Que São Paulo você prefere?

31 05 2013

movimento90grausDo site do Movimento 90º

Que São Paulo você prefere? – é a pergunta instigante que abre o site do Movimento 90º. Esta semana fiquei muito feliz de me familiarizar com este grupo paulista de  arquitetos, paisagistas, engenheiros e voluntários que estão promovendo jardins verticais na cidade de São Paulo.

Como muitos que seguem o blog já sabem, há algum tempo tenho colocado nesse canto, projetos urbanísticos, brasileiros e estrangeiros que advogam cidades mais verdes.  Não é nem só uma questão de estética. É sobretudo uma questão para a nossa sobrevivência nesse planeta.

O Movimento 90º criou um sistema em que módulos leves são instalados em fachadas de edifícios, a 5 cm das empenas cegas,  para receber as plantas.  Estes módulos, que recobrem a parede sem janelas, forma o jardim vertical. [Recentemente essas paredes sem janelas, foram assunto de um excelente filme argentinosobre o amor virtual chamado Medianeras.]

A verticalização do verde nas grandes cidades ainda é mais popular na Europa do que no Brasil, mas precisamos de grupos como o Movimento 90º para difundirmos a idéia e também a estética.

Guil Blanche, diretor-executivo do movimento paulista, começou a desenvolver a técnica dos jardins verticais em 2009.  E perambulando pela cidade, observou que São Paulo poderia ser o lugar perfeito para a popularização desse tipo de intervenção ecológica.

A percepção de espaços vazios, que tecnicamente são chamados de empenas cegas, estas paredes nos prédios que não têm janelas, sempre que eu olhava para aquilo, eu pensava: ‘aí cabe um jardim vertical’“, lembra ele.  “E estas paredes catalizam os problemas da cidade, refletem o barulho, esquentam a cidade. O jardim vertical poderia habitar estes lugares“.

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A instalação é feita por especialistas em andaimes. As plantas são colocadas em módulos impermeáveis, feitos de materiais reciclados – como tubos de pasta de dente e embalagens de leite -, forrados com camadas de um tecido grosso parecido com feltro e presos à parede.

Se o jardim vertical é bem feito, se as plantas são escolhidas por um profissional capacitado, temos uma perda de plantas muito pequena“, afirma João Pedro Chilli David, membro do  conselho executivo do Movimento 90º. “A manutenção, no decorrer do tempo, é a irrigação – que é à pilha ou elétrica, depende da estrutura do prédio – e a fertilização, que pode ser manual. Mas preferimos que seja automatizado, embutido no sistema de irrigação e aí, de três em três meses ou de seis em seis, você abastece o sistema“, acrescentou.

É bom lembrar que os jardins verticais não são só bons para a cidade e para o meio ambiente.  Na verdade o primeiro a ganhar com esses jardins é o morador do próprio prédio, pois estas “paredes verdes”  diminuem o calor absorvido pelo prédio, abafam o barulho das ruas e melhoram a qualidade do ar.  Então gasta-se menos dinheiro com a conta de luz, porque ligamos o ar-condicionado com menor freqüência, dormimos melhor com os sons da rua abafados e ainda respiramos um ar mais puro!

E além dessas vantagens todas, há o valor estético.  Os jardins verticais melhoram a aparência dos prédios.

O Movimento 90º está bastante atarefado.  O grupo já instalou alguns destes jardins em fachadas de uma escola e de lojas adjacentes na rua Augusta, região central de São Paulo.Querem agora levar mais jardins verticais para as paredes de grandes prédios da região central da cidade.

O movimento tem a intenção de transformar a cidade ocupando estas empenas cegas, estas paredes de prédios sem janelas“, disse Guil Blanche.

A iniciativa de usar espaços desocupados de prédios da cidade para criar novas áreas verdes já vem sendo testada de outras maneiras em outros prédios em São Paulo.  Mas eles não estão sozinhos nessa campanha de esverdear a paisagem paulistana.  Há outros que tem se dedicado às plantações nos telhados de edifícios.  No telhado do Shopping Eldorado, por exemplo,  também na zona oeste da cidade, há um ano a administração criou uma horta usando o composto resultante da reciclagem dos restos da praça de alimentação.

