O som mais triste… poesia, Ladyce West

20 05 2019

 

 

 

Lasar Segall- titulo Auto-Retrato Retratando o Cotidino em Vina-Lituânia, óleo sobre placa de papelão, medindo 67cm x 47cmAuto-retrato, Retratando o cotidiano em Vina-Lituânia, s/d

Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1889 – 1957)

óleo sobre papelão, 67 x 47 cm

 

 

O som mais triste…

 

Ladyce West

 

Na indolência de um domingo de verão,

quando o sol cerceia o movimento e o calor detém a brisa,

 

Quando o bafo quente das calçadas se ergue lento,

envolve o corpo e reprime pensamentos,

 

Quando a inércia paralisa insetos,

cala pássaros, esconde peixes,

 

No meio da tarde indiferente,

preguiçosa, frouxa e incandescente,

 

Um solitário acordeon se faz ouvir.

 

É gemido desditoso, lamento sofrido.

Queixume penoso.

 

No ar estagnado do bairro,

por entre casas sonolentas e mudas torres de igrejas,

 

por cima do asfalto amolecido das ruas,

mascarando o borbulhar do riacho,

 

vibram notas saudosas, melodias sofridas,

canções de outras eras, de outras terras.

 

Gemidas.

 

A nostalgia se espalha.

Manta transparente, que envolve.

Aderente.

 

Libação sonora, suadouro enlutado,

carpindo na tarde.

 

Canto solitário de imigrante europeu,

Chora a terra, a distância,

a perda do lugar em que nasceu.

 

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2019.


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