A arte do vidro, nessa Páscoa, ovos de Murano

31 03 2013

MURANO Lino Tagliapietra Murano glass murrina egg04_five_eggsMurano, Lino Tagliapietra.

MURANO Vintage_Archimede_Seguso_Murano_glass_Egg_18601dMurano, Archimede Seguso.

MURANO, Ludovico de Santillana 68081Murano, Ludovico de Santillana.

MURANO VENINI BLACK AND WHITEMurano, Venini.

MURANO 131346Murano, sem assinatura.

???????????????????????????????Murano, sem assinatura.

MURANO Lino Tagliapietra Murano glass murrina egg91793Murano, Lino Tagliapietra.

MURANO, LUDOVICO DIAZ DE SANTILLANA for VENINIMurano, Ludovico Diaz de Santillana, para Venini.

MURANO 131343Murano, sem assinatura.

murano art glass eggg keW8)DEg~~60_3Murano, sem assinatura.

MURANO MILLE FIORI 1514905_1_lMurano: padrão mille fiori.

MURANO 80c5e7138a9e99e7bb65f98d7068599bMurano, sem assinatura.
murano art glass 1960Murano, sem assinatura, 1960.

MURANO FERRO LORENZO img_27_lMurano, Ferro Lorenzo.

MURANO 131345Murano, sem assinatura.

MURANO MILLE-OVAL-30X25-BLK-REDMurano, padrão fiori.

MURANO VENINI 10205245_1_xMurano, dois ovos de Venini.

MURANO art glass egg erciuws

Murano, sem assinatura.
murano art glass COBALTMurano, sem assinatura.

MURANO vintage_archimede_seguso_murano_glass_egg_18600dMurano, Archimede Seguso.

Boa Páscoa! 

E façam como nós… não exagerem nos ovos!





Retrato na praia, poema de Carlos Pena Filho

31 03 2013

Emily Patrick

Joelhos de menina, s/d

Emily Patrick (Inglaterra, contemporânea)

gravura de pintura da artista

www.emilypatrick.com

Retrato na praia

Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio

ao tenuíssimo azul predominante.

Debruçada na areia e assim, diante

do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,

mormaço e sonolência. Lá, distante,

muito vagos indícios de um navio

que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza

por seu corpo salgado, enxuto e belo,

como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce por seus braços, e rodeia

seu brevíssimo e branco tornozelo,

onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Em: Melhores Poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, São Paulo, Editora Global:1983, p.80

Carlos Pena Filho

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959





Imagem de leitura — Clay Olmstead

30 03 2013

Clay Olmstead

Moça lendo, III

Clay Olmstead ( EUA, contemporâneo)

sem indicação de mídia, 61 x 71 cm

www.clayolmstead.com





Novos rumos na ficção científica?

30 03 2013

books logo rodney mathews

Ilustração de Rodney Mathews.

Um artigo interessante no Irish Times sobre a literatura de ficção científica, The new future od sci-fi,  atraiu a minha atenção nessa semana que passou.  Há muito que se fala da dificuldade de classificação das obras de ficção científica.  A fantasia e a ficção científica parecem se misturar em muitos momentos. Mas não importa, algumas obras acabam saindo da prateleira estritamente reservada às literaturas de gênero e entram para a categoria de clássicos da literatura mundial.  Desde de o século XIX que não faltam exemplos desse tipo de ficção considerada hoje parte integral, e essencial de uma boa educação.  Lá estão enfileirados nessas prateleiras  livros que estabeleceram o ramo da ficção científica  Frankenstein de Mary Shelley (1818), ao longo das obras do popularíssimo Júlio Verne, considerado o autor mais traduzido no mundo ( 148 línguas) com títulos como Viagem ao Centro da Terra (1864) Vinte Mil Léguas Submarinas (1870),  A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873). No reino da fantasia, há também exemplos brilhantes do passado: As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1726) parecem ter aberto essa porta para o mundo moderno, ainda que a tradição do gênero venha desde a antiguidade. A criação literária classificada como fantasia parece ser mais inclusiva do que a ficção científica, e conta com contribuição no século XIX, de George MacDonald com Phantastes (1858) e de diversos outros que ocasionalmente embarcaram nessa nave, como William Morris The Well at the World’s End (1892), The Wood Beyond the World (1892) livros que foram de grande influência para autores como C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien.

