“Ladainha dos póstumos Natais” poema de David Mourão-Ferreira

6 12 2017

 

 

 

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Ladainha dos póstumos Natais

 

David Mourão-Ferreira

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que se veja à mesa o meu lugar vazio

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que uma só voz me evoque a sós consigo

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que não viva já ninguém meu conhecido

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que nem vivo esteja um verso deste livro

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que terei de novo o Nada a sós comigo

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que nem o Natal terá qualquer sentido

 

Há-de vir um Natal e será o primeiro

em que o Nada retome a cor do Infinito

 

 

Em: Cancioneiro de Natal, David Mourão-Ferreira, Editora Verbo, 1973


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