Ó sino de minha aldeia, poema de Fernando Pessoa

24 11 2016

 

José Pancetti, Igreja do Senhor do Bonfim, 1945,ost, 46x38Igreja do Senhor do Bonfim, 1945

José Pancetti (Brasil, 1902-1958)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

 

 

 

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minh’alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 95-6.

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