Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Domingo, um passeio no campo!

31 01 2016

 

 

PARREIRAS, Antônio,Paisagem,óleo s tela, ass. e dat. 1900 inf. dir., 69 x 105 cmPaisagem, c. 1900

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela,  69 x 105 cm





Flores para um sábado perfeito!

30 01 2016

 

 

Ivan Marquetti, Floress, 1988, ost, 75 x 50 cmFlores, 1988

Ivan Marquetti (Brasil, 1941-2004)

óleo sobre tela, 75 x 50 cm





Resenha: Setembros de Shiraz, de Dalia Sofer

30 01 2016

 

 

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965) ostEstudando

Fakhraddin Mokhberi (Irã, 1965)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

 

 

 

Leio hoje que a Itália, ao receber o presidente iraniano, cobriu as antigas obras de arte de nus e não serviu vinhos para não ofender o visitante, ao passo que a França fez justamente o contrário, não cedeu às imposições geradas pelo ortodoxismo islâmico. Essas ações mostram como a leitura que fiz nessa semana, Setembros de Shiraz, está atualizada e nos ajuda a entender o momento presente.  O texto de Dalia Sofer se concentra no período imediatamente após a queda do Xá da Pérsia [Irã]. E descreve os problemas dos cidadãos persas que não seguiam os preceitos da nova teocracia, uma ditadura com a intenção de acabar com qualquer vestígio de influência cultural fora do islamismo.

A autora é descendente de uma dessas famílias e emigrou da Pérsia para os Estados Unidos, onde encontraram um lugar em que puderam manter intactas tanto a herança cultural, quanto sua religião. Dalia Sofer é judia e o personagem principal do livro, Isaac Amin, foi baseado nas experiências sofridas por seu pai, preso pelo regime instalado na revolução iraniana de 1979.

 

 

SETEMBROS_DE_SHIRAZ_1388426038B

 

Ditaduras são sempre iguais, sejam elas de direita, de esquerda ou religiosas, ou ambas. Elas interferem nos direitos essenciais dos seres humanos.  Cortam a liberdade do pensamento.  Cansamos de ver ditaduras no século XX, Alemanha, Rússia, China, Cuba, Brasil, Chile, Iraque, Irã são apenas algumas que ainda detêm grande parte da nossa memória coletiva. Ditaduras reduzem e deformam a grandiosidade da experiência humana. Definhamos sob seu domínio.  A comunidade judia que estava estabelecida há mais de quatro milênios na Pérsia foi uma das minorias atacadas pelos Aiatolás do novo regime. E sem boa causa essas famílias que ajudaram a formar a história do lugar foram singularmente destacadas para sacrifício, prisão e morte nas cadeias, numa continuação tardia de atos semelhantes da Segunda Guerra Mundial na Europa.  Por isso mesmo a história de Isaac Amin e sua família, que se assemelha a tantas outras vindas da Pérsia nesse período, precisa ser contada e recontada para que não se esqueça os fundamentos, as raízes mesmo, do pensamento ocidental.

 

 

Dalia SoferDalia Sofer

 

Setembros de Shiraz faz esse trabalho. Detalha a vida diária de uma família de um comerciantes judeu, classe média alta, que é mandado para a prisão por causa nenhuma a não ser por ter servido ao Xá, por manter bebidas alcoólicas em casa, por ter posse de objetos de luxo, por ter parentes em Israel, por conseguir pensar além dos horizontes locais. Conhecemos a vida dos filhos, da esposa, dos pais de Isaac Amin, dos empregados.  Sabemos das vantagens e das dificuldades que eles passaram antes e depois da prisão e conseguimos reconstruir, sem nunca termos ido ao Irã, como seria essa vida.  O livro é detalhado nesse aspecto e a narrativa flui em pequenos capítulos cobrindo da vida diária no Irã às aventuras de sobrevivência do filho do casal estudante nos EUA.

O que faltou nesse livro: melhor resolução dos conflitos.  Talvez, porque esteja tão baseado na vida de seus pais, e como a vida nem sempre se resolve por grandes atos, mas por acomodação paulatina a uma nova realidade, a narrativa perde impacto no final.  Até mesmo o romance do rapaz em Nova York com Rachel, uma menina de uma família judia ortodoxa, simplesmente se dissolve, perdendo o momento. Este é o meu grande senão sobre a obra, ela perde o ímpeto inicial.  Mas para quem tem curiosidade sobre a época, o livro oferece uma fatia interessante do dia a dia desse período no Irã, detalhada e complexa.

 





Rio de Janeiro, cidade olímpica!

29 01 2016

 

 

Castro Almeida (Brasil, 1941) Copacabana, Princesinha do Mar, at, 60 x 100 cmCopacabana, Princesinha do Mar

Castro Almeida (Brasil, 1941)

acrílica sobre tela, 60 x 100 cm





Imagem de leitura — Georg Schrimpf

29 01 2016

 

 

Georg_Schrimpf_Martha_1925-11Martha, 1925

Georg Schrimpf (Alemanha, 1889-1938)

óleo sobre tela

Pinakothek der Moderne, Munique





Turner, anotações de Murilo Mendes

28 01 2016

 

 

111turnePaisagem com rio e baía ao fundo, 1835-40

Joseph Mallord William Turner (GB, 1775-1851)

óleo sobre tela, 93 x 123 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

♦  Vive? Pseudônimo, isolado numa casa de Chelsea, domínio da desordem e da poeira. O irmão de Ruskin refere que nunca viu nada tão impressionante “desde Pompéia”.

 

♦  Ignoram-no os acadêmicos ou não. Entre sábado e segunda-feira eclipsa-se na periferia londrina, instala-se nos bordéis: decifrará ou não o enigma do sexo, suas cores mordentes?

 

♦  Habita, familiar, a faixa do relâmpago, as ruínas do maremoto, a chama extinta, o reino das ondas giróvagas, o balanço dos navios correlativos, a fantasmagoria de Veneza que dorme esquecida em si própria, auto-espectra, a subversão da luz. Não “representa” coisa alguma. O pincel clandestino precede a marcha do impressionismo.

 

♦  É William Turner. A luz interna e a luz externa conjugam-se no seu quadro, onde a manhã anoitece.

 

1973

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p. 217.








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