Sob um pessegueiro, poesia de Paulo Setúbal

4 02 2016

 

 

amor, romance, Russell Sambrook (1891 – 1956)Ilustração de Russell Strambrook.

 

 

Sob um pessegueiro

Paulo Setúbal

Ao Ademar, irmão e amigo

 

 

Foi pelo tempo alegre da moenda,

Quando aos quinze anos, tudo nos sorria,

Que nós tecemos, juntos, na fazenda,

Toda uma história de infantil poesia.

 

E sob um pessegueiro, amplo e robusto,

Cheio de frutos e de passarinhos,

Foi que nós ambos, pálidos de susto,

Nos encontramos certa vez, sozinhos.

 

Tão confusos, tão tímidos ficamos,

Ao vermo-nos juntinhos no pomar,

Que nós, olhando os pêssegos nos ramos,

Nem tínhamos coragem de falar.

 

Mas de repente — que ventura louca!

Ela sorriu-me, trêmula de pejo,

E eu lhe furtei da pequenina boca,

Um pequenino e delicioso beijo…

 

Foi desde então que na minh’alma eu trouxe,

Como lembrança desse amor fagueiro,

Esse beijinho estaladinho e doce,

Que nós trocamos sob o pessegueiro.

 

 

Em: Alma cabocla,Poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 87-88

 

 





Imagem de leitura — Fanny Brate

4 02 2016

 

FANNY BRATE, (Suécia,1861-1940) Flicka à janela branca, 1907, ost,  46 x 55 cm.Flicka à janela branca, 1907

Fanny Brate (Suécia, 1861-1940)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm








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