Peregrina escolhe os melhores do ano!

26 12 2018

 

 

Anthony Armstrong

Leitora

Anthony Armstrong (Escócia, 1935)

 

 

Este foi um ano diferente para leituras.  Nas minhas decisões de Ano Novo, no dia primeiro de janeiro, estava a determinação de ler menos ficção, mais biografias, ensaios.  Confesso que cansei do que estava sendo publicado.  Muita saga familiar, nos livros estrangeiros, muito assunto dos tempos da ditadura no Brasil.  Não queria mais ler sobre perseguição política, nem ler sobre desastres familiares de pessoas drogadas ou de filhos bastardos e daí por diante.  Tive sorte.  Li algumas excelentes memórias, alguns livros antigos publicados nas décadas de 1950-60 e algumas obras publicadas este ano, de excelente qualidade.  Aqui estão os livros que li em 2018.  Não foram tantos quanto no ano anterior, mas foram livros bem mais pesados muitos com bem mais do que 500 páginas.   Aqui está a lista do li de 19 de dezembro de 2017 a 26 de dezembro de 2018.  Notem que selecionei 12 e não 10.  Pois não consegui eliminar alguns.  Compensa pela lista do ano passado, quando só selecionei 8.

Aqui está a lista dos livros lidos em 2018, incluindo esta semana de Natal, mas não a semana pós Natal, pós dia 26.

 

Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault

Romancista por vocação, Haruki Murakami

Um velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda

Homo Deus, Yuval Harari

O círculo dos Mahé, Georges Simenon

Amantes Modernos, Emma Straub

A livraria, Penelope Fitzgerald

A mulher na escada, Bernhard Schlink

O caminho de casa, Yaa Gyasi

Mulheres sem nome, Martha Hall Kelly

Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Dianne Hales

Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles

O homem sem nome, Arnon Grunberg

Be Rio, Marco Machado

A casa do califa, Tahir Shah

Estamos todos completamente transtornados,  Karen Joy Fowler

Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng

A mulher na janela, A. J. Finn

A menina na montanha, Tara Westover

As filhas do capitão, Maria Dueñas

Assunto pessoal, Somerset Maugham

Nosso homem em Havana, Graham Greene

O sol nasce para todos, Harper Lee

Autobiografia, Agatha Christie

Ex-libris: confissões de uma leitora comum, Anne Fadiman

Partir, Tahar Bem Jelloun

Something of myself, Rudyard Kipling

No caminho de Swann, Marcel Proust

I’d rather be reading, Anne Bogel

Process: the writing life of great writers, Sarah Stodola

Anne Rice: the interviews, Nola Cancel

4321, Paul Auster

On writing: A Memoir of the craft, Stephen King

Tudo é rio, Carla Madeira

Falem de batalhas, de reis e de elefantes, Mathias Énard

O Rio de Clarice: passeio afetivo pela cidade, Teresa Montero

Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

 

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O melhor livro do ano:

Um cavalheiro em Moscou, de Amor Towles

 

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No entanto, este foi um ano de grandes leituras e ficou difícil escolher o melhor.

 

O círculo dos Mahé, Georges Simenon —  é uma pequena obra do grupo de obras de Simenon que não fazem parte de seus conhecidos mistérios. Esses romances, chamados duros, são preciosos estudos do comportamento humano.

4321, Paul Auster — este é um longo e complexo romance, em que examinamos a vida de uma pessoa em algumas fases da vida, e quatro possibilidades que esta pessoa teria de viver de maneira diferente caso alguns pequenos detalhes fossem diferentes.  É muito bom.  Não foi o Espetáculo que haviam me contado, mas mostra uma criatividade sem igual.

No caminho de Swann, Marcel Proust, é o primeiro de sete volumes que fazem parte de sua obra máxima, À procura do tempo perdido.  É uma experiência extraordinária, riquíssimo documento de análise de sentimentos comuns a todos nós inseridos nos hábitos e costumes da França da virada do século XX.  É muito detalhista mas vale a pena toda e qualquer palavra lida.

A mulher na escada, Bernhard Schlink — Essa é uma história baseada em um triângulo amoroso, vivido no passado e que sem que se perceba, torna-se quase um quadrângulo amoroso.  De leitura fácil, é quase mágico nas suas reviravoltas.

Nosso homem em Havana, Graham Greene — este é um clássico da literatura do século XX.  Com narrativa brilhante, com excelente humor, Graham Greene considera e critica o serviço secreto inglês.  Irônico.  Excelente leitura.

Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Dianne Hales — neste livro a jornalista e pesquisadora Dianne Hales, faz uma belíssima biografia da Monalisa, estudando hábitos e costumes da época de sua vida para preencher o que não sabemos a respeito da modelo de Leonardo da Vinci.

Kafka à beira-mar, Haruki Murakami — é uma das obras mais instigantes de Murakami.  Dele já li a trilogia 1Q84, Norwegian Woods (ambos entre livros memoráveis deste século), e agora esta aventura — e algo mais  — de um jovem de quinze anos que foge de casa.  Excelente, sedutor, tratado no nosso mundo e, talvez,  em outro.

Assunto Pessoal, Somerset Maugham — este é um diário/memória do grande escritor inglês sobre sua estadia na França, onde morava, durante a Segunda Guerra Mundial.  Dá um verdadeiro gosto sobre as experiências que britânicos, morando no continente, tiveram nesta época.

Ex-libris: confissões de uma leitora comum, Anne Fadiman — este livro li em inglês, no Kindle, e acabei comprando a edição brasileira para poder fazer citações.  É um encanto. São ensaios sobre leituras, leitores, e o mundo dos livros.  São ensaios de uma pessoa culta, que já leu muito e faz referências sensíveis, instruídas, assimiladas através de muitos anos de leitura.  Vale cada palavra lida e relida.

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault — este é um livro pequenino e encantador, cuja história fora do comum, completa um círculo inteiro ao final.  Trata-se de um carteiro, um homem comum, que se apaixona pela poesia japonesa do formato haicai.  Neste processo, ele que é tímido e que quebra algumas regras da ética ao longo do percurso se apaixona por uma mulher com quem mantém correspondência que também faz haicais.

Autobiografia, Agatha Christie — é um passeio pelos hábitos e costumes de uma família de classe média alta na Inglaterra da virada do século, além de ser um testemunho da mulher ultra-moderna que se tornou a Grande Dama dos livros de mistério.  Enriquecedor.

Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles — O MELHOR DO ANO —  é um desses livros que você não quer que acabe.  Com uma narrativa sedutora, grande reconstituições histórica e atmosférica, seguimos a vida de um nobre russo, cuja prisão o limita a viver num grande hotel, por décadas, sem poder colocar o pé no lado de fora.  Acompanhamos com ele todas as mudanças da sociedade russa, pelas janelas.  Ao final, temos um pouco de excitação à moda de espionagem, que adiciona um pouquinho de pimenta a essa narrativa magistral. Foi minha melhor leitura do ano!

 

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

26 12 2018

 

 

 

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Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)

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