Violeta, poesia de Raquel Naveira

18 04 2017

 

 

 

manet bouquet-of-violets-1872Ramo de violetas, 1872

Edouard Manet (França, 1832 – 1883)

óleo sobre tela, 22 x 27 cm

Coleção Particular

Violeta

 

Raquel Naveira

 

 

Estou em perigo:

Uma angústia,

Um desejo de morrer,

Minhas pétalas murcham

Num roxo mortiço,

Perco o viço,

De amor tão intenso

Desfaleço.

 

Estou em perigo:

Uma felicidade,

Um deleite,

Minhas raízes sugam húmus,

Encharcam-se,

Amoleço.

 

Estou em perigo,

Nada no mundo me vale nesse transe;

Num jardim cheio de sombras

Permaneço.

 

Quando Ele me toma

Entre seus dedos de sol

E me sopra ânimo e coragem,

Fortaleço.

 

Sem encontrar apoio na terra,

Sem poder subir ao céu,

Vivo frágil,

Presa num caule suspenso.

 

 

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.61

 

 

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