O Príncipe, conto de Wilson W. Rodrigues, uso escolar

27 08 2014

 

WTBendaIlustração de W.T. Benda para capa da revista LIFE de agosto de 1923.

 

 

O Príncipe

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

As feições do príncipe eram desconhecidas.

Jamais alguém vira o seu rosto.

Em sua corte trabalhavam os artesãos mais hábeis, os melhores desenhistas, as costureiras mais famosas.

A observação era invariável:

— É preciso que essa máscara fique mais bela; do contrário, o Príncipe recusará.

As máscaras deviam ser sempre mais belas, pois, desde menino, o Príncipe usava todos os dias, uma nova máscara.

Dir-se-ia que elas o fascinavam, pois sempre parecia feliz.

Um dia, quando tomava parte numa caçada, o Príncipe afastou-se de sua gente e se perdeu.

Pela noite inteira, ninguém o encontrou.

De manhã, quando cruzava o vale, o Príncipe avistou uma donzela que voltava da fonte, bilha ao ombro.

Estava sedento, pediu:

— Posso beber da tua bilha?

A jovem reconheceu o Príncipe Mascarado, e com galanteria ofereceu:

Só se beberes na concha das minhas mãos.

O Príncipe desmontou. Em terra, curvou-se; nesse instante, ela, num gesto tão rápido quanto impensado, arrancou-lhe a máscara, e deu um grito de espanto.

— Sou tão feio assim?

— Não. Tu és mais belo que todas as tuas máscaras.

 *****

Em: Contos do Rei do Sol, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro [Estado da Guanabara], Editora Torre: s/d, pp: 21-26

 


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