Flores para um sábado perfeito!

31 03 2018

 

 

 

Claudio Arena - Vaso com Flores - Óleo sobre tela - 50x40cmVaso com flores

Claudio Arena (Brasil, 1945)

óleo sobre tela,  50 x 40cm





Palavras para lembrar — Victor Hugo

30 03 2018

 

 

Francois Fressinier (França, 1968) LeituraLeitura

François Fressinier (França,1968)

 

 

“Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come.”

 

Victor Hugo

 





Arrumando as estantes

28 03 2018

 

 

biblioteca, Jean Calhoun, AmericanGirl1932-11Ilustração de Jean Calhoun, para capa de American Girl, Novembro 1932.

 

 

São mais ou menos 1200 livros, espalhados pela casa. Esse é um cálculo geral.  Multipliquei os livros pelo número de prateleiras de cada estilo.  Não parecem ser tantos.  Eram mais.  Doei, larguei, me despedi de pelo menos uns 200 com a mudança.  Hoje mesmo selecionei  9 volumes de livros de arte e alguns de clássicos da literatura que tinha em duplicata com traduções diferentes. Desde que a grande estante foi montada, já passei adiante mais de 40 volumes.  É pouco em relação ao todo, mas ajuda.

Meu maior problema é como organizar para encontrar rapidamente o livro que procuro.  A antiga disposição não era eficiente e retratava meus interesses de oito anos atrás, desde a última mudança.  Aquela foi radical pois, convencida de que jamais iria lidar com história da arte,  fazia mais de 15 anos que não lidava com isso, chamei um sebo do centro da cidade e com ele se foram 450 livros de arte.  Ironia do destino.  Ano e meio se passa e fui chamada para dar aulas de estilo em uma escola design de interiores.  Estas aulas me levaram a dar um curso de história da arte por 4 anos para uma turma interessadíssima o que, por sua vez, me levou de volta às salas de aula no nível universitário e pós-graduação.  Como é o provérbio popular?  A gente põe e Deus dispõe.  Sim, provou ser verdadeiro mais uma vez.

Desta vez separei as coisas de maneira diferente. Dei maior ênfase à ficção: brasileira e estrangeira.  Separei em duas … DUAS!!!! … longas prateleiras os livros em português que pretendo ler em futuro próximo. Não são só de autores que escrevem em português.  Mas livros em português.  No entanto, três longas prateleiras para história medieval não foram suficientes.  Não sei ainda como subdividir (textos originais x comentários?)  essa estante tende a ser multiplicada já que contemplo uma publicação no campo. Clássicos americanos e ingleses, em inglês: Chaucer, Shakespeare, Keats, Poe, Hawthorne, Melville, Emerson, Thoreau, James, e outros, uma área dedicada às especialidades do cara-metade.  Clássicos gregos, romanos, filósofos, etc. ocupam prateleiras próprias, quase todos em inglês ou francês.  Realmente não os tenho em português e muitos deles não têm tradução.  Sempre me pergunto a razão de certos textos serem tão difíceis de se encontrar a preços razoáveis.  O asno de ouro de Lúcio Apuleio, essencial para qualquer educação redondinha, ou está esgotado ou está caro.  Versões, interpretações modernas, de Jung, ou outros existem, mas e o texto original?  De que adianta sabermos interpretações se não conhecemos o original?  Textos dos santos: Santo Anselmo, S. Tomás de Aquino, Santa Teresa, Santo Agostinho assim como A Lenda Dourada de Jacopo de Voragine,  entre outros fora da norma, como coletânea de textos não incluídos na bíblia, contemporâneos aos textos bíblicos, livros sobre a Cabala, textos sobre o Éden anteriores à era  cristã, todos entraram em medieval e renascença.

