Meus caros portugueses, o que se passa?

29 04 2014

 

 112_2830-alt-pratorioFoto da coluna Ancelmo Gois do jornal O GLOBO: Prato da Cia Vista Alegre.

 

Foi com muito pesar que vi hoje no jornal O GLOBO, do Rio de Janeiro, na coluna do jornalista Ancelmo Gois, a foto acima de um prato da prestigiada companhia portuguesa de porcelanas, Vista Alegre. Por seu desenho,  o prato reforça atitudes que testemunhei, quando morei em Portugal, e que preferi deixar de lado ou ignorar, por achar que eram só as mentes pequenas que as abrigavam.  Falo de atitudes que demonstram uma perene má vontade dos portugueses, principalmente dos mais abastados, com o Brasil e brasileiros.  Esses sentimentos afloraram quando reconheci que na chamada “homenagem ao Rio de Janeiro” o desenho do prato fotografado, no tradicional azul e branco, mostra vinhetas com revolveres como se essas armas fossem uma característica carioca.  Essas pequenas vinhetas preconceituosas me lembraram de outros pequenos incidentes, semelhantes, que testemunhei nos anos que morei em Coimbra. Fiquei, na época, pasma de sentir uma surda mas presente  intolerância lusitana com o Brasil, uma espécie de desagravo que não entendo e não me parece conveniente a nenhum dos dois países.

O prato, como explicado no jornal, foi feito para comemorar o Rio de Janeiro, cidade fundada por portugueses que, quase 500 anos depois, retém características muito chegadas às das cidades de além-mar.  O Rio de Janeiro, tanto a cidade quanto o estado, é um dos locais no mundo que melhor demonstra a colonização portuguesa. Nossas similaridades são inesgotáveis desde localização de igrejinhas nos topos das montanhas, ao calçamento de pedrinhas portuguesas que desafiam a lógica e a praticidade.  Da língua que falamos e com a qual nos comunicamos, ao bacalhau que comemos no Natal e na Páscoa. O Rio de Janeiro é, pode-se dizer, um tributo vivo à cultura portuguesa. Aqui estão as raízes de tudo que os portugueses semearam. Do bom e do que não presta.

 

112_2830-pratoportugues

Ao contrário da proximidade emocional, política e social que existe entre a Inglaterra e os Estados Unidos, e aqui posso falar com familiaridade sobre os dois países, Portugal parece evitar cumplicidade semelhante com o Brasil, uma cumplicidade que em geral existe entre membros da mesma família e amigos, aquela que acredita no respeito mútuo.   O sentimento que existe entre britânicos e norte-americanos rende inimaginável que, digamos, a Royal Crown Derby, importante fábrica de porcelana inglesa, produza semelhante desenho em seus pratos comemorativos sobre Nova York, mesmo que legislação a sobre o uso de armas de fogo nos Estados Unidos seja completamente diferente daquela encontrada em solo inglês. É um descompasso, é revoltante que essa propaganda contra o Rio de Janeiro, contra o Brasil, esteja veiculada a uma das mais importantes marcas de porcelanas portuguesas (eu ia dizer do mundo, mas a minha revolta pede que eu diminua o tamanho da Vista Alegre, afinal a mentalidade da companhia parece pequena).

Convido brasileiros e portugueses esclarecidos que mostrem o seu desgosto com esse golpe baixo contra a imagem do Rio de Janeiro.  Completamente desnecessário. E seria bom que os portugueses que demonstram preconceitos contra brasileiros, que se olhem no espelho, porque muito do ruim que acontece por cá teve origem, tem raízes e encontra alma gêmea em Portugal.  Uma boa ideia seria não comprar a porcelana Vista Alegre. Afinal, há outras porcelanas no mundo tão boas quanto ou até melhores.


Ações

Informação

22 responses

29 04 2014
Valéria Miguez (LELLA)

Ainda quero crer que esse foi um único de uma série onde outros mostraram as belezas do nosso Rio de Janeiro.
Por outro lado sobre o ponto de vista histórico vale lembrar que os primeiros portugueses que para cá fizeram morada, foram em grande maioria criminosos. Então a outra parte mim prefere acreditar que essa “homenagem” tenha sido para esses conterrâneos. 🙂

29 04 2014
peregrinacultural

Criminosos, judeus, qualquer um que tivesse se dado mal com o governo. Sinto muito pela escolha desse desenho. Sou descendente direta de portugueses, tenho até o direito de requisitar a cidadania portuguesa se quisesse, talvez seja por isso que esse péssimo julgamento por parte da Vista Alegre tenha me enfezado tanto. No Facebook alguém disse que o designer era brasileiro. Isso não justifica. Para levar a assinatura Vista Alegre, alguém da companhia teve que aprovar. Foi uma péssima decisão. 🙂

29 04 2014
RAA

Cara Ladyce, já tinha começado a comentar, quando fui ler a notícia. E graças a um leitor fiquei a saber isto:

«Caro Anselmo, neste caso, o designer é Brunno Jahara, carioca nato, morador do Mundo Novo. A violência, infelizmente, é bem mais realidade do que estereótipo de gringo, como nós cariocas sabemos. Já o trabalho do Brunno estar nas vitrines portuguesas, e ter sido encomendado por uma marca forte da terrinha como a Vista Alegre, é um sinal de que o design nacional tem ganhado força.»

