A cor púrpura dos imperadores

4 12 2013

Jean-Leon_Gerome_Pollice_VersoPollice Verso, 1872

Jean-Leon Gerôme (França 1824-1904)

óleo sobre tela

Museu de Arte de Phoenix, Arizona

A cor roxa era um símbolo de status na antiga Roma: só os imperadores tinham direito a usá-la.  A cor imperial, uma tintura especial feita de conchas marinhas do molusco Murex, era importada da cidade de Tiro no Líbano. Os fenícios tinham o monopólio sobre esta tintura roxa, feita pelo esmagamento milhares de conchas do mar chamadas de Murex Mediterrâneo.  E porque era bastante rara, essa cor foi reservada, em muitas culturas da antiguidade para a realeza ou nobreza. Na época do Império Romano era considerada uma traição se qualquer pessoa que se vestisse totalmente de roxo.  A trábea, uma toga totalmente púrpura e usada em ocasiões especiais, só podia ser vestida pelo imperador.  Só as estátuas de deuses podiam dividir esse privilégio dos imperadores: portar a cor púrpura.  Mas, é bom lembrar que o imperador romano era um associado dos deuses. Mortais,  como reis, senadores, jovens filhos de senadores, profetas e alguns outros sacerdotes importantes foram autorizados a ter listras roxas em suas togas. A largura da faixa variava de acordo com o seu status. O roxo era uma honra exclusiva do imperador.

Como eram necessários milhares – dizem que até 10.000 – moluscos Murex para tingir uma única toga, a tintura roxa valia muito dinheiro e, portanto, passou a simbolizar tanto a riqueza como o poder.  As leis suntuárias romanas foram impostas para conter as despesas das pessoas em relação à alimentação, entretenimento e roupas.  Elas também  estabeleceram que só o imperador podia usar a toga púrpura. As leis suntuárias eram também uma maneira fácil e imediata de identificar posição e privilégio.  As penalidades de violação dessas leis poderiam ser duras: multas, perda de bens, títulos e até mesmo a vida. Com elas a estrutura de classes se manteve completamente independente da riqueza de uma pessoa.

Na verdade, a cor púrpura para tingir tecidos se manteve rara e muito cara até meados do século XIX.  Em 1856, o jovem químico inglês William Henry Perkin criou acidentalmente um composto sintético roxo durante uma tentativa de sintetizar o quinino, uma droga usada contra a malária. Ele observou que o composto podia ser usado para tingir tecido e patenteou o corante que começou a fabricar como anilina roxa e púrpura de Tiro.  Fez uma grande fortuna com isso.


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