Esmerado: Diana e o cervo, autômato,1610

4 06 2015

 

 

Diana and the Stag, by Joachim Friess, ca 1610.Diana e o cervo, 1610

Joachim Friess (Alemanha, ca. 1579–1620)

Prata, parcialmente banhada a ouro,esmalte, pedras preciosas; movimento feito em ferro e madeira,  37 x 24 cm

Metropolitan Museum, Nova York

 

Esta é uma das diversas peças da época contendo um pequeno motor, chamadas autômatos. Teria sido usada em jogo de bebidas. O corpo do cervo é oco e pode ser usado como um copo/cálice. Um mecanismo seria ativado durante brincadeiras de beber em que a base, dando-se corda, pode rodar livremente sobre rodas escondidas até parar em frente a um dos participantes à mesa, que teria que beber todo o conteúdo do copo.

 

Fonte: Metropolitan Museum





A missa da Capela Imperial, texto de Paulo Setúbal

4 06 2015

 

 

BRENNO TREIDLER - Rua Primeiro de Março, RJ, 1895 - aquarela - 23,3 x 35Rua Primeiro de Março, RJ, 1895

[Capela Imperial, antiga Sé, à direita]

Benno Treidler (Alemanha/Brasil, 1857-1931)

Aquarela sobre papel, 23 x 35 cm

PESP [Pinacoteca do Estado de São Paulo]

 

 

“A Capela Imperial… Ah! a mais bela coisa do Rio de Janeiro, nos começos do século passado, foram, sem dúvida alguma, as solenidades da famosa Capela. D. João VI, curiosa mistura de Rei e de frade, mandou decorá-la suntuosamente. Vieram trabalhar nela os nomes mais brilhantes da época. José de Oliveira pintou as paredes. Manuel da Cunha, o teto. Raimundo da Costa e Silva, a “Ceia”. E José Leandro, o célebre José Leandro, figura culminante do tempo, a grande tela do Altar-Mor. D. João VI, como todos os Braganças, adorava as pompas religiosas. Com generosidade de nababo, gastando às mãos cheias, el-Rei mandava buscar na Europa artistas reputadíssimos, compositores e músicos, castrati de larga fama, a fim de abrilhantar com eles as festas de sua Capela. Naquele recinto, com efeito, nos dias de gala, fremiu muita vez o gênio do padre José Maurício. Flamejou o talento magnífico de Neukomm. Ecoou a larga inspiração de Marcos Portugal. Ali, nas grandes cerimônias da religião, retumbou muita vez a voz de Mazziotti e de Tanners, os dois famosos contraltos italianos. Ali foram admirados e louvados, com grande entusiasmo para o bairrismo dos brasileiros, o tenor Cândido Inácio, que era a mais doce e a mais sonora garganta de Minas, assim como o baixo João dos Reis, cuja voz poderosa, da mais larga ressonância, fazia tremer nos caixilhos as vidraças da Capela.

Havia, portanto, razões de monta, e de sobejo, para que D. Domitila de Castro ansiasse por assistir à missa de domingo. O que mais a seduzia, porém não era, seguramente, o ir ver, entre os entalhes dourados da Capela, os painéis de José Leandro; nem escutar a música do padre mulato que enchia a Corte com a fama de seu gênio; nem tampouco ouvir a flamância de Mont’Alverne,o apregoado orador franciscano, cuja glória, que subira tão alto, começava então a crescer. O que a seduzia, o que a espicaçava mais agudamente, tornando-a tão alvoroçada por assistir àquela missa era poder — enfim um dia! — contempla a Corte bem de perto, misturar-se com orgulho às Damas do Paço, roçar por entre aquelas fidalgas emproadas, e mostrar, do alto de uma tribuna, acintosamente, as graças e os feitiços de sua mocidade e do seu fascínio.

Ah! Os requintes que pôs a perturbante senhora em se alindar para tão suspirado triunfo! As águas de cheiro! Os pós de França! As luvas de doze botões! O leque de marfim e ouro! Madame de Saissait, a modista francesa da rua do Ouvidor, preparou-lhe um vestido ousadamente bizarro, à Zamperini, moderníssimo, cor de cenoura, de corpete muito teso, com imensa e donairosa sobre-saia, caindo em ondas largas, bordado a fio de prata. E que apuro de detalhes… Desde o penteado alto, com o trepa-moleque de safiras, até o escarpim pequenino, de fivela dourada, tudo nela era encantador. E quando, diante do toucador, depois de empoada e perfumada, a cintilar de joias, D. Domitila se remirou no seu espelho de Veneza, correu-lhe a epiderme um arrepio voluptuoso, seus lábios sorriram o sorriso da vaidade. Estava magnífica! Olhos úmidos e negros, boca sangrenta, talhe ondeante, todo pluma, aqueles vinte e quatro anos, quentes, sazonados, irradiavam frescura e trescalavam juventude. “

 

Em: A Marquesa de Santos, romance histórico, Paulo Setúbal, Rio de Janeiro, Cia Editora Nacional: 1984, 12ª edição, pp, 76,77. Originalmente publicado em 1925.





Imagem de leitura — Étienne-Prosper Berne-Bellecour

4 06 2015

 

 

Étienne_Prosper_Berne-Bellecour_-_A_Letter_from_HomeCarta de casa, 1905

Étienne-Prosper Berne-Bellecour (França, 1838-1910)

óleo sobre madeira, 37 x 25 cm

Em leilão Christie´s — 2005

 








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