Mulher e pintora: Jeanne-Philiberte Ledoux

30 04 2020

 

 

 

Jeanne-Philiberte Ledoux (1767 – 12 October 1840) Cabeça de jovem, ost, 45 x 37 cm (2)Cabeça de jovem

Jeanne-Philiberte Ledoux (França, 1767 – 1840)

óleo sobre tela, 45 x 37 cm





Imagem de leitura — Abbott Fuller Graves

29 04 2020

 

 

85cddb39a6c9ed79fa7349cac0735bc8A carta

Abbot Fuller Graves (EUA, 1859 – 1936)

Óleo sobre tela, 23 x 25 cm

 

 





Nossas cidades: Vassouras

28 04 2020

 

 

ETHEL LOURDES DE OLIVEIRA – `Igreja de Vassouras`, óleo sobre tela, assinada no verso. Menção honrosa no Salão Feminino de 1960. 64 x 48 cm.Igreja de Vassouras, RJ, 1960

Ethel Lourdes de Oliveira (Brasil)

óleo sobre tela, 64 x 48 cm.





“Bosquejo” poesia de Raimundo Correia

27 04 2020

 

 

Eduardo Feitosa, (Brasil, Sb do campo, 1957)mãe e filha, ostMãe e filha lendo

Eduardo Feitosa (Brasil, 1957)

óleo sobre tela

 

 

Bosquejo

 

Raimundo Correia

 

Repica o sino na matriz da vila,

Como um dia de gala…

São dez horas somente; o sol rutila,

Faísca o espelho de cristal na sala.

 

A pêndula palpita,

Compassada e monótona;  singelo,

Numa gaiola, elétrico saltita

Um canário amarelo.

 

São dez horas; erguidas

As persianas deixam ver, distantes,

Das árvore floridas

As frondes verdejantes.

 

Sutil essência de magnólia e rosa

Repassa o ambiente,,,  e a mãe a ler ensina,

Sorrindo  carinhosa,

A loura filha,  ingênua e pequenina.

 

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 24.

 

 





Imagem de leitura — Roderic O’Conor

27 04 2020

 

 

Roderic_o_conor (1860-1940) g,1915, ostUma leitura silenciosa, 1915

Roderic O’Conor (Irlanda, 1860-1940)

óleo sobre tela





Resenha: “Nenhum olhar” de José Luís Peixoto

26 04 2020

 

 

 

Pedro Buisel (Portugal, contemporâneo) , Monsaraz, 2001, ost, 53 x 80 cmMonsaraz, 2001

Pedro Buisel (Portugal, contemporâneo)

óleo sobre tela, 53 x 80 cm

 

 

Confesso que comecei a leitura de Nenhum Olhar de José Luís Peixoto com certa apreensão.  Eu havia gostado tanto, tanto, de seu Livro, que tinha medo de me decepcionar com qualquer outra obra do autor.  Dei tempo entre os dois e caí de amores mais uma vez por este autor que surpreende com a habilidade de encantar com a utilização de palavras comuns, que eu, você, nós todos sabemos e aplicamos diariamente.  Em sua escrita esses vocábulos comuns tornam-se elementos de uma  narrativa lúdica e poética capaz de abordar delicadas e violentas emoções de modo único e sensível.  Chega a ser difícil acreditar que temos  em comum as mesmas palavras, no número finito das existentes na língua portuguesa, porque José Luís Peixoto não inventa novos vocábulos, mas consegue construir  linguagem única,  que entendemos pelas ausências,  no avesso ou como se lêssemos pelo espelho.  Frases curtas trazem à tona reticências eloquentes. Silêncios  soturnos envolvem o leitor com um cordão mágico invisível que o amarra ao texto.  E imergimos num mundo fantástico e real, plausível, mágico.  Enigmático.

José Luís Peixoto canta uma aldeia. Cantar é a palavra que melhor descreve a prosa-poética, ou a poesia em prosa, da narrativa sobre esta aldeia portuguesa, que parece perdida no tempo, solitária no espaço, contida em si mesma, isolada na  imensa extensão agreste, bruta, bravia e rústica do Alentejo.  Sente-se o lugar.  É hostil, habitantes abrutalhados, sem  possibilidades de mudança.  Vivem sob o pesado manto dos séculos de isolamento e conformismo.  Nem todos são gente comum.  Há um tanto de mágica local. Mas há falta de perspectiva,  seus habitantes não veem o  horizonte além.  ‘Nenhum olhar’ atravessa a distância,  supera a realidade desolada do lugar.

 

NENHUM_OLHAR_15370237062751SK1537023706B

 

Gosto particularmente da capa desta edição da Dublinense de  Samir Machado  de Machado. Gosto porque desta janela do aposento de onde a foto foi tirada, não há horizonte visível.  Há telhados. E céu.  O olhar atravessa a janela e para.  Para  logo ali adiante.  Ali pertinho.  Ali, na casa ao lado, no vizinho vigilante, na vereda deserta, no silêncio impenetrável dos vigiados seguidos por trás das cortinas em seus mais corriqueiros movimentos. O olhar para ali,  sem qualquer esperança, para no muro e nas telhas.  Isso reflete a asfixia da aldeia.  A falta de espaço tão bem representada pelos irmãos siameses;  a exiguidade a despeito da imensidão algarvia que a rodeia.  Esta aridez externa ecoa na população retratada, do gigante à mulher estuprada, do pastor de ovelhas à mulher cega. E como num deserto, onde ocasionalmente vemos uma planta esboçar um alento, aqui também há amor.  Silencioso, profundo, dramático.  Talvez esses excessos nos levem a aceitar com maior encantamento a virada de perspectivas que ocasionalmente nos obriga a parar e pensar. “Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra como um céu, e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.” [123-24]

 

jlpJosé Luís Peixoto

 

Os eventos que compõem a história dessa aldeia podem ser contados repetidamente, de maneira poética ou objetiva. E no entrar e sair do sonho, no abraçar ou abandonar o onírico, temos entendimento mais completo da agonizante e ferrenha determinação de seus  habitantes pela sobrevivência física e emocional. Esdrúxulas como a própria paisagem que as gera, essas pessoas parecem habitar o mundo das alegorias.  Seus nomes, vindos dos Novo e Velho testamento aparentam ser maiores do que os seres que os carregam e dão aos acontecimentos, junto com os personagens fantasiosos, um ar simbólico que em vão tentamos decifrar.

Essa é a história de uma aldeia. Belíssima narrativa ainda que extremamente triste.  Recomendo.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Domingo, um passeio no campo!

26 04 2020

 

 

JOSÉ CLAUDINO NÓBREGA (1909-1995). Floresta, acrílica stela, 125 x 145 cm, ass. inferior direito, déc. 1970.Floresta, déc. 1970.

José Claudino Nóbrega (Brasil, 1909 -1995).

acrílica sobre tela, 125 x 145 cm








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