Devo dizer-lhe que, antes de saber, que o designer era carioca, tinha achado imensa graça ao motivo. Era uma forma ligeiramente irónica de tratar um problema social muito grave que é vosso — embora achasse compreensível que alguns brasileiros pudessem ficar melindrados,mesmo que involuntariamente por parte da VistAlegre. Quando soube que se tratava de um artista brasileiro, achei o máximo do melhor espírito crítico e de auto-ironia que todo o artista, creio, deve ter.

Este é um assunto que eu gostaria de debater larga e longamente com amigos brasileiros, e faço com todo o à vontade, até porque, não sei se se lembra, sou neto de uma mulata brasileira.

Os desencontros entre portugueses e brasileiros não são de agora, como sabe melhor que eu. Coimbra, onde você viveu, é uma cidadezeca de província e como todas as cidadecas provincianas, portuguesas, brasileiras, inglesas ou norte-americanas têm horizontes curtos. No caso de Coimbra, a maior parte dos professores e dos alunos da velha universidade não são de lá, mas de Lisboa, do Porto e do resto do país.

O autor da notícia queixa-se do esteriotipo, quando não conheço atitude mais estereotipada para com os portugueses do que os brasileiros, descendentes dos portugueses…

Os exemplos são múltiplos, como sabe, dos mais inocentes aos mais dolosos, e reflectem-se no próprio comportamento colectivo de muitos dos seus compatriotas. (Tal como cá há palermas xenófobos, normalmente gente básica e pouco instruída que olham para o brasileiro comum como um potencial bandido ou uma potencial prostituta…)

Um caso inocente de estereotipo: o bom do Maurício de Souza (ou um colaborador) criou a personagem do Zé Português. Para além da graça do cabelo dele ter a forma de um bigode do século XIX, ele falava como os portugueses não falam, mas como (alguns) brasileiros pensam que os portugueses falam. As revistas da Mônica são largamente lidas por cá, e uma companhia da dimensão da MSP tinha a obrigação de ter trabalhado melhor. Mas, aqui, depois de toda a imprensa ter anunciado a nova personagem, não li nenhuma reacção, negativa ou positiva, ao assunto. Provavelmente não ligaram nenhuma, e fizeram bem.

Um caso grave: quando dos 500 anos da viagem do Cabral, o nosso presidente de então, Jorge Sampaio, um homem respeitável e respeitado, foi ao Brasil, como seria normal. O ambiente criado foi confrangedor, e, não havendo razão, do meu ponto de vista, para o Brasil pedir desculpa ao presidente da República e a Portugal, não sei se as autoridades de então (o presidente era o grande FHC), assumiram em conjunto com Portugal as responsabilidades no extermínio dos povos autóctones, um dos mais nefandos crimes da história da humanidade, praticado principalmente por portugueses, espanhóis, ingleses e franceses, do Velho e do Novo Mundos…
E a impressão que tenho (posso estar errado) pelo que vou apanhando aqui e ali é que a imagem de Portugal como país colonizador que é dada às crianças e jovens, não é contrabalançada, nesses anos do ensino, pelas responsabilidades próprias do Brasil e dos portugueses que se tornaram brasileiros. Aliás, a história dos nossos países, e dos outros que falam português devia ser obrigatória no ensino. seria uma boa forma de se escapar ao desconhecimento, que está na origem de todas as incmpreensões.

Mas conto-lhe o caso mais grave, do meu conhecimento directo, e que deve ter uma década: um casal brasileiro a viver em Portugal, divorciou-se. A mãe regressou ao Brasil com os filhos, para o Rio. As crianças falavam como se fala em Portugal. Sentiram uma tal negatividade na escola, que quiseram regressar para cá, e por cá ficaram e estudaram. Um deles, o único com quem mantive contacto, colega e amigo dos meus filhos, aqui fez o seu curso superior e trabalha com um horizonte europeu. Uma história triste que não acabou, mas podia ter terminado melhor.

Há portugueses que adoram o Brasil, mesmo sem lá terem ido, e brasileiros que nutrem o mesmo sentimento por Portugal. Depois há os desinformados, os incultos, os preconceituosos. tal como você disse, esta atitude não se dá entre britânicos e n-americanos. Mas nem nós somos britânicos nem vocês estadunidenses, e ainda bem. talvez devêssemos ambos, portugueses e brasileiros, olhar para esse exemplo, de certeza muito mais positivo e construtivo. Tenho esperança que, depois do Bicentenário, estejamos mais maduros. Manda o bom senso e os nosso passado comum.

