Sobre livros: Erri de Luca

10 07 2017

 

 

Matisse,still-life-with-books-and-candle-1890Natureza morta com livros, 1890

Henri Matisse (França, 1869 – 1954)

óleo sobre tela, 45 x 38 cm

Coleção Particular

 

 

“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.

Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.

 





Poema de Mário Quintana

10 07 2017

 

 

autumn-landscape-at-dusk-1885(1).jpg!HalfHDPaisagem de outono ao cair da tarde, 1885

Vincent van Gogh (Holanda, 1853 – 1890)

óleo sobre tela

Centraal Museum, Utrecht, Holanda

 

 

“Esta vida é uma estranha hospedaria,

De onde se parte quase sempre às tontas,

Pois nunca as nossas malas estão prontas,

E a nossa conta nunca está em dia.”

 

Mário Quintana

 

Em: Esconderijos do tempo, Mário Quitana, Porto Alegre, L&PM: 1980.

 








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