Com o uso de um produto criado pelo laboratório mineiro BioIdeias, o processo de transformação dos restos de alimentos em adubo foi acelerado. Na horta já houve uma colheita de alfaces, berinjelas, pimentas e ervas. Atualmente, a plantação ocupa uma área de mil metros quadrados, mas o objetivo é expandir a horta para ocupar todos os 9,8 mil metros quadrados do telhado do shopping.

Você também pode apoiar o Movimento 90º.  Para informações e doações, clique aqui.

FONTE: BBC Brasil





Quadrinha da minha esperança

29 05 2013

plantas, elizabeth shippen greenIlustração Elizabeth Shippen Green.

Plantei num vaso a esperança,

reguei de amor e carinho,

em vez da flor confiança,

nasceram dores do espinho.

(Luiz Pereira de Faro)





Os vagalumes, texto de Graça Aranha

28 05 2013

vagalumes na naturezaVagalumes na natureza. Autoria da foto, desconhecida.

Os Vagalumes

Graça Aranha

Os primeiros vagalumes começavam no bojo da mata a correr suas lâmpadas divinas. No alto, as estrelas miúdas e sucessivas principiavam também a iluminar. Os pirilampos iam-se multiplicando dentro da floresta, insensivelmente brotavam silenciosos e inumeráveis nos troncos das árvores, como se as raízes se abrissem em pontos luminosos. A desgraçada, abatida por um grande torpor, pouco a pouco foi vencida pelo sono; e deitada às plantas da árvore, começou a dormir… Serenavam aquelas primeiras ânsias da Natureza, ao penetrar no mistério da noite. O que havia de vago, de indistinto, no desenho das cousas, transformava-se em límpida nitidez.  As montanhas acalmavam-se na imobilidade perpétua; as árvores esparsas na várzea perdiam o aspecto de fantasmas desvairados… No ar luminoso tudo retomava a fisionomia impassível. Os pirilampos já não voavam, e miríades deles cobriam os troncos das árvores, que faiscavam cravados de diamantes e topázios. Era uma iluminação deslumbrante e gloriosa dentro da mata tropical, e os fogos dos vagalumes espalhavam aí uma claridade verde, sobre a qual passavam camadas de ondas amarelas, alaranjadas e brandamente azuis. As figuras das árvores desenhavam-se envoltas numa fosforecência zodiacal. E os pirilampos se incrustavam nas folhas e aqui, ali e além, mesclados com os pontos escuros, cintilavam esmeraldas, safiras, rubis, ametistas e as mais pedras que guardam parcelas das cores divinas e eternas. Ao poder dessa luz o mundo era um silêncio religioso, não se ouvia mais o agouro dos pássaros da morte; o vento que agita e perturba, calara-se… Maria foi cercada pelos pirilampos que vinham cobrir o pé da árvore em que adormecera. A sua imobilidade era absoluta, e assim ela recebeu num halo dourado a cercadura triunfal; e interrompendo a combinação luminosa da mata, a carne da mulher desmaiada, transparente, era como uma opala encravada no seio verde de uma esmeralda. Depois os vagalumes incontáveis cobriram-na, os andrajos desapareceram numa profusão infinita de pedrarias, e a desgraçada, vestida de pirilampos, dormindo imperturbável como tocada de uma obra divina, parecia partir para uma festa fantástica no céu, para um noivado com Deus… E os pirilampos desciam em maior quantidade sobre ela, como lágrimas de estrelas. Sobre a cabeça dourada brilhavam reflexos azulados, violáceos, e dali a pouco braços, mãos, colo, cabelos, sumiam-se no montão de fogo inocente. E vagalumes vinham mais e mais, como se a floresta se desmanchasse roda numa pulverização de luz, caindo sobre o corpo de Maria até o sepultarem numa tumba mágica. Um momento, a rapariga inquieta ergueu docemente a cabeça, abriu os olhos que se deslumbraram. Pirilampos espantados faíscavam relâmpagos de cores… Maria pensou que o sonho a levara ao abismo dourado de uma estrela, e recaiu adormecida na face iluminada da Terra…

Texto do romance Canaã, de Graça Aranha, publicado pela primeira vez em 1902.  Em domínio público.





São Paulo Moderno, poesia de Corrêa Júnior

27 05 2013

anhangabau-yugo-mabe, 2007, 60x73astAnhangabaú, 2007

Yugo Mabe (Brasil, 1955)

acrílica sobre tela, 60 x 73 cm

São Paulo Moderno

Corrêa Júnior

São Paulo! Jardim florido

de mil lendas imortais!