Há livros de psicologia e filosofia aos montes. Muitos sobre o cristianismo, porque ele moldou o pensamento ocidental. Mesmo assim, desta vez foram-se as bíblias.  Tínhamos cinco bíblias em casa: católica, protestante, etc.  Ficamos com a publicada pela Oxford University Press, sem denominação, mas com toda a Apócrifa. Outra área de interesse são relatos de viagem.  Tenho de todos os tipos de diversos séculos diferentes e lugares variados. Estes mereceram uma prateleira inteira, porque gosto de ler sobre isso.  E aí coloco Marco Polo ao lado de Freya Stark?  E assim continuo.  Claro que uma área está habitada pelos 73 livros de cozinha brasileira, portuguesa, americana, italiana, francesa, inglesa, africana, oriental: a mente precisa de bons textos mas o corpo depende da boa comida.

Está difícil de organizar.





Escrevendo resenhas

20 03 2018

 

 

 

escrevendo, perfil

 

 

Muitas vezes me perguntam a razão de escrever resenhas de livros.  É minha maneira de colocar um ponto final na leitura.  Não tenho treinamento em literatura, em história da literatura, apesar de ter inicialmente começado meus estudos universitários na Universidade Federal Fluminense em francês.  Mas logo saí para a história da arte.

Nessa época, eu já estava familiarizada com muitas obras da literatura francesa, por ter frequentado desde os onze anos de idade a Alliance Française. O método de ensino da Aliança sempre utilizou textos da literatura para ilustrar a cultura e a língua.  Além disso, tive muita sorte de ter usufruído, quando ainda estava com meus quinze, dezesseis, dezessete anos,  das aulas de Monsieur Cox, na Aliança de Copacabana, à rua Duvivier, em que ouvíamos as gravações de peças de Molière, Racine e outros dramaturgos clássicos franceses, feitas pela Comédie-Française. Acompanhávamos as vozes dos atores lendo os textos e parando de vez em quando para as explicações de M. Cox, em francês, é claro, linha por linha, colocando em contexto de época, social e cultural aquilo que ouvíamos, o que se passava no palco.  Era só som.  Nada mais.  Nenhum filme ou vídeo.  Uma das melhores maneiras de se treinar o ouvido, e certamente um dos mais interessantes cursos de francês e de literatura que já tive.  Talvez seja por isso que tenho muito carinho pela cultura francesa e que não deixo de assistir ao programa La Grande Librairie, na TV5, com François Busnell, que todos podem acessar pela internet também e ganhar conhecimento testemunhando as maravilhosas conversas de Busnell com escritores da atualidade franceses ou não.  Mas essa é uma grande digressão.

Escrevo resenhas em parte para resolver para mim mesma as razões de ter “gostado” ou não de um romance.  Em geral só escrevo sobre aqueles livros que são bons, muito bons, ou espetaculares.   Livros de que não gosto, em geral deixo passar.  A não ser que o não gostar tenha chegado a um nível de desgosto tão grande, mas tão grande que não posso me conter e preciso espalhar a notícia a todos que ainda pensam em poder ler aquele traste.  São poucos os que me afetam dessa maneira.

Uma coisa que talvez passe desapercebida para os leitores é que mudo de opinião à medida que vou escrevendo minha resenha.  Um livro às vezes vai do bom ao brilhante, quando percebo, por ter que pensar nele e em suas diversas correlações, o quão complexo ele é, e o quanto eu poderia ter apreciado ainda mais na minha leitura.  Um livro em que isso aconteceu recentemente foi A vida peculiar de um carteiro solitário, do canadense Dénis Thériault, que considerei bom, mas melhor ainda quando escrevi sobre o livro, e ainda mais espetacular quando, após ter escrito a resenha, contei para amigos a história do carteiro.  De repente, eu vi que tinha lido um daqueles livros muito, muito bons.  Mas raramente o contrário acontece.  Então, a resenha, sedimenta as minhas primeiras observações.  Isso não quer dizer que eu não mude de ideia mais tarde.





10 dias de caos, mudança de endereço!

19 03 2018

 

 

mudanças, caminhãoMudanças em Patópolis, ilustração de Walt Disney.

