FLIP: equilíbrio entre a política e a arte literária?

9 07 2013

?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????A discussão, 1959-60

Renato Guttuso (Itália, 1911-1987)

têmpera, óleo e jornal sobre tela, 220 x 249 cm

Tate Gallery, Londres

A questão lançada pela FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty) para o resto do ano: qual é o ponto de equilíbrio entre o debate literário e a política?

Com Graciliano Ramos homenageado seria impossível deixar de falar de política em Paraty.  Além disso, as demonstrações nas ruas do Brasil durante a Copa das Confederações fizeram-se lógicos assuntos de conversa.   Mas ter a política como assunto predominante na feira  foge do que há de melhor nesse encontro, que é a celebração da arte literária.  Concordo com John Bainville.  Quando questionado sobre a política e a literatura foi claro ao afirmar que “Não dá pra misturar arte e política, porque acaba saindo arte política e política ruim“.

É claro que todos que queiram usar suas habilidades artísticas a serviço da política têm o direito de se manifestar dessa forma, mas em geral, a arte com mensagem política ou social, raramente chega a ser de boa qualidade.  E frequentemente perde o frescor e a originalidade. Em literatura, a política torna o texto  fugaz, com data de validade.

E a pergunta continua válida: haverá mesmo a necessidade de se saber o que um romancista pensa da política?  De que lado político ele vê o mundo? Não acredito nisso.  A obra deve se sustentar por si só.  Boa ou ruim,  liberal ou conservadora, marxista ou capitalista.  Não importa, o que fica é a obra.








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