Quanto ao Brunno Jahara, espero que ele agora não seja objecto da ira popular — que não vai ser, como é óbvio, pois nós permitimos aos nossos o que não permitimos aos outros, por mais próximos que estejam. É assim que funciona. 😉

Um abraço

29 04 2014
peregrinacultural

Ricardo,
Pensei bastante em você quando escrevi a postagem acima. Porque você está entre os poucos portugueses com quem dialogo neste blog.
Assim que postei esse comentário no Facebook, um conhecido mandou a notícia de que o designer era brasileiro. A meu ver, isso não desculpa o mau julgamento de quem quer que seja responsável na Vista Alegre. Faltou visão, faltou sensibilidade. Faltou conhecimento. Só porque o designer é brasileiro não o faz não errar na maneira como esse design seria visto por todos nós.
Estamos passando, aqui na cidade do Rio de Janeiro, momentos difíceis de ordem urbana. E estamos resolvendo esses problemas aos poucos, desse jeito indireto e circular que parece ser comum aos nossos dois povos. No entanto, a proporção dos problemas em relação ao tamanho da cidade com uma população oficial de mais de 6 milhões de pessoas, e de seus arredores, com outros 3 milhões é pequena. [Um Portugal inteiro na cidade do Rio de Janeiro]; E é a exacerbação desses problemas que me choca.
Quando estou fora do Brasil sempre me surpreende que a imprensa internacional escolha de todas as opções que existem no Rio de Janeiro, opções de classes sociais, de educação, de conhecimento, justamente e sempre aqueles que dão as piores imagens do que acontece por aqui. A imprensa vive das más notícias e explora o quanto pode aquilo que traz estardalhaço. É do território.
Quanto ao preconceito brasileiro x português acho que vocês se sensibilizaram demais através desses anos. Todos os países fazem piadas com os imigrantes que recebem. É uma maneira de mostrar os valores do local e de ajustar esses imigrantes à nova terra-mãe. Nos Estados Unidos poloneses, italianos, judeus, irlandeses, porto-riquenhos, enfim todas as grandes levas de imigrantes sofreram com o estereótipo. Não digo isso para aprovar tal comportamento, nem para justificar. Ele simplesmente é. E é justamente essa percepção que faz os filhos desses imigrantes abraçarem ardorosamente a nacionalidade do país em que nasceram, tentando extirpar qualquer resquício de sotaque, de hábitos diferentes, do OUTRO.
Não pretendo conhecer Portugal a fundo. Sou descendente direta de portugueses, até com direito a dupla cidadania, que uma boa parte dos meus familiares mais próximos obteve. Passei a vida com valores portugueses e os dois anos que morei em Coimbra foram de longe os mais felizes até hoje. Mas me surpreendeu o preconceito que encontrei, não entre os mais pobres – esses sempre tinham um parente no Brasil, esses sempre tinham um calor amigo. Mas a classe universitária, educada e ressentida se mostrou mais preconceituosa. Nunca consegui entender exatamente de onde vinha o ressentimento, mas ele era palpável.
A verdade é que nos conhecemos tão mal que não sabemos onde os sapatos nos apertam e faux-pas são quase obrigatórios no relacionamento entre os dois países.
Infelizmente o ensino de história no Brasil não foi e não é de qualidade. Nos meus dias de bancos escolares a história era vista por “olhos portugueses”. Muitos daqueles que deram apoio aos movimentos de independência eram chamados de traidores. Um ponto de vista incompreensível para uma estudante brasileira.
Hoje, resolveu-se redirecionar a história para a visão simplista das grandes divisões de classe e dá-se muito pouca atenção aos 300 anos em que fomos colônia de Portugal. É uma pena, porque nem vocês os estudam, nem nós. É a terra de ninguém. Isso ainda vai mudar. Mas a consequência é das piores, viramos as costas para Portugal assim como por influência portuguesa viramos as costas para a América espanhola. Crescemos sozinhos. E de pouco em pouco com maior influência italiana do que se pensa. Hoje, no Brasil, um pouco mais de 1 em cada 5 brasileiros tem ascendência italiana. É uma cultura latina, semelhante, mas não é a portuguesa…
Aliás já ouvi de um estudante de linguística que algumas das variantes do português falado no Brasil, como o plural ser feito unicamente nos artigos que precedem substantivos, deixando o substantivo no singular, é de influência do italiano no português brasileiro. O italiano faz o plural em “i” e não tem o “s” como última letra. Daí… Não sei, acho isso uma desculpa para um problema maior de falta de educação formal de qualidade para todos.
Há de haver uma maneira de nos entendermos. Em Portugal tive com frequência a sensação de que havia um medo de invasão brasileira. Não necessariamente de uma invasão física, mas de produtos nos supermercados, de novelas, de escritores, e principalmente da língua. [Isso me lembra de uma campanha no Algarve para obrigar todos a usarem o português nos cartazes que abusavam do inglês].
Há por base, quase que um complexo lusitano de tamanho. Quantas vezes ouvi a expressão, “Portugal, tão pequenino”. D. Manuel, o venturoso não pensava assim nem o Marquês de Pombal. Que houve?
Podemos continuar esse papo, quando quiser. Um grande abraço,

29 04 2014
Valéria Miguez (LELLA)

Faltou dizer que meu avô materno nasceu em Portugal. O que me liga a eles, também.

