“No convento”, poesia de Lucilo Antônio da Cunha Bueno

23 07 2018

 

 

EMIDIO MAGALHÃES (1905-1990) Portão de convento em Salvador - BA,ost,38 X 48Portão de convento em Salvador – BA

Emídio Magalhães (Brasil, 1905-1990)

óleo sobre tela, 38 X 48 cm

 

 

No convento

 

Lucilo Antônio da Cunha Bueno (1886-1938)

 

Alta noite o mar batendo frio

Nas paredes do longo Monastério,

Junta ao perfil tão pálido e sombrio

A sombra ideal e vaga do Mistério.

 

Passa horas mortas — devagar — esguio,

Rondando a calma desse cemitério,

O olhar da Monja, desolado e frio

Como aquelas paredes do Ascetério.

 

Naquele paredão encanecido,

Soluça em vão o tétrico gemido

Das almas que padecem satisfeitas.

 

Nada penetra na Solidão, e quando

Vem o Sol o horizonte arroxeando,

Choram em coro, as ilusões desfeitas.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 243.

 

Vocabulário:

Ascetério — lugar próprio para a meditação e para a vida ascética; convento, mosteiro.

Encanecer — envelhecer, ficar com os cabelos brancos

 

 








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