.

Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939)  nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904.  Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal.  Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia.  Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos.  Percorreu o Brasil como musicista e compositor.  Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após  executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.





Os perigos da leitura sedutora … por F. von B., século XIX

27 01 2013

F. von B, no1

F. von B, no 2

F. von B, no3

F. von B. no4

F. von B, no5

F. von B, no6

Hoje é dia de apreciar um dos precursores das histórias em quadrinhos: F. von B. As pranchas foram retiradas do site Konkykru e como tinham Imagem de leitura  — uma das seções deste blogue — achei muito apropriado trazê-las para cá neste domingo.  Pouco se sabe desse humorista do desenho, seu trabalho aparece depois de 1860, na Alemanha e na Áustria.  O título dessa série de seis quadros é:

‘Der schlaue Pepi – oder – Die geraubte Gans’

Pepi o astuto ou O ganso roubado [mas aqui há um trocadilho já que a palavra  Gans também significa bobo, tolo, o que faria a tradução ser O bobo roubado].

Um bom domingo para todos!







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