Os bois, soneto de Olegário Mariano

24 02 2015

 

 

Georgina de Albuquerque,Fazenda com figuras e animais, óleo sobre tela,(c.1952) - 39 x 47 cm.Fazenda com figuras e animais, c. 1952

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 39 x 47 cm

 

 

Os bois

 

Olegário Mariano

 

É dolorosa a angélica atitude

Dos grandes bois lentos a trabalhar…

Sinto neles a força da saúde

A glória de viver para ajudar.

 

Da sua laboriosa juventude

Nada têm, pobres diabos a esperar…

Quem sabe? A vida pode ser que mude…

E eles se põem a olhar o campo, a olhar…

 

Tempo de safra. Brilham canaviais…

Gemem os carros e o rumor se irmana

À alma dos bois que geme muito mais.

 

Pacientemente seguem, dois a dois…

Há uma filosofia muito humana

No mugido e no olhar, tristes, dos bois…

 

 

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas (1911-1955) , Olegário Mariano, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 1957, 1º volume (1911-1931), p. 93

 


Ações

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3 responses

25 02 2015
Valéria Miguez (LELLA)

Lembrei de algo que se comentam no campo… Que ao atravessar em meio, ou próximo a uma boiada, fique atento ao que ergue a cabeça, porque será dele que terá que correr.
😀

25 02 2015
Valéria Miguez (LELLA)

Lembrei de algo que se comentam no campo… Que ao atravessar em meio, ou próximo a uma boiada, fique atento ao que ergue a cabeça, porque será dele que terá que correr.
😀

3 03 2015
peregrinacultural

Bom saber, Lella… Eu não sabia!

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