 

 

Há dez dias mudei de endereço.  O caos ainda impera.  Por mais que eu tenha me organizado, nem todos, daqueles em que dependo, se organizaram, apesar de terem sido avisados com antecedência.  Esta mudança entre bairros do Rio de Janeiro (não chega a cobrir 4,5 km) de uma distância que pode ser facilmente feita a pé, trouxe muitos atrasos.  Planejada desde dezembro só se concretizou no dia 10 deste mês.  Desde dezembro e até agora, estou rodeada de caixas.

Sempre gostei de me mudar. Uma nova página se abre, sempre.  Novos horizontes, mesmo quando dentro de uma mesma cidade.  Já vivi em quatro continentes e me mudei mais de uma dezena de vezes na minha vida adulta. Mudanças nos fazem olhar para quem somos.  Somos obrigados a considerar o que importa.  O que é necessário.  Nem sempre o que vemos é bonito.

Por mais que nos últimos anos eu tenha exercido o desapego, o número de livros ainda precisa diminuir.  Muito.  Algumas dezenas, talvez um pouco mais de uma centena, já foram doados.  Outros foram dados ou esquecidos.  Mas espero, agora, a partir de quarta-feira, quando as estantes finalmente serão montadas, que a limpeza dos livros continue. Anos atrás os dois leitores dessa residência reduziram a biblioteca. Concentramos interesse nos livros de referência, nos clássicos, principalmente naqueles difíceis de encontrar no Brasil.  Mas, inveterados leitores que somos, voltamos a agregar livros de papel, ainda que nós dois leiamos em todas as plataformas.

Essa nota é só para ilustrar a ausência de postagens regulares nos últimos dias.  Mas estou aqui.





Lendo: “Falem de batalhas, de reis e de elefantes”, Mathias Énard

4 03 2018

 

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Lendo:

FALEM DE BATALHAS, DE REIS E DE ELEFANTES

Mathias Énard

L&PM: 2013

 

SINOPSE

Partindo de uma passagem obscura da biografia de Michelangelo, Mathias Énard constrói uma novela brilhante. Misto de romance histórico e ficção, o autor usa a prerrogativa do escritor. Ou do “fingidor”, como dizia Fernando Pessoa referindo-se ao ofício de escrever poesia. Tudo são verdades? Onde é o limite entre os fatos e a farsa?

Pois tudo começa quando o genial artista italiano se desentende com o sinistro papa Júlio II – que era especialista em cortar cabeças de seus desafetos – e aceita o convite do sultão Bayazid para projetar uma grande ponte sobre o Corno de Ouro, no estreito de Bósforo. O sultão havia recusado o projeto do já famoso Leonardo da Vinci.

Baseado em fragmentos de verdade, Énard solta a imaginação apoiado na atmosfera mítica e mística da Istambul do século XVI. Reconstitui o ambiente de fausto e mistério, os personagens enigmáticos e a perplexidade do mestre italiano diante do mundo muçulmano, da arquitetura inebriante e sedutora com seus minaretes e abóbadas sensuais. E entre ficção e realidade o autor reconstitui o curto período da estada de Michelangelo Buonarroti em Istambul. O resultado é esta novela de leitura arrebatadora, que é contada com o mesmo fascínio das histórias nas quais se fala de batalhas, de reis e de elefantes.”





Lidos: nas duas últimas semanas!

4 03 2018

 

 

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Receita para ler muito:

Prepare-se para mudar de residência.  Precisa de uma pequena obra?  Precisa de uma ligação da Companhia elétrica? E a entrega de uma nova máquina de lavar, vai chegar quando?  Entre 12 e 18 horas?  Prepare-se para horas e mais horas de espera em um local sem móveis, sem conforto, sem ar-condicionado, sem ninguém.  Compre uma cadeira de praia como fiz, leve uma garrafa grande de água mineral e comece a ler. Na verdade, você terá tanto tempo de espera, que o passatempo LER, começa a ser enfadonho, a não ser que você se dedique a mais de um livro.  Foram 4 livros nas duas últimas semanas, e estou matando mais dois logo no início desta semana porque as coisas ainda não entraram nos eixos… E olhem só: estou me mudando para um local a menos de 4 km de onde moro.  É uma parada!  Não sei se é assim fora do Rio de Janeiro, mas é assim que as coisas funcionam: paramos para Carnaval, para enchente, para festas, para fim de semanas… ninguém dá hora de entrega ou de chegada.  Um dos meus trabalhadores, que iria colocar insufilme nas janelas, foi roubado no meio do caminho, no ônibus.  O bombeiro eletricista faltou três dias seguidos porque sua casa inundou com a chuvarada … enfim  vamos falar de leituras. Destes livros, dos 4 cujas sinopses coloco aqui, dois eu já havia lido e os reli porque fizeram parte das leituras do grupo Ao Pé da Letra.

