Fazenda abandonada, poesia de Décio Valente

13 11 2014

Inimá de Paula, O sítio,ost,1967, 33 x 42 cmO sítio, 1967

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 33 x42 cm

 

 

Fazenda abandonada

Décio Valente

 

 

Casa velha

de monjolo antigo,

tranquilo abrigo,

de sapos, rãs e lagartixas,

onde vespas e aranhas tecelãs

penduram teias e enxus.

No córrego que passa,

lépidas libélulas

assustam ariscos guaru-guarus.

A água,

outrora,

espumante,

sonora,

escorre,

agora,

calma,

silenciosa…

Samambaias e avencas solitárias

enfeitam com verdes rendas

limoso nicho.

Gotas de orvalho

lembram pérolas,

contas de rosário

enfiadas em capim.

Aveludados musgos

amaciam a face dura

de rugosas pedras.

Alegres pássaros

cantam afinados duetos

com cigarras estridentes.

Centelhas de ouro em pó,

estilhas de prata laminada,

enchem de raro encanto

a folhagem molhada

daquele ameno recanto

da fazenda abandonada.

 

Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971, pp. 55-56


Ações

Information

3 responses

14 11 2014
MARCOS VELOSO

Então nada abondonado, com todas estas belezas descrevidas,tem vidas em todos os sentidos.
Que fazenda mais linda!!!

14 11 2014
marielfernandes

Lindo!

15 11 2014
Maria Helena Oswaldo Cruz

Mto lindo este poema e curiosa a pintura!

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