Quadrinha da despedida

31 10 2013

trem passando pela fazendaIlustração, autoria desconhecida.

Lenços brancos, acenando,

para a Maria Fumaça,

que vão, também retirando

o “cisco” que o olhar embaça!

(Therezinha Radetic)





Palavras para lembrar — Romain Rolland

31 10 2013

Kik Zeiler (Holanda, 1948) in slaap gevallen, 1989, ost,44 x61cmCaída de sono, 1989

Kik Zeiler (Holanda, 1948)

óleo sobre tela, 41 x 66 cm

www.galeriemokum.com

“Nunca lemos um livro. Nós nos lemos através dos livros, seja para nos descobrirmos, seja para nos controlarmos”.

Romain Rolland





Curiosidade sobre a cenoura e a Holanda

31 10 2013

sir-nathaniel-bacon-cookmaid-with-still-life-of-vegetables-and-fruit-c-1620-5Cozinheira com natureza morta de legumes e frutas, c. 1620-1625

Sir Nathaniel Bacon (Inglaterra,1585-1627)

óleo sobre tela, 151 x 247

Tate Gallery, Londres

A cenoura existe em diversas cores. Elas podem ser brancas, amarelas, negras, roxas ou vermelhas.  As de cor laranja, mais comuns na nossa mesa, são um cultivo especial que provavelmente foi desenvolvido na Holanda,  no século XVI.  Dizem os holandeses que elas foram criadas para honrar a Casa de Orange, que liderou a revolta holandesa contra a Espanha e mais tarde se tornou a família real do país. A cor laranja ainda é a cor oficial da Holanda e também é a cor oficial da camisa do time de futebol daquele país, além de ser um símbolo do patriotismo no país.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

30 10 2013

CARLOS OSWALD (1882 – 1971) Natureza Morta – Óleo s tela – 56 x 70 cmNatureza morta, s/d

Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)

óleo sobre tela, 56 x 70 cm





O branco e o timbira, poesia de Bruno Seabra

30 10 2013

josé teófilo de jesus , (Brasil, 1757-1847)indio com animais,América

José Teófilo de Jesus (Brasil, 1758-1847)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

Museu de Arte da Bahia, Salvador

O branco e o timbira

(Indígena Brasileiro)

Bruno Seabra

—-

O branco disse ao timbira:

— Não me inspiram, sertanejo,

Estes bosques, estas matas;

— Nem eu vejo

De que te ufanes aqui:

Vem comigo — minha terras

Tem mais lindas variedades

Vida, amor, ouro, prazeres,

Nas cidades

Tudo enfim, terás — ali. —

O timbira disse ao branco:

— Cariúra, deixa a cidade,

__ Vem viver co’o sertanejo,

Aqui tens a liberdade.

(1858)

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 5, de outubro de 1859, p.69. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 9





Imagem de leitura — Orrin Peck

29 10 2013

OrrinPeck (EUA,1860-1921)Janet lendo, 1885

Orrin Peck (EUA, 1860-1920)

óleo sobre madeira

Coleção Particular





Os hábitos de antigamente

29 10 2013

F1.medium

Menino com ganso, século II da EC [Era Comum]

Mármore, cópia romana de bronze grego do sec III AEC.

Turquia

Há poucos dias postei uma poesia da Baronesa de Mamanguape, senhora conhecida pelos saraus de música e poesia no Rio de Janeiro do final do século XIX.  Aproveitei para divulgar  sua biografia numa pequeníssima nota vinda do Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001.  [Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002.]  Mas me surpreendi ao ver que a Sra. Baronesa havia se casado aos 13 anos.  Hoje consideramos 13 anos uma idade de formação e não olhamos com bons olhos a família que permite o casamento de uma criança…  Só porque o hábito de casar a jovem menina na época de sua maturidade física é antigo, não quer dizer que está certo. É para isso que evoluímos e que descobrimos o melhor momento, tanto físico quanto emocional, para um casamento. E vemos como quase barbárie culturas que,  ainda hoje,  permitem e aprovam esse comportamento, justificado para que o marido tenha certeza da inexperiência sexual da menina em questão.

Como um dos meus passatempos é ler sobre a civilização romana, lembrei-me que na Roma antiga também se casava meninas aos 13 ou 14 anos, quando nem bem tinham deixado os brinquedos de lado. Sim, as crianças romanas, como as de hoje, brincavam bastante.  As meninas tinham bonecas, muitas delas até com membros articulados. Apesar de Roma ter sido uma grande civilização da qual herdamos muitos dos nossos valores, das nossas casas, dos nossos hábitos de higiene, das nossas cidades, não gostaríamos, tenho certeza, de repetir as experiências de uma jovem romana, digamos do século I da Era Comum. Era uma vida muito difícil.  A mulher, e consequentemente a mãe, era menos importante que o pai. Este por sua vez tinha o poder de vida ou morte sobre qualquer membro da família. Quando um bebê nascia era colocado aos pés do pai.  Se este pegasse o bebê no colo, o bebê tinha a permissão implícita de viver. Mas se fosse ignorado pelo pai, não teria a sorte de continuar vivendo.

