Um bebê, poesia de Paulo Setúbal

25 10 2016

 

 

Bebe acordado, maud Tousey FangelIlustração de Maud Tousey Fangel.

 

 

Um bebê

Paulo Setúbal

 

Um bebê… Ai que ventura

Do nosso peito extravasa!

Há um mês que é a nossa loucura,

Que é a joia da nossa casa.

 

Mimo não há, sem enleio,

Que mais alinde as vivendas,

Do que um bercinho bem cheio

De laçarotes e rendas.

 

E nesse ninho de luxo,

— Com dois berloques e um guiso,

Ver um petiz, bem gorducho,

Que nos envia um sorriso.

 

Ah! Nada eu sei de mais preço,

Nem nada mais inocente,

Do que um sorriso travesso

Numa boquinha sem dente!

 

E ao ver-te, entre o fofo arranjo

Do teu bercinho tão doce,

Eu sinto bem que és um anjo

Que Deus ao mundo nos trouxe…

 

E assim, bebê cor de leite,

Com olhos da cor do mar,

Tu és o único enfeite

Do nosso lar!

 

 

Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 179-180.

 

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Ações

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3 responses

26 10 2016
mariel

Meus bebês têm 27 anos

27 10 2016
peregrinacultural

Serão sempre bebês

27 10 2016
mariel

Sempre

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