Flores para um sábado perfeito!

19 10 2013

AUGUSTO HERKENNHOFF,Vaso de Flores,ost,60 x 80 cmVaso de flores

Augusto Herkenhoff (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm





Música e sucesso de mãos dadas

19 10 2013

Cláudio Dantas ( Brasil, contemporâneo) Sonata em sol, 2010, ost, 70 x 100Sonata em sol, 2010

Cláudio Dantas (Brasil, 1959)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

No fim de semana passado  li o artigo Is music the key to success? de Joanne Lipman no The New York Times, onde a autora relata um fato curioso: muitas das pessoas de sucesso nos EUA tiveram anos e anos de dedicação à música.  E mesmo que não tenham levado adiante a profissão de músico — os exemplos são muitos: Condolezza Rice, Allan Greenspan, Bruce Kovner entre outros – essas pessoas se  referem à educação musical como importante em suas vidas profissionais.

Levando em consideração as  diferentes interpretações de  sucesso, gostaria de me adicionar à lista das pessoas que sentem que a educação musical foi importante no desenvolvimento profissional. Tenho consciência, já há muito tempo, que por menores que sejam as minhas conquistas pessoais, todas foram, até certo ponto, conseqüência de dois treinos que recebi muito cedo: o estudo de uma língua estrangeira, no meu caso o francês, que comecei a estudar aos 9-10 anos; e os anos de aprendizado do piano, começados mais ou menos aos 11 anos, o que já era considerado ‘tarde’ quisesse eu ter me dedicado a uma carreira musical como pianista.

O primeiro ensinamento que esses  cursos  extra-curriculares me deram foi: disciplina, disciplina, disciplina.  Segundo: repetir, repetir, repetir até fazer certo.  Depois, “errar é aprender”. E voltar a fazer a mesma coisa, inúmeras vezes, e uma vez mais ainda quando a língua ou os dedos já estão cansados, quando a exaustão parece querer nos dominar,  até  fazer certo.  Isso foi válido para o francês e certamente para o piano.

Ingres Speltri - Violinos - Óleo sobre madeira - 50 x 70 cm - 2008Violinos, 1998

Ingres Speltri (Brasil, 1940)

óleo sobre madeira, 50 x 70 cm

O francês se tornou a minha segunda língua e só não se impôs mais fortemente, porque fui fazer todo o meu treino profissional como historiadora da arte nos Estados Unidos.   Mas o piano foi mais do que um hobby, muito mais do que uma complementação na educação, ele foi meu amigo do peito na adolescência, lugar onde derramei as lágrimas de frustração e de alegria como jovem rebelde. Ambos os treinos vieram a ser essenciais na minha vida adulta.  Fui fazer a faculdade de letras em francês que abandonei para seguir história da arte, onde eventualmente acabei envolvida com diversos períodos da arte belga, cultura parcialmente francófona.

O piano permaneceu como uma enorme ferramenta para a introspecção.  Diferente dos que se dedicaram por um pouco mais de dez anos de aprendizado, nunca cheguei a ser uma grande intérprete.  De todos os compositores para tocar prefiro Bach. De longe.  Porque faz sentido. É lógico.  Ele acerta os meus ponteiros internos.

Mas – e agora é que vem o ponto estranho do meu relacionamento com o piano – sempre me dediquei mais aos exercícios de escalas do que a qualquer outro tema. Poderia e posso passar umas quatro horas ao piano aumentando as dificuldades a cada volta, sem me aborrecer [certamente devo frustrar os que por acaso me ouvem]. Não sou uma pessoa dedicada à música como performer;  sou uma pessoa dedicada ao encantamento  provocado pela repetição de uma escala, com variações cada vez mais difíceis, quando meus dedos mecanicamente repetem os movimentos ao correr do teclado,  repetidamente, incessantemente.  Há cinco anos pratico ioga e a meditação.  O resultado é semelhante. Não é igual.  Acredito que o efeito dessa disciplina, da repetição do som e do exercício das mãos, seja como rezar o terço, o rosário, em voz alta, nas igrejas.  Há aquela magia do som repetido infinitamente,  a muitas vozes, um coro ritmado e mecânico, que eleva a alma, e a leva à outra realidade, que não é desse mundo, que não é de outro mundo, é entre – mundos.  Preciso desse lugar para equilibrar o meu interior, minhas emoções, diariamente.








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