Da minha mesa de trabalho

8 02 2017

 

dsc02991DA MINHA MESA DE TRABALHO, esta semana com cravinas lilás debruadas.


Ah! Como está bonita a Avenida 23 de maio em São Paulo! Primeiro porque o programa de arborização e manutenção dos espaços verdes na cidade deu a essa via expressa dentro do perímetro urbano um ar de parque.  Hoje, depois de uns dez ou quinze anos – não me lembro bem quando o processo começou – árvores cobertas de flores, arbustos e vegetação rasteira  dão uma variedade enorme de verdes e cores suaves ao horizonte do motorista.  E para completar, neste janeiro quando os muros foram pintados como primeiro passo para serem cobertos com vegetação, a calma visual realmente se estabilizou.  Há de haver lugares numa urbe em que se possa estar em contato com a natureza com seu verde e sua energia calma para que outros problemas da vida citadina possam ser momentaneamente esquecidos.

A controvérsia sobre a pintura cinza do prefeito Doria me pareceu muito ligada à imprensa que precisa de escândalos para ter leitores, ouvintes e telespectadores.  A verdade é que os muros estavam com trabalhos parcialmente danificados, com novos grafites por cima de velhos.  Melhor cobrir tudo com plantas para dar à avenida o toque final de área verde no descanso visual.  Acho que há lugar para a pintura externa do grafite.  Não há para pixação.  Mas mesmo o grafite deve ser regularizado, com locais permitidos.  A cidade é a casa de todos, não é para todos fazerem o que quiserem.

Nesta semana a perseguição a João Doria vem da limitação de tamanho e de horário para os blocos de rua nas zonas residenciais.  Ora, já morei, no Rio de Janeiro,  em Copacabana de esquina com a avenida Atlântica, pagando um dos mais caros impostos prediais da cidade, para ter todos os meus domingos de setembro em diante preenchidos das 15 às 21 horas com uma bateria de escola de samba, com trio elétrico parado em frente à praia, tocando o samba enredo da escola.  Era infernal.  Morar no décimo andar não ajudou.  O som sobe.  Não podíamos conversar em casa, não podíamos ouvir música, ver televisão. Nada. Mais de seis meses – dependendo da data do Carnaval – eram passados dessa maneira, sem a menor consideração para todos os moradores cujas residências davam para essa rua.

Para piorar, um barzinho pequeno, cujas mesas tomavam a calçada em frente, empolgado com a bagunça reinante, promovia noites de samba no mesmo local às sextas, sábados e domingos, nesse dia, logo após o ensaio da escola de samba.  A farra ia até 1 hora da manhã. De nada adiantou nossos abaixo-assinados à prefeitura.  Corria o boato que um vereador da cidade seria um dos diretores da escola de samba em questão e nenhuma restrição a esse ensaio seria colocada pela prefeitura.  Depois de cinco anos neste local, saímos.

Tenho, portanto, grande simpatia por um prefeito que não se importe de colocar ordem  na cidade. Não sou contra o Carnaval.  Não sou contra o grafite como arte, mas para vivermos em harmonia numa cidade plural temos que considerar o direito de todos.

João Doria tem o meu apoio. Há muito tempo que São Paulo precisava de uma faxina.  É uma cidade bonita. Com algumas joias arquitetônicas no centro da cidade que estão com aspecto lastimável por causa das pixações em todos os cantos. Que seja, sim, crime pixar.  É um crime contra as propriedades pública e  privada .

Não se precisa de praia para uma cidade linda, veja os exemplos de Londres, Paris, Roma, Madri, Nova York.  Nenhuma delas tem praia.  Como São Paulo, elas todas têm rio. Em alguns casos mais de um rio.  O prefeito poderia dar um jeitinho no Tietê também, depois que limpar, lustrar, organizar a cidade, quem sabe, colocar o Tietê no lugar de proeminência que merece ter.


LIVROS sobre a mesa: O Príncipe dos Canalhas, Loretta Chase; Tempo é dinheiro, Lionel Shriver; Diário da queda, Michel Laub.

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2 responses

8 02 2017
anisioluiz2008

Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

8 02 2017
Maria Faria

Sempre vou a São Paulo a trabalho e sinceramente, sempre achei uma cidade muito poluída visualmente. Você chega ao final do dia com os olhos cansados. Sempre achei exagerado as pixações e grafite mesmo eram poucos. Acho lindo o grafite, mas acredito que deva ter um lugar. Infelizmente, em Minas Gerais é corriqueiro dizerem que São Paulo seria mais agradável se fosse menos pixada. Não quis opinar no trabalho do Doria, pois temo ser injusta com quem de fato vive lá. Mentir não minto, a cidade é um pouco cansativa visualmente por causa de pixações. Mesa linda , como sempre! Abraço.

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