Chão vermelho, colorido,

qual manto de ouro estendido

à sombra dos cafezais.

São Paulo! Vales e montes

por onde em festas, se vê

surgirem ninhos e fontes…

São Paulo! Viadutos. Pontes.

Rios de glória… O Tietê…

São Paulo! Léguas de asfalto

entre paineiras em flor…

Arranha-céus, no planalto,

e a garoa, lá no alto,

enchendo os céus de esplendor!

São Paulo! Estradas imensas

onde a lavoura sorri…

Berço de sonhos e crenças!

Quanta poesia condensas!

Quanta fé nos vem de ti!

Em: Terra Bandeirante: a história, as lendas e as tradições do Estado de São Paulo, 3º ano primário, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Editora Agir: 1954.

Lucídio Corrêa Júnior (Brasil, 1900 – 1940) Nasceu em Curitiba no estado do Paraná.  Foi poeta e radialista.





O verde do meu bairro: Manacá-da-serra

26 05 2013

DSC00003Manacá-da-serra, nos jardins de um edifício.  Rio de Janeiro

Fico sempre muito alegre quando vejo jardins de edifícios no Rio de Janeiro ornamentados com plantas tropicais nativas.  Vejam só que bonito que ficou esse Manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis Cogn) na frente de um edifício.  Essa é uma pequena árvore brasileira, semi-decídua, nativa da mata atlântica. Muito popular nos jardins das casas do início de século XX, caiu de moda por algumas décadas e parece agora estar sendo lembrada pelos paisagistas cariocas.

Ela é uma árvore de porte pequeno a médio, perfeita para um cantinho de jardim por causa de suas flores de duas cores.  Crescida, madura pode chegar até 12 metros de altura e não menos que 6.  Suas folhas são verde-escuro, mais compridas do que largas e as flores de seis pétalas são relativamente grandes, e se destacam de encontro ao fundo verde escuro da folhagem. Quando nascem são branquinhas mudando de cor com o amadurecimento até tornarem-se de cor violeta.  Têm seis pétalas.  Isso faz com que seja uma árvore florida com flores de duas cores, o que faz com que muitos, erroneamente acreditem que a árvore é fruto de enxerto. Os livros de jardinagem dizem que  as flores aparecem no verão.  Mas aqui no Rio de Janeiro elas aparecem agora, no meio do outono.

É uma árvore que poderia ser mais utilizada no Rio de Janeiro já que suas raízes não iriam suspender as pedrinhas portuguesas das nossas calçadas. O Manacá-da-serra gosta de sol, de bastante sol. E é claro de solo fértil.

DSC00001





Quadrinha do pai sisudo

20 05 2013

grandpa

Aquela grande energia,
de pai sisudo e correto,
o transformou, belo dia,
em cavalinho do neto…

(Nair Starling dos Santos Almeida)





Como o canto do galo anuncia a manhã?

19 05 2013

Galo, Mary Ann CaryGalo, ilustração de Mary Ann Cary.

O canto do galo, co-co-ri-có, tão conhecido por ser cantado nas primeiras horas da manhã foi estudado pelos cientistas japoneses Tsuyoshi Shimmura e Takashi Yoshimura, da Universidade de Nagoia.  Estes cientistas determinaram que os galos cantam ao amanhecer porque seu relógio biológico reconhece as horas.  Embora a luz natural também seja uma influência, os próprios galos têm um ritmo circadiano, ou seja um relógio biológico que os faz cantar ao amanhecer.

Vários galos foram estudados sob uma luz artificial permanente.  No entanto eles sempre cantavam pouco antes do amanhecer.  Isso mostrou que eles agem influenciados por seus relógios biológicos.  Outros fatores tais como o aparecimento da luz quando o sol nasce ou o canto de outras aves, também influem, mas não são as causas do canto do galo.

Em muitos países o canto do galo é o símbolo da chegada da manhã. Mesmo assim não é raro ouvirmos o canto do galo em outras horas do dia. Portanto ainda não está claro se o canto do galo é dependente exclusivamente do relógio biológico, ou se pode ser também provocado pelo meio ambiente. O que é mostrado nesse estudo, publicado na revista Current Biology é que o canto do galo antes do sol nascer é engatilhado pelo relógio interno dessas aves.

Em: Terra








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