 

LIDOS:

A LIVRARIA
Penelope Fitzgerald
Bertrand:2018

SINOPSE

O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of Cards Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish. Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

 

A MULHER NA ESCADA

Bernhard Schlink

Record: 2018

SINOPSE

Por décadas, o mundo da arte acreditou que um quadro estava perdido. Em um museu na Austrália, um homem se depara com uma tela que retrata a mulher por quem, há muito tempo, arriscou tudo e que, em seguida, desapareceu misteriosamente de sua vida. Quando era um jovem advogado, ele foi atraído para um relacionamento complicado e destrutivo, um triângulo amoroso formado por um pintor, pela mulher cujo retrato ele havia feito e pelo marido dela. Os três o envolveram em uma rede de obsessão, intriga e traição. Agora, ao se ver diante da pintura que desencadeou tudo, o advogado precisa lidar com o passado e com o que sua vida se tornou. E, quando ele consegue localizar a mulher, é forçado a enfrentar o verdadeiro significado do amor que nutria por ela e a influência que esse sentimento teve por toda a sua vida.

“A mulher na escada”, de Bernhard Schlink, autor do best-seller “O leitor” é um romance intrincado, comovente e encantador sobre criatividade e amor, sobre os efeitos da passagem do tempo e, acima de tudo, sobre os arrependimentos que nos acompanham ao longo da vida.

 

Estes dois extraordinariamente bons.  Devo a todos minhas resenhas. Aliás devo resenha dos quatro.

 

RELIDOS

MOÇA COM  BRINCO DE PÉROLA

Tracy Chevalier

Betrand: 2002

 

SINOPSE:

Em meio a sua carreira, o célebre pintor holandês Johannes Vermeer pintou uma moça de turbante e brinco de pérola.

Este famoso quadro, ´Moça com Brinco de Pérola´, tem sido chamado de a Mona Lisa holandês. Às vezes, a moça parece estar sorrindo sensualmente; outras, insuportavelmente triste…

História e ficção se misturam, imperceptíveis, neste brilhante romance sobre sensibilidade artística e despertar da sensualidade por meio dos olhos da jovem que inspirou um dos mais famosos quadros de Vermeer, considerado por muitos especialistas em arte a obra-prima do pintor.

 

Minha 4ª leitura foi

BARTLEBY, THE SCRIBNER [ No Brasil, Bartleby, o escriturário, ou o escrivão]

de Herman Melville

Que li em inglês porque tinha em casa e era projeto do grupo Ao Pé da Letra, assim como o livro de Tracy Chevalier.

SINOPSE

Publicado anonimamente em 1853, Bartleby, o escriturário: uma história de Wall Street revela o estilo bem-humorado e por vezes sombrio de Herman Melville (1819-1891). Trata-se de uma história surpreendente pela simplicidade e aterradora pelo realismo. O narrador, um bem-sucedido advogado, contrata Bartleby para trabalhar como auxiliar de escritório. Ele se mostra um prestativo funcionário até que um dia, sem razão alguma, responde a um pedido de seu chefe com um desconcertante “Prefiro não fazer”. Esse desacato, essa insubordinação ultrapassa a compreensão humana: é como se rompesse com a organização moral do mundo, desafiando verdades até então universais.

 

Então, recomendo os quatro.  Resenhas seguirão quando eu encontrar tempo para pensar, no momento só posso ler mesmo.








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