Mas aonde cai realmente a linha divisória que separa a ficção científica do resto da literatura?   E será essa uma questão importante?  Aparentemente escritores contemporâneos resolveram a questão simplesmente escrevendo.  E no processo não deram atenção a quaisquer limitações,  combinando a bel prazer características de ambos os gêneros para preencher suas necessidades narrativas.  O resultado é uma nova geração de escritores de ficção científica que não se enquadra perfeitamente aos moldes anteriormente determinados. Esses autores, ainda que não estejam ligados a qualquer movimento ou causa, parecem ter encontrado um meio de renovar um gênero considerado estagnado há algum tempo.  Se você está curioso faça uso da lista de autores selecionados por Gareth L Powell  para mostrar essa nova geração que é feita de escritores de diversas nacionalidades.  E  boa leitura!

Escritores:  Adam Christopher  autor de Empire State e Seven Wonders, Aliette de Bodard com a trilogia Obsidian and Blood;  Lauren Beukes autora de In Moxyland Zoo City;  Chuck Wendig com seu Black Birds ;  Lavie TidharLou Morgan,Emma Newman, com o título Between Two Thorns; Kim Lakin-Smith com o livro Cyber Circus e Tim Maughan.





O homem e seu cão, poema de Santos Moraes

29 03 2013

man-dog-woods-gina-blickenstaffHomem e cão, 2012

Gina Blickenstaff (EUA, contemporânea)

Pastel sobre papel

www.ginablickenstaff.com

O homem e seu cão

Santos Moraes

Na estrada sozinhos viajavam

Um homem e seu cão.

Não viam do dia as sombras

Nem da noite a escuridão.

Despreocupados da ignota origem

Das coisas e dos seres,

Sozinhos viajavam como irmãos,

Um homem e seu cão.

Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 39

Antônio dos Santos Moraes (BA1920) Premiado em 1960 pelo Instituto Nacional do Livro, categoria Romance. [ver também Antônio Santos Morais]

Obras:

 A Nuvem de Fogo, poesia, 1948

Tempo e Espuma, poesia,1956.

Menino João, romance, 1959

O caçador de borboletas, romance, 1963

Os filhos do asfalto, romance, 1964

Rei Zumbi e a Terra Sangra, 1965

Dois cientistas brasileiros:Rocha Lima e Gaspar Viana, biografia, 1968

Poemas do hóspede, poesia, 1969

Heroínas do Romance brasileiro, ensaio, 1971

A última viagem, romance, 1980

Sonetos e poemas, 1995





Palavras para lembrar — James Russell Lowell

26 03 2013

Maria Sherbinina (Moscou, Russia, 1965)

Leitura, 2005

Maria Sherbinina (Rússia, 1965)

óleo sobre tela, 72 x 80 cm

Maria Sherbinina

“Livros são como abelhas que levam o pólen da vida de uma mente para a outra.”


James Russell Lowell





A visita à escola, texto de Mário Sette

25 03 2013

Escola em 1879, Morgan Weistling, ost,100x150cm

Escola em 1879, s/d

Morgan Weistling (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 100 x 150 cm

www.morganweistling.com

O pano de fundo da semana que passou foi a inépcia do ENEM e de todos os nossos dirigentes quanto ao estado desastroso da educação no país.  Não fugindo a um dos objetivos desse blog (auxiliar a quem se dispõe a melhorar o ensino no Brasil) hoje posto um texto, talvez folclórico, talvez não, escrito por um escritor brasileiro que também se preocupava com a educação.  Além de ser um bom texto escolar, ele lembra aos nossos governantes que um pouco de humildade e de consideração para com o povo brasileiro estão entre as menores das requisições que ainda fazemos deles.  Que visitem as suas escolas e que se lembrem da confiança que depositamos em suas mãos quando os elegemos. A melhoria da nossa educação não é para o futuro, nem para hoje.  É para ontem…

A visita à escola

Mário Sette

Era uma escola humilde de arrabalde: sala ligeiramente caiada, movéis toscos, um desbotado mapa na parede, um crucifixo sobre a banca do professor.