E vendo que foi um carioca que fez o desenho… 🙂 acho que reforça o meu pensamento: nossos colonizadores que deixaram essa herança.

30 04 2014
peregrinacultural

Vai ver que somos primas! 😉

29 04 2014
Valéria Miguez (LELLA)

Um off topic.

Até então, e nem sei porque… achava que teclava de Sampa.

Saudações carioca 🙂

30 04 2014
peregrinacultural

🙂

30 04 2014
RAA

Car Ladyce,

Vou tentar comentar, ponto por ponto.

Como lhe disse, eu acho que o artista usou de ironia. Acredito que para alguns brasileiros (maioria ou minoria, não sei), possa ser de mau gosto, mas foi a forma que ele escolheu. Não creio que uma empresa que encomende um trabalho a um artista carioca (e acho que esse cuidado não deve ser menosprezado) se possa arrogar de interferir e muito menos censurar um trabalho de autor. E digo isto, não por ser uma empresa portuguesa — quero lá saber disso. A verdade é que essa realidade de violência existe, e cada criador saberá se quer ou não reflecti-la no seu trabalho.

Eu penso que o Brunno Jahara foi muito feliz em termos artísticos, pois não se limitou a reproduzir ex-libris do Rio para turista ver. O seu trabalho, goste-se ou não, passou a ter significado, quando teria corrido o risco de ser uma coisa bonitinha e irrelevante. E a verdade, é que nós estamos aqui a utilizar milhares de caracteres por causa do trabalho dele.

O jornalismo, em especial televisivo, é uma cloaca. Quanto maior o país, maior o número de cadeias de tv, maior a porcaria. Hoje, os noticiários não são informação, mas entretenimento. Excepções honrosas como a BBC fazem a diferença. Ainda ontem, no jornal da noite, vi os tumultos aí. É notícia, é claro que é notícia! Mas a falta de enquadramento, o sensacionalismo mais rasteiro é que é o critério. Por isso, o que caracteriza a generalidade da imprensa portuguesa, brasileira, internacional é ser analfabeta, feita por analfabetos e para analfabetos. Demo-lhes a atenção que ela efectivamente (não) merece.
A minha mulher e alguns dos meus filhos reclamam comigo por eu estar sempre a barafustar e a chamar nomes aos apresentadores dos telejornais, mas é superior a mim…

(Vou ter de interromper; logo continuarei)