Às mulheres cabia a organização do lar, as refeições eram feitas por elas ou a seu encargo se a família tivesse meios financeiros de manter um escravo. Elas também eram responsáveis pela educação das crianças.  Muitos casamentos aconteciam quando as meninas faziam 14 anos e eram arranjados pela família de acordo com o melhor  ajuste financeiro ou político para os pais. O amar, o gostar, a escolha da jovem, nada disso era levado em consideração.  E ainda,  os homens podiam se divorciar de uma mulher se esta não lhes desse pelo menos um filho homem. Muitas mulheres morriam jovens também (às vezes antes dos 30 anos) muitas vezes porque dar a luz a um bebê poderia ser uma atividade perigosa, nem sempre havia meios de se assistir a um parto com complicações e morriam mãe e bebê.  Doenças também eram mais comuns do que hoje. 

Não acho que não trocaríamos a vida de hoje pela de ontem.  Ainda bem que aprendemos com as lições do passado.  Essa é uma boa razão para estudarmos a história.





Trova da liberdade

29 10 2013

Liberdade, Emiliano PonziIlustração, Emiliano Ponzi.

Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a niguém ofender,

nem magoar o coração.

(Durval Lobo)

Em: O sabiá dos sabiás: homenagem ao 1º centenário de nascimento de Adelmar Tavares, Academia Brasileira de Trova, Rio de Janeiro, 1988, p. 42





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

28 10 2013

barco, Franklyn M. BranleyIlustração, Frank M. Branley.

“Levanta tua vela dez centímetros e ganharás um metro de vento!”





Uma manhã, texto de Pardal Mallet

28 10 2013

ELISEU VISCONTI, LEITURA OST, 1917, 56X46 COL PARTLeitura, 1917

Eliseu Visconti (Itália, 1866 – Brasil,1944)

óleo sobre tela, 56 x 46 cm

Coleção Particular

“Como no relógio da parede soassem quatro horas, Nenê, num movimento de desânimo, deixou escorregar-lhe pelo corpo abaixo o jornal que estava a ler distraidamente. Algum pensamento triste acabrunhava-a. Tanto que por sob as madeixas sedosas da franja adivinham-se umas rugazinhas pequeninas a franzir-lhe a testa, aproximando-lhe os sobrolhos levemente arqueados. Veio-lhe um gesto grande de inquietação e com o pezinho delicado batia febrilmente no assoalho. Depois o braço torneado e alvadio, nas curvaturas graciosas fortemente desenhado pela manga estreita do casaco, apoiou-se ao encosto da cadeira de balanço para suster mais comodamente a cabeça gentil dos traços finos numa pureza ideal de Juno. E dali seus olhos verde-azulados — imensos lagos de ternura a desafiar os pescadores do amor, volveram-se languidamente, absortos na contemplação daquele quadro holandês todo feito com a mansuetude da vida caseira.

A luz viva de um sol, que ao termo da viagem galopava ligeiro com pressas de pernoitar na grande hospedaria do ocaso, entrava francamente pelas janelas abertas clareando aquele salão de gosto antigo, de uma grande prodigalidade de madeiras severas e embaciadas, sem o falso brilho dos vernizes. No fundo escuro paredes forradas em imitação de grandes panos de carvalho embutidos em largos caixilhos de mogno; e a harmonizar-se com elas uma pesada mobília Luís XIV de altos espaldares cheios de obras de entalhe. Apenas como nota vibrante e alegre — o refrangir dos cristais e dos serviços de eletro-prata a rebrilhar no grande armário envidraçado; e no centro da casa a mesa elástica já convenientemente preparada para o jantar com a toalha alvejante e o branco luzidio dos pratos dentre os quais se erguia, a tocar quase no lustre bronzeado, a fruteira de bacará — pirâmide alaranjada que se terminava floridamente num grande ramo de crótons.

No meio deste espetáculo, como a imagem da vida, sonolenta nas paixões, petrificada em sua impassibilidade, o vulto nobre e altivo de d. Augusta. Sentada junto à janela oposta, em uma cadeira baixa a contrastar com a uniformidade da mobília, tendo junto a si uma pequena mesa de costura sobre a qual repousava uma cestinha de vime, entretinha-se em alinhavar umas camisinhas de criança que ia jogando no chão à medida que as aprontava. Suas mãos longas e delicadas de aristocrata moviam-se em grande volubilidade. E por sobre tudo isto a sua cabeça de velha que atravessou uma existência calma, nua de desgostos, conservando a sua pele acetinada, tendo apenas branqueado os cabelos ao suceder dos anos.

Uns cabelos formosos e bastos que penteava em grandes bandos por cima das orelhas às quais se suspendiam uns compridos brincos de charão.

E Nenê esquecia-se do tempo. Achava aquilo tão bonito. Vinha-lhe uma sensação boa de felicidade a beijar-lhe o colo quase nu sob o rendilhado do casaco. Encolhe-se toda na cadeira num gesto elegante de gata friorenta e deixou que o seu olhar boiasse a flux do lago de mansidões. Para que incomodar-se? Ela sentia-se tão bem naquele descanso do organismo inteiro. Demais não estava com fome. Não valia a pena inquietar-se por tão pouco. O jantar podia muito bem ser demorado um bocadinho. E deixou que a embalasse o oscilar da cadeira, seu pezinho delicado surgindo de entre as saias a desenhar-lhe os contornos sensuais da perna”

[Prim-

Em: O Hóspede, Pardal Mallet, Rio de Janeiro:1887, primeiro capítulo, EM DOMÍNIO PÚBLICO








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