As crianças, filhas de gente humilde, algumas descalças haviam chegado,tomando seus lugares, abrindo os livros, dispondo os cadernos e as canetas.

A manhã nascera ensolarada e bonita.

Pouco depois, o mestre, um senhor esguio, de maneiras calmas, batera palmas como sinal do início dos trabalhos escolares.

Um menino veio dar sua lição de leitura. Outros faziam contas nas pedras.

E, como sempre, o tempo ia passando naquela suave tarefa de aprender, no doce silêncio do arrabalde, raro a raro quebrado pelo pregão de um vendedor de frutas, pelo tropel de um cavalo.

Inesperadamente um carro parou à porta da escola. Aberta a portinhola, desceu primeiro um velho de fardão, e em seguida um homem de sobrecasaca  e cartola, de barba loura, com ares muito simples.

O professor, que o vira pela janela, ergueu-se surpreso, exclamando:

— É Sua Majestade o Imperador!

Sabia, como toda gente, ser Pedro II hóspede de Pernambuco, havia dias; não ignorava que o monarca andava visitando os estabelecimentos de ensino, sempre interessado pelo estudo.  Mas supor que fosse a modesta escola que regia também honrada com aquela visita, isso nunca supusera. Um recanto de subúrbio, tão longe da cidade, tão pobre!

O Imperador, de chapéu na mão, seguido pelo  ministro, entrara na sala, cumprimentara  ao mestre e fizera questão de se sentar ao seu lado, como simples inspetor, a fim de assistir a um pouco da aula.

Mostrava-se atento a tudo e balançava a cabeça, risonho, quando os alunos se saíam bem.

Depois, ele próprio, chamou o menino, perguntou-lhe:

— Qual o rio maior do Brasil?

E a outro:

— Faça-me esta conta de dividir.

Ainda a outro:

— Quais são os mandamento da lei de Deus?

Obtidas respostas certas, o monarca, passeando entre as bancas, examinara os cadernos de exercícios, corrigira uma letra, gabara um cursivo, acarinhara as cabeças das crianças que o olhavam cheias de espanto.

Um rei era assim tão bom e tão amigo dos pobres?! Faziam uma idéia diferente da realeza!

Afinal, o Imperador despediu-se, elogiando o professor,  prometendo-lhe melhoramentos para sua escola.

Ao sair, o professor quis beijar a mão do soberano, em sinal de respeito, mas o Imperador, com ar de bondade, dispensou-o daquela homenagem dizendo-lhe:

— Os mestres é que precisam de que os alunos lhe beijem as mãos.

Em: Encantos Literários: antologia, organizado pela Professora  Deomira Stefani,  São Paulo, Ática: s/d

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Mário Rodrigues Sette (Recife, PE 1886 — 1950) professor, jornalista, contista, cronista e romancista.  Veja: www.mariosette.com.br

Obras:

Ao clarão dos obuses, contos, 1914
Rosas e espinhos, contos, 1918
Senhora de engenho, romance, 1921
A filha de Dona Sinhá, romance, 1923
O vigia da casa grande, romance, 1924
O palanquim dourado,  romance, 1921
Instrução Moral e Cívica, didático, 1926
Sombra de baraúnas, contos,  1927
Contas do Terço, romance, 1928,
A mulher do meu amigo, novela, 1933
João Inácio, novela, 1928
Seu Candinho da farmácia, romance, 1933
Terra pernambucana, didático, 1925
Brasil, minha terra! , didático, 1928)
Velhos azulejos, parábolas escolares, 1924
Os Azevedos do Poço,romance, 1938
A moça do sítio de Yoyô Coelho, contos, s/d
Maxambombas e maracatus, crônicas, 1935
Arruar, crônicas, 1948
Anquinhas de Bernardas, 1940
Barcas de vapor, 1945
Onde os avós passaram, s/d
Memórias íntimas,s/d








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