1 05 2014
peregrinacultural

Ricardo,
Não vou conseguir responder a você ponto por ponto. Mas vamos continuar à medida que as coisas venham aos pensamentos…
Sou completamente contra o acordo ortográfico. Não só porque no momento já nem consigo mais escrever corretamente com alguma segurança. Sinto falta do trema, sinto falta de acentos agudos. Já passei por outro acordo quando tínhamos acentos diferenciais e este está sendo mais difícil de aceitar, porque vai contra a própria pronúncia, pelo menos é o que sinto. Se pronuncio digamos, o u em “frequentemente”, e não pronuncio em “porque”, é mais fácil o uso do trema, para todos. Isso é um exemplo bobo e solitário mas que irrita. E, a pior de todas as mudanças, a meu ver, é o desaparecimento do hífen. No outro dia fui escrever auto-retrato, e a nova ortografia quer que eu crie vocábulo monstrengo: “autorretrato”. Isso é horrível! Francamente, acho que só as editoras estão ganhando com isso: ganhando duas vezes: agora porque estão lucrando com a re-edição de todos os livros escolares para não lembrarmos de outros; e depois porque ao que parece há uma redução substancial de espaço e de tinta, quando se imprime um livro. A maior bobagem, porque livros impressos talvez estejam com seus dias contados. Não sei. Detesto esse acordo e não conheço pessoalmente ninguém que o aprove.
Continuando com a língua. O pessoal da esquerda cá por esse canto acredita que devemos aprovar todos os “dialetos” incultos que temos, demonstrado entre outras coisas por esse problema do plural que mencionei anteriormente, porque “forçar o português culto é um ato elitista”. Não brinco, estou falando a verdade. Perdemos, nas últimas décadas todo o senso do que é certo ou errado. O pior é que o inculto acredita nessa inverdade, e se imagina: 1) não tendo que aprender. 2) que não será discriminado. Grande erro. É discriminado. Na verdade ainda é mais discriminado do que antes, porque esse repúdio é feito silenciosamente. Você não pode imaginar a vergonha que sinto, que muitos de nós sentem, quando vemos não só um presidente não falar propriamente e fazer de seus erros de português uma bandeira para abraçar “o povo” como se falar errado fosse um valor a ser aprovado. E depois ver uma senhora que nem a desculpa de “não ter freqüentado a escola pode ser aplicada” ser eleita e no primeiro ato torcer a língua, para acomodar desejos políticos de igualdade, e requisitar e obrigar mesmo, quem a ela se dirigir de usar outro vocábulo monstrengo: presidenta. Que história é essa? Que senso de impotência nós que lutamos por uma melhoria dos padrões de ensino e de cultura sentimos diante dessas asneiras respeitadas em nome de uma farsa chamada “igualdade social”. Esse acordo ortográfico me parece fruto dessa loucura de socialização da língua. Uma vergonha.
Acho que a única coisa lógica a ser feita é mantermos cada um dos países suas diferentes ortografias. Primeiro, com a comunicação mais rápida, acho estaremos mais próximos uns dos outros, e as evoluções lingüísticas são capazes de convergir de maneira que não imaginamos. Aceitar o acordo ortográfico como meio de unificar as línguas; lusitana, brasileira e as africanas é tentar reger o futuro com a mão cega do presente.
Há pessoas que dizem ter muita dificuldade de entender um português. Mas acho que tudo o que se precisa é de boa vontade (no português falado) e um bom conhecimento da língua “brasileira”. Se a sua educação em português foi boa, se você leu bastante, se leu os clássicos brasileiros do século XIX, você certamente tem condições de entender o português de Portgal, porque as diferenças na maioria dos casos estão no uso de vocábulos que ainda existem mas que não são usados. Dou-lhe o exemplo óbvio da expressão “miúdos”, para “crianças”. Sim são diferentes, mas completamente inteligíveis e extremamente charmoso… Nós usamos “miúdos” só para coisas pequenas. Mas é um deleite ouvir a expressão em relação às crianças. A boa vontade e a agilidade mental é o que é necessário. Não é nenhum bicho de sete cabeças o entendimento entre nós.
Sim, há horas em que talvez precisemos de uma releitura, de voltar atrás e ver. Como? O que foi mesmo que foi dito? Mas isso é muito relativo. Recentemente uma amiga me deu um livro de um autor do Rio Grande do Sul. Chama-se ‘Alecrim e manjerona” do escritor Mozart Pereira Soares. Não posso dizer se gostei do romance nas poucas partes que entendi. O português dele era tão regional que se tornou incompreensível para mim. Acabei abandonando a leitura. E o pior é que não achei que aprendi um novo vocábulo, uma nova maneira de se usar um verbo como acontece com freqüência quando leio autores portugueses. Porque a base é a mesma e as diferenças tão poucas que a leitura dá um prazer inacreditável, que encanta. Recentemente li um romance de José Luís Peixoto e foi isso exatamente que senti. Sim havia expressões que não conhecia, uma ou outra coisa que não sei até hoje o que significam, mas nada que pudesse impedir a apreciação da língua bem usada, da narrativa impecável. Ele, o autor, na verdade me seduziu primeiro pela língua, depois pela história. Já um Miguel Torga, por exemplo, não me arrisco a ler sem um dicionário ao lado, e ainda, um dicionário português.
Sabe, sou casada com um americano, professor de literatura americana. Meu marido fala o português. Mal. Mas fala. Lê bem. Tem aquela aparência estrangeira. Apesar de seus antepassados serem de origem inglesa, ele parece mais alemão ou escandinavo. Não é raro as pessoas se aproximarem dele falando alemão. Ele responde com o pouco que aprendeu quando morou lá, por dois anos, ainda em serviço militar nos tempos da guerra fria. Mas a razão dessa introdução é que quando ele sai de casa e pergunta alguma coisa a alguém na rua, a primeira reação que essas pessoas têm é não entender. Mesmo que ele fale esse português mínimo de pedir uma informação de maneira correta com sotaque, claro. É que as pessoas já acham antes mesmo dele abrir a boca, que não vão entender. Depois, quando ele repete a mesma pergunta, aí descobrem que ele falou corretamente e podem até responder. A maioria acredita que não compreenderá o que ele diz. Eu me pergunto se isso não acontece com os brasileiros que dizem não entender portugueses ou vice versa.
Bem vou tomar o café da manhã, mas eu volto…

1 05 2014
RAA

Totalmente de acordo com o que diz em relação ao AO.Estão a ganhar as editoras, e alguns políticos portugueses que querm pôr-se às cavalitas do Brasil.
O que diz de os brasileiros não entenderem o português falado, até entendo, porque nós comemos as vogais. E é curioso como num país pequeno à tanta diversidade. Há sítios no Algarve ou nos Açores e na Madeira, e alguns lugares de Trás-os-Montes, em que tenho de ter o ouvido bastante apurado, e por vezes não consigo mesmo.
Por outro lado, ao contrário dos espanhóis e dos franceses, que não se esforçam por falar ou entender outro idioma, os portugueses, crio que pela sua condição de povo de diáspora (a expansão e a emigração), além da circunstância de há mais de um século termos turismo, esforça-se e consegue por falar a língua dos outros, melhor ou piro.
Até logo…

4 05 2014
peregrinacultural

Ricardo, mandei resposta por email. Bom domingo! 😉

30 04 2014
RAA

Cá estou eu 🙂

Aquilo que me diz do comportamento das maiorias para com as minorias, parece-me exacto. Mas a circunstância de ser assim é reveladora, seja onde for, de uma de duas coisas, ou ambas: falta de chá e grosseria mental, que deve ser pedagogicamente contrariada; ou racismo e xenofobia, que não deve ser tolerada. Quando, à minha frente, fazem comentários depreciativos sobre brasileiros, ucranianos, romenos, imigrantes dos palop, se for um homem da rua comum, procuro sempre contrapor, com maior ou menor assertividade que somos todos feitos da mesma massa, e que eles não são melhores nem piores do que nós, que estamos no nosso país. A minha posição fica sempre clara. Se for alguém qualificado, aí não desculpo, e ganho aversão a essa pessoa. Os meus filhos foram educados a ver no Outro um seu igual, e, portanto insusceptível de ser depreciado por ser negro ou catalogado por ter vindo do Brasil ou do leste europeu.

“Dupla nacionalidade” — que me dera poder ter essa possibilidade!, pedia-a logo! Acho isso extremamente enriquecedor.

O que me diz de a classe universitária ser “ressentida”, espanta-me. A maior parte dos universitário que conheço são de Lisboa, mas também conheço alguns de Coimbra. A academia também tem idiotas, mas não me passa pela cabeça que a generalidade deles sejam ressentidos em relação ao Brasil. Ressentidos por o Brasil ter declarado independência há duzentos anos? Sinceramente, não creio.
Aliás, a sensação que tenho é contrária: há em muitos portugueses (provavelmente a imensa maioria) orgulho no Brasil. Jorge Amado, Erico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade foram idolatrados entre nós; para não falar nas elites, fervorosos de Machado de Assis, Manuel Bandeira ou Guimarães Rosa. Ou Ruben Fonseca, Ferreira Gullar, Dalton Trevisan Chico Buarque, Caetano, Vinicius, Bethania, Tom Jobim, Edu Lobo, Gil, todos são adorados. De Niemeyer a Glauber Rocha, de Euclides da Cunha a Gilberto Freyre e Portinari… eu podia continuar a desfiar…
Não, não há nenhum ressentimento; há gente pequena, e provinciana, cada vez menos, esperemos..

(interrompo de novo)

30 04 2014
RAA

(fui levar dois dos miúdos ao cinema, entretive-me na livraria e quando cheguei a casa pus-me a arrumar filmes, velhos vhs e actuais dvd, ia dando em doido :\

Acho que você toca no ponto quando escreve:
“A verdade é que nos conhecemos tão mal que não sabemos onde os sapatos nos apertam e faux-pas são quase obrigatórios no relacionamento entre os dois países.”
O que não deixa de ser um absurdo, com tanto português a viver no Brasil (é certo que muitos deles se tornam logo brasileiros) e tantos filhos de portugueses. Mas é um facto. Tenho pensado muito nisso.
Por vezes, mesmo em conversas amenas com conhecidos brasileiros, verifico que tanto eles como eu, por vezes temos de clarificar o que estamos a dizer, porque há, e cada vez mais haverá uma deriva semântica (já nem falo na sintáctica), o que levará, inevitavelmente, à autonomização definitiva do português do Brasil. Muitos dos faux-pas, no que me diz respeito, têm origem nesse afastamento, porventura inevitável. Essa, aliás, é uma das razões porque sou contra o acordo ortográfico. Além de ser nocivo ao português daqui (e, provavelmente, também ao daí), é inútil, porque estamos condenados a desentendermo-nos no futuro cada vez mais. Tenho pena, mas não creio que possamos fazer grande coisa. O acordo ortográfico é, de resto, uma espertice de alguns líderes políticos daqui, por que crêem que se nos pusermos às cavalitas do Brasil poderemos ter algum controlo sobre o idioma. Coitados, não percebem nada; e coitados de nós, que estamos a ser vítimas de um atropelo que só não será irreparável (espero) porque uma sociedade civil está mobilizada.
( Esta pode ser também uma questão equívoca. Pode achar-se que é algo contra o Brasil, algum complexo de superioridade de ex-colonizador; mas eu tenho a certeza, neste particular, que todas as pessoas esclarecidas que são contra o acordo nada têm contra o português-brasileiro, apenas não querem ver a sua língua desfigurada. Aliás, entre nós, o dicionário mais considerado é o do Houaiss…)

“Medo de invasão”, também não creio, e muito menos no âmbito cultural. O JL, que é o principal jornal literário e cultural do país, sempre foi um paladino das relações luso-brasileiras. De tal forma que é, desde a primeira hora, um defensor desse acordo ortográfico, crendo que os laços políticos são mais importantes que as questões identitárias que tem que ver com a língua.

O que me diz sobre o ensino da história deixou-me admirado. Ainda há tempos, falando com uma professora brasileira, ela disse-me que são precisamente os efeitos nefastos da colonização, que certamente os houve, a começar pelos índio e a acabar nos escravos têm uma prevalência muito grande no ensino da história. foi, portanto, uma mudança de 180º que se operou. Quanto a isso, a minha única pena é que possa continuar a envenenar o nosso relacionamento, no que respeita à percepção do cidadão médio. Acho óptimo que o colonialismo seja condenado (a Guerra Colonial portuguesa em três frentes de guerra em África, entre 1961 e 1974, foi mais um dos absurdos da nossa história…), mas que se perceba que os esquemas mentais do século XVIII não poderiam ser os do século XXI, como é óbvio.

(Portugal é um país singular: a Expansão e o Império, o pioneirismo que nos dá um lugar na história universal (tal como, por exemplo os fenícios a têm quando nos reportamos à Antiguidade), é simultaneamente a causa da nossa decadência enquanto povo, como viu o Antero de Quental no século XIX: enquanto construímos o Império e explorámos as Colónias, descurámos o país. é assim, e é com essa história que temos de viver…)

Tem razão quanto a um complexo de inferioridade que possa existir, mas ele, que tem a ver com a nossa decadência imperial dos últimos 300 anos, manifesta-se em relação às grandes potências da Europa Ocidental, em especial Inglaterra e França. Esta, porque nos invadiu com Napoleão e colonizou culturalmente até meados do século XX; a primeira, porque, sendo nós aliados desde a Idade Média, muitas vezes nos atraiçoou. O Ultimato de 1890 foi o melhor exemplo dessa duplicidade da Inglaterra em relação a nós, o que levou uma porção de portugueses (felizmente minoritária) a ser germanófila nas I e II Guerras O facto de termos passado por um regime autoritário católico de direita com Salazar durante quase meio século, um regime quase autárcico e ditatorial, também não ajudou…

Agora, quanto ao Brasil, não e não! Pelo contrário, como eu disse atrás: há até um certo orgulho e até uma idealização do Brasil. Há também o que você disse, mas com pouca representatividade, tal como o nativismo brasileiro, encabeçado por descendentes de portugueses, não deixou de fazer-se sentir nas últimas décadas. Creio e espero, que também esse sentimento antiportuguês, desfasado e sem sentido hoje, seja também caricatural.

Lembro-me agora de como as elites políticas e culturais (incluindo as que são contra o acordo ortográfico) torcem para que não demore muito que o Brasil tenha assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. E isto garanto que é um facto.

E já entrei pela madrugada adentro…

Uma abraço

4 05 2014
Carmen Laura Teixeira

Ladyce e Ricardo, estou adorando o diálogo de vcs. Aguardo a continuação. Abraços.

11 05 2014
RAA

Eu também estou a gostar 🙂 Abraço para si!

4 05 2014
marielfernandes

Pessoalmente, não me sinto ofendido como pessoa. Nem como parte de uma nação que foi tão explorada pelo pessoal da escola de sagres. Pode ser de mau gosto, na verdade é, a vinheta. Mas não se trata, exatamente, de uma inverdade. O que intriga é o motivo dessa alusão despropositada, mas enfim, são coisas lusitanas.

11 05 2014
RAA

(Ladyce, peço licença para comentar, observando apenas que este leitor Fernandes não me parece ser descendente de japonês, mas antes desse “pessoal da Escola de Sagres”, que tanto explorou essa nação, isto é: os avós do senhor Fernandes e de todos os Fernandes que existem por aí.
Tem o senhor Fernandes um bom remédio: redima os crimes dos seus antepassados, abandone esse território e peça a nacionalidade portuguesa. O Brasil (esse país que só existe por causa dos pérfidos portugueses) não merece que descendentes desses criminosos continuem impunes. Aliás, com um nome como o seu, que junta Maria e Manuel, vai no bom caminho.

P.S. – não, senhor Fernandes, não são “coisas lusitanas”, mas antes “coisas cariocas” (se leu com atenção.

11 05 2014
marielfernandes

Ricardo, você acertou: não tenho nada de descendência oriental. Tão pouco acho que os crimes cometidos pelos portugueses mundo à fora tenha que ser redimido, pelo menos não na minha contabilidade. Isso é transferência de culpa, algo que Freud talvez possa contribuir pelo que deduzo pela azia percebida no seu comentário. O que fiz e mantenho foi dizer que a arte reproduz sim um símbolo fortemente associado ao Rio. Do ponto de vista da boa educação, foi uma lusitanada forte a “homenagem”. Do ponto de vista da comunicação, uma trapalhada sem fim. Do ponto de vista histórico, basta ler os livros e saber o que houve: não foi bonitinho. De qualquer maneira, de verdade, não pretendia acirrar ânimos, minha alma brasileira é de outra matriz, Ricardo. Uma pena que suas certezas absolutas tenham impedido a separação do que é uma opinião, única coisa que fiz, com um amontoado inaceitável de preconceito, ignorância e aquela soberba de quem olha para o mar e só enxerga colônias.

10 05 2014
peregrinacultural

Ricardo, quanto ao ensino da história no Brasil, a única coisa que posso dizer, é que como todo o resto das ciências humanas, é patético. Não é só um problema do ensino da história. É um problema do ensino. Recentemente quando estive em Portugal de passagem deu para ver bem a discrepância entre o comportamento dos portugueses e o dos brasileiros sobre os acontecimentos diários. Enquanto no Brasil tudo gira em torno de dois núcleos e ninguém se interessa em saber de nada com maior profundidade, enquanto fala-se só de roubos e do que alguém não fez, e ninguém considera o futuro mais longínquo; em Portugal o diálogo da população me pareceu em geral mais bem informado, com maior perspectiva do seria bom para o país nos próximos anos e no futuro maior. Cá pelas nossas bandas ninguém pensa como estadista, ninguém pensa que o hoje é a história de amanhã. Não posso deixar de revelar aqui o grande desapontamento que sinto depois desses 10 anos de Brasil. Parece-me que nascemos todos ontem, sem memória, sem conhecimento e que lutamos para permanecer assim eternos adolescentes.

Eu me lembro de muitas conversas que tive com as pessoas comuns em Portugal nas diversas vezes que pude visitar o país além do período em que morei em Coimbra e elas todas, do humilde senhor na minha rua, cuja filha havia casado com um jogador de basquete americano, ao dono da pequena mercearia na esquina; do condutor de táxi ao dono de um restaurante na Beira Alta a que íamos com frequência, todos podiam dizer e o faziam com orgulho, por exemplo, sobre o que é o dia 10 de dezembro, conversavam, cada qual dentro de suas limitações de estudo, mas sem grande disparidade, sobre o grande terremoto de 1755, e até mesmo sobre a Primeira Guerra Mundial. Estou só dando exemplos. No Rio de Janeiro (o Brasil para mim é o Rio de Janeiro — morei em São Paulo, que A-DO-RO! por dois anos, há muito tempo e não conheço bem o resto do país, já visitei mas não conheço) se eu for procurar pessoas de status semelhante às que citei acima, poucos poderão me dizer onde foi dado Grito do Ipiranga no dia 7 de setembro (nossa independência), quase nenhuma se lembrará que Getúlio Vargas foi um ditador; ninguém saberá me dizer o que é uma capitania hereditária, ou dizer quem foi Tomé de Souza, ou o Padre Antônio Vieira. Quem fundou a cidade do Rio de Janeiro, onde morava o Imperador do Brasil, pouquíssimos saberão que havia mais morros no Rio de Janeiro, que foram abaixo e serviram de aterro para aumentar o espaço da cidade, ainda que todos os dias eles passem pelas vias de alta velocidade em um dos maiores parques urbanos do mundo, que chamamos de ATERRO.

Fez-se do desconhecimento uma medalha de honra no Rio de Janeiro e às vezes a superficialidade do conhecimento é tão extraordinária que me deixa sem palavras. Recentemente de carro com uma amiga da minha geração, arquiteta, passamos por um bairro que se transformou muito nas últimas décadas. Como morei fora muito tempo a memória de como as coisas eram ainda está fresca para mim. Observei que ali ficava uma grande fábrica de tecidos, e que havia outra fábrica próxima de remédios, um laboratório grande que hoje, postos abaixo deram lugar para uma nova rua que cortava caminho para onde queríamos ir. A observação dela “não gosto de falar nessas coisas e não me lembro bem, porque fazem a gente parecer muito velha”. Ela falava seriamente. Aqui estava uma arquiteta, operante, que tenho certeza estudou urbanismo, e que não queria se lembrar… Infelizmente, não é um caso único. Despreza-se o conhecimento, qualquer que ele seja.

Tenho que parar por aqui. Um bom domingo.

10 05 2014
peregrinacultural

Ricardo acabo de ver esse vídeo de uma entrevista do Ney Matogrosso para um repórter português. O desapontamento dele com o Brasil é muito semelhante ao meu.

11 05 2014
RAA

Vi um excerto